21/09/2015 - Família Nadaf é beneficiada com o esquema de propina dos incentivos

21/09/2015 - Família Nadaf é beneficiada com o esquema de propina dos incentivos

A família do ex-secretário de Indústria e Comércio Pedro Nadaf foi beneficiada com o esquema de pagamento de propina para concessão de incentivos, em Mato Grosso, e até o momento estima-se que os parentes teriam recebido quase R$ 100 mil, por meio de cheques dados pelo empresário e delator João Batista Rosa.

 

O curioso é que a rede criada por Nadaf não seria apenas de parentes, mas pessoas próximas, como o motorista e até assessores também seriam beneficiados. Até envolvidos diretamente na rede de corrupção que teria como mentor o ex-secretário de Fazenda Marcel de Cursi e ainda o aval do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

 

A ex-mulher de Nadaf, Cibele Bojikian, teria sido beneficiada com a quantia aproximada de R$ 36 mil, conforme demonstram as microfilmagens dos cheques entregues à polícia, que apura os crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção e extorsão. O dinheiro seria para pagar a pensão dos filhos do ex-secretário.

Cibele foi conduzida à Delegacia Fazendária, na terça (15), para prestar depoimento. Eles foram ouvidos e liberados no mesmo dia. A irmã de Nadaf, Yasmin Jamil Nadaf, também foi prestar esclarecimento acerca de um cheque no valor de R$ 3 mil, que foi emitido em seu nome.

 

Outro membro da família foi o primo Marcos Moysés Nadaf, que teria sido beneficiado com R$ 25,3 mil. Ele foi ouvido pela polícia para esclarecer o motivo de ter recebido recursos supostamente provenientes do pagamento de propina.

 

A atual esposa de Nadaf, Geiziane Rodrigues Antelo, foi conduzida coercitivamente para a Defaz, pois, de acordo com a investigação, ela teria recebido três cheques advindos do pagamento de propina, sendo dois emitidos pela empresa DCP Máquinas e outro pela Casa da Engrenagem. O valor total seria de R$ 9 mil. O veículo dela, um Ranger Roger, foi apreendido devido a suspeita de ter sido adquirido com dinheiro fruto da corrupção.

 

Além dos familiares envolvidos, há ainda a participação de Karla Cecília de Oliveira Cintra, que era braço direito do ex-secretário, funcionária da Fecomércio e é apontada como a gerente da lavagem de dinheiro, responsável por pulverizar os recursos entre os envolvidos. Ela ainda teria sido beneficiada com R$ 122 mil.

 

O motorista de Nadaf, também funcionário da Fecomércio, Marcos Flávio de Oliveira, foi ouvido por ter recebido R$ 54,6 mil em cheques provenientes do pagamento de propina dos empresários.

 

O sócio do grupo Tractors Parts, João Batista Rosa, foi o responsável por delatar o esquema. Ele disse ter sido extorquido pelo grupo criminoso. Em depoimento, o empresário diz que pagou R$ 2,6 milhões, sendo que parte do dinheiro teria sido entregue ainda este ano, para os líderes do esquema sob o argumento de que seria usado para a defesa do empresário na CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal.

 

 

 

Alline Marques

 

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