21/09/2016 - Delegado é preso após atirar dentro de casa; policial apresenta quadro de depressão

21/09/2016 - Delegado é preso após atirar dentro de casa; policial apresenta quadro de depressão

O delegado da Polícia Civil, Rodrigo Santana, foi preso na noite do último domingo (18), após atirar dentro da própria casa, em Chapada dos Guimarães (60 km de Cuiabá). Segundo as informações, o policial disparou para cima. Na casa, estavam alguns parentes que se assustaram com a situação e acionaram uma viatura. O policial, de acordo com a corporação, sofre com um quadro depressivo. 

 

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou ao Olhar Direto que o delegado estava morando sozinho em Chapada dos Guimarães. Os familiares então resolveram ir até a residência para prestar auxílio, já que o homem apresenta um quadro de depressão, tanto que está licenciado desde o dia 11 de agosto de 2016, para tratamento. O afastamento vai até 8 de novembro deste ano.

 
No final do domingo, o delegado estava sozinho dentro do quarto quando deu um tiro para o alto. Assustados, os parentes acionaram a polícia que prendeu o homem em flagrante pelos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso restrito. Uma das pessoas passou mal, com o susto. Foram recolhidas duas armas de fogo, um revólver calibre 38 e uma pistola ponto 40, que não são de propriedade da PJC.
 
Esta não é a primeira licença que o delegado tira, por conta de problemas pessoais. Em maio de 2012, o delegado foi acusado de agredir a mulher após uma discussão do casal. “Ele me agrediu depois me imobilizou e me jogou no chão. Ele chamou a Polícia Civil para evitar que a Polícia Militar fosse até o local e ele fosse preso por Maria da Penha", argumentou a esposa no dia do ocorrido. À reportagem, o delegado negou as agressões e alegou que estava sendo vítima de chantagem da esposa, que teria sido orientada por familiares e advogados para tentar prejudicá-lo.
 
Em março do ano passado, a Associação de Oficiais da Policia Militar de Mato Grosso (Assof) repudiou, através de nota, as denúncias do delegado da Polícia Civil, Rodrigo Santana, contra um tenente da corporação que não teria feito a prisão de uma pessoa a pedido dele. Segundo a nota, “comenta-se na região que o intento desse delegado de prender a sua ex-esposa seria uma ação em retaliação a decisão judicial que concedeu a guarda do filho do casal”. Por conta disto, a Assof ingressou com ação disciplinar e judicial contra ele e também pediu o afastamento de Rodrigo.
 
De acordo com a nota, o delegado teria pedido à Polícia Militar, fora de serviço, a prisão em flagrante de uma mulher “pela pretensa prática do crime previsto no artigo 132 do Código Penal (Expor a vida ou à saúde de outrem a perigo direto ou iminente) pois, segundo ele, a condução por uma mãe de seu filho para a escola em uma motocicleta, se enquadraria neste crime”.
 
Porém, depois descobriu-se que a mulher seria Kelly de Souza Almeida, ex-esposa do delegado. “Comenta-se na região que o intento desse delegado de prender a sua ex-esposa seria uma ação em retaliação a decisão judicial que concedeu a guarda do filho do casal e pensão alimentícia a sua ex-esposa, em um processo de separação judicial. Certamente, por isso, sua investida, no mês entrevista coletiva, contra a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, a chamada Lei Maria da Penha”.
 
Siagespoc
 
Sobre o episódio de domingo, 18, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Polícia Civil de Mato Grosso (Siagespoc), Cledison Gonçalves, repudiou o que ele chama de “privilégio dispensado ao Delegado Rodrigo, de Bom Jesus do Araguaia que protagonizou um episódio lamentável em um hotel de Chapada dos Guimarães, sendo denunciado pela própria esposa, mas conseguindo abafar o caso por ser delegado de polícia. Mais uma vez é preciso deixar claro que todos são iguais perante a lei e deve arcar com as consequências de seus atos, em vez de serem protegidos por uma classe corporativista que não mede esforços para dar guarida aos seus membros que transgridam a lei”.
 
Por fim, o presidente indaga “Por que continuamos convivendo com situações como essa, em que são usados dois pesos e duas medidas? Por que o cidadão comum é punido com a severidade da lei, enquanto um delegado, que devia dar exemplo, é protegido e fica impune, protegido pelo cargo que ocupa?”.

 

 

 

 

Da Redação - Wesley Santiago

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