21/08/2015 - Delator da Setas diz que R$ 418 mil foram para campanha de Lúdio

O empresário Paulo Lemes, delator do esquema de desvio de dinheiro público na Setas (Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social), afirmou que repassou R$ 418 mil para a campanha campanha do ex-vereador Lúdio Cabral (PT) à Prefeitura de Cuiabá, em 2012.

A revelação foi feita ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), no dia 29 de junho passado, durante delação premiada na Operação Arqueiro - que investiga suposto desvio de R$ 8 milhões na Setas, durante a gestão da ex-primeira dama Roseli Barbosa, presa nesta quinta-feira (20).

Lemes afirmou que Silvio Cezar Correa Araújo, então chefe de gabinete de Silval Barbosa, lhe pediu o dinheiro na presença do ex-secretário de Estado Eder de Moraes, então coordenador da campanha de Lúdio Cabral. Sílvio também foi preso nesta quinta. 

Segundo o delator, ao fazer o pedido, Silvio disse que o valor deveria ser repassado diretamente a Eder, que, por sua vez, distribuiria o montante aos candidatos a vereador para obter apoio a Lúdio Cabral, durante o segundo turno da disputa. 

“Parte do dinheiro o interrogando (delator) entregou para Eder e outra parte pagou despesas em postos de gasolina e outras despesas, e parte do dinheiro deu diretamente para o Sílvio, em dinheiro”, diz trecho da delação.

Negociação

Em razão do empréstimo, Lemes afirmou que o desvio de R$ 755 mil ocorrido por meio de fraude no convênio “Qualifica Mato Grosso VIII” – cujo contrato era de R$ 3,4 milhões - foi repartido entre os membros do esquema com percentuais diferentes dos pactuados nas fraudes anteriores.

Segundo delator, habitualmente o lucro obtido com os desvios era repartido da seguinte maneira: 40% para Roseli Barbosa, 36% para ele e os 24% restantes eram divididos entre o assessor de Roseli, Rodrigo de Marchi, e o empresário Nilson da Costa e Faria.

Porém, como a porcentagem lhe garantiria “apenas” R$ 180,4 mil, restando um crédito de R$ 237,5 mil, ele propôs que a então primeira-dama abrisse mão da parte dela (R$ 300 mil) para o empréstimo ser quitado.

“Foi aí que Sílvio falou com Roseli Barbosa e, depois que ela autorizou, a divisão ficou igual ao que consta anotado nas fls. 9608, e a letra manuscrita mostrando a divisão é do interrogando”, disse o empresário.

O delator ainda contou que a divisão da “fatia” do lucro obtido com a fraude neste convênio chegou a desagradar o então assessor de Roseli Barbosa, Rodrigo de Marchi.

“O interrogando diz que, com relação a este projeto, o Rodrigo fez tudo o que pôde para não acontecer, porque não iria ganhar muita coisa, pois ele sabia que o lucro desse projeto iria se destinar praticamente ao pagamento do crédito que o interrogando tinha com Sílvio”, disse ele.

 

 

Lucas Rodrigues 

Da Redação

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