22/11/2012 Exclusivo: Dom Pedro Casaldáliga afirma: "Não tive participação no deslocamento da área e todo o território de perambulação é original"

Entrevista feita no dia 12 de outubro e acrescentadas perguntas e respostas atualizadas no dia 21 de novembro de 2012.

 

Uma das figuras exponenciais da Teologia da Libertação, bispo emérito de São Félix do Araguaia recorda, nesta entrevista, suas lutas pela redistribuição da terra e a causa indígena.

 

Missionário da Congregação dos Claretianos, o catalão dom Pedro Casaldáliga, 84 anos de idade, e na Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) há mais de 44 anos. Foi o primeiro a denunciar em 1970 a existência de trabalho escravo no Brasil atual. Em 1971, divulgou a carta pastoral, "Uma Igreja da Amazônia em Conflito com o Latifúndio e a Marginalização Social”. A partir dessas denúncias, a Prelazia tornou-se referência para os movimentos de oposição à ditadura, mas também foi alvo de ataques e incompreensões, às vezes dentro da própria Igreja. Ele, os agentes de pastoral e as comunidades sofreram repressão violenta, com prisões e torturas, inclusive.

Casaldáliga faz uma espécie de balanço das transformações sociais brasileiras, problemas gerados pela globalização, violência e ausência da reforma agrária.

O Repórter do Araguaia - Qual é o panorama político de São Félix do Araguaia?

Dom Pedro Casaldáliga – A política de São Félix e do país em geral é de coligações e alianças; sempre fazem essas alianças e coligações, com exigências de um de um lado e de outro, e acabam engolindo o que não se pode digerir em política autêntica. Foi uma surpresa a diferença de mais de mil votos a favor de uma coligação; o que dá a impressão de que o povo de um modo ou outro cobra dos políticos. O certo é que não ganhou uma pessoa, mas sim uma coligação.

Um grave problema político social da região é o latifúndio, agora travestido de agronegócio. Durante a ditadura e depois dela também, a Prelazia vem denunciando esse latifúndio. Um problema, aliás, do Brasil e de toda a América Latina é a acumulação da terra nas mãos de uns poucos, no campo e na cidade. Às vezes esquecemos os latifúndios na cidade, com a especulação imobiliária. Problema de terra e de renda no campo e na cidade. Mudaram algumas coisas com os governos recentes, mas continuam sendo cobranças fundamentais: a causa indígena, a problemática agrária e a economia alternativa de pequenos projetos contra a avalanche dos grandes projetos multinacionais. E evidentemente o povo continua exigindo que a política se volte eficazmente para as necessidades fundamentais da educação, da saúde, da comunicação e da segurança. E exige o povo que se vença a tentação crônica da corrupção na política.

Fazem-se campanhas eleitorais, elegem-se os candidatos e agora as promessas, como ficam? É preciso saber que política não é somente em época de campanha eleitoral, mas sim toda vida e a cada dia e tem que haver participação. Os vereadores têm que participar da administração, ativa, consciente e positivamente; vereador não é para encher a paciência do prefeito, mas sim acompanhar a administração com espírito crítico e cívico, e todos sentirmo-nos uma comunidade de filhos e filhas de Deus.

 

O Repórter do Araguaia -  Filme Dom Pedro?

Dom Pedro Casaldáliga – Quando me propuseram fazer o filme eu me neguei; e só aceitei quando tive garantia de que o filme seria não de uma pessoa, mas de umas causas: da vida, da justiça, da reforma agrária, da causa indígena, e que apareceria claro no filme o trabalho comunitário. A Prelazia é toda a Igreja Católica da região; não é somente o bispo; todo católico da região é Prelazia. Tive garantias de que as pessoas participantes seriam fundamentalmente do povo da região.

 

O Repórter do Araguaia - O que o senhor diz da terra de Marãiwatsédé (Suiá Missú)

Dom Pedro Casaldáliga – Tem sido dito, escrito e falado que a terra de Marãiwatsédé é dos índios Xavante. Os não índios que entraram no território Xavante sabiam que a terra era território indígena. Alguns grandes se aproveitaram da situação e da ingenuidade dos pequenos para tirar proveito. São vinte anos que estão explorando a região, desmatando, plantando e criando gado. Onde está a mata do Posto da Mata? No momento há um clima abertamente de expectativa dos Xavante; uma postura firme de que eles estão na sua terra e vão ocupá-la vitalmente. Custa entender que os povos indígenas são outros povos, com cultura e história próprias, em processo de crescimento no Brasil e no Mundo. O papa João Paulo II quando visitou o Brasil conversou com os índios e disse: “vocês são povos, vocês são nações”. Índios e ecologistas são tratados como entraves ao progresso. De quê progresso se trata?

 

O Repórter do Araguaia - O Bispo tinha conhecimento ou teve participação para o deslocamento da área original do território xavante para a área do Posto da Mata?

Dom Pedro Casaldáliga – Não. Eu cheguei em 1968. Em 66 foram deportados os Xavante e morreram de sarampo uns 90. Esses Xavante deportados vinham de vez em quando à procura de pati para os arcos e flechas. Nos primeiros contatos com os índios Xavante deu para constatar o fenômeno que os antropólogos chamam de ‘perambulação’; para caça, pesca, colheita de frutos selvagens. Os Xavante saiam do que hoje é município de Serra Nova, da Suiá Missu, do Xavantinho, do Araguaia, do Tapirape. Era fácil encontrar à beira de alguns caminhos as choupaninhas provisórias onde se acomodavam.

 

O Repórter do Araguaia - O Dr. Luiz Alfredo denuncia em uma matéria da jornalista Néia Rondon a fraude da FUNAI ao deslocar a área original do território xavante para a área atualmente demarcada. Ele fala ainda de sua participação pedindo à FUNAI o deslocamento da área a fim de não prejudicar assentados da reforma agrária e segundo ele evidenciam a participação do Bispo Dom Pedro na época, esses fatos são verdadeiros?

Dom Pedro Casaldáliga – Não. Não tive participação no deslocamento da área. O que tenho dito sempre é que há lugar para índios e lavradores; não para o latifúndio e que o direito indígena é primordial em qualquer circunstância. Na verdade o território Xavante seria bem maior e o território demarcado é apenas uma parte. E todo o território de perambulação é território original.

 

 

Fonte: Vanessa Lima/O Repórter do Araguaia

Comentários

Data: 25/11/2012

De: PROPRIETÁRIO

Assunto: DESLOCAMENTO DA ÁREA - FRAUDE

ENTÃO O BISPO FALA QUE NÃO TEM PARTICIPAÇÃO NO DESLOCAMENTO, MAS RECONHECE QUE A ÁREA ESTÁ DESLOCADA!!! É ISSO QUE TODOS QUERIAM OUVIR!!! CONFESSOU A VERDADE!!!... A MÁSCARA CAIU!!! O DOCUMENTO QUE PEDE O DESLOCAMENTO FOI REDIGIDO NA SUA "MÁQUINA DE DATILOGRAFIA". ESTRANHO ISSO. COMO NÃO SABIA???? EXPLIQUE MELHOR!!!!

Data: 24/11/2012

De: Suíça

Assunto: Suia

Eu pensava que ess gente toda tinha caído na lábia do gilbertao, mas nada são todos uns bestas mesmo, pois numa reportagem para rede Globo gilberto afirma ter vendido as terras mas que nas escrituras falava que era terra indígena, vcs compraram sabendo disso. Quem se deu bem nessa foi gilbertao. Ms vcs já ganharam também produzindo nessas terras. Ta na hora de devolver aos donos.

Data: 25/11/2012

De: eu

Assunto: Re:Suia

Babaca suíço (ou Italiano do Vaticano), os donos são os que compraram... A CPI da FUNAI vai confirmar o que todos estão dizendo e os documentos confirmando: a área foi deslocada pra beneficiar ONGs e o seu padrinho espanhol... cuidado pra não ser revelado no meio da falcatrua o seu verdadeiro nome suíço safad...

Data: 27/11/2012

De: Suíça

Assunto: Re:Re:Suia

Amigao essa eu quero ver, dia 6 ta chegando caça teu rumo logo, a borracha vai comer.

Data: 24/11/2012

De: kalixto Guimaraes

Assunto: CASALDÁLIGA PEÃO DO CAPITALISMO

CASALDÁLIGA, SEMPRE FOI PEÃO DO CAPITALISMO INTERNACIONAL! DESCARADAMENTE ELE MENTE SOBRE A SUIÁ-MISSU. OS XAVANTES PERAMBULAVAM PELA REGIÃO INTEIRA DO ARAGUAIA, CERRADOS E VARJÕES, MENOS NAS MATAS FECHADAS. A ANTROPOLOGIA QUE ESTUDA AS ETNIAS INDIGENAS BRASILEIRA, CONFRMA ESSA VERDADE E OS PRÓPRIOS XAVANTES, TAMBÉM. "MARAIWATSEDE É UMA FARSA E CASALDÁLIGA UM MENTIROSO!

Data: 23/11/2012

De: Keeper

Assunto: PT

Se o Bispo diz:. "Eu cheguei em 1968. Em 66 foram deportados os Xavantes"

de 68 a 92 passou-se 24 anos e nesse periodo essa mesma terra foi esplorada pela multinacional Italiana Agip e nesse periodo nem Funai nem o Bispo nem Ongues nem Procurador Federal defendeu o retorno dos indios para essa gleba, porem apos a multinacional usar e abusar foram embora, e a terra foi ocupado por brasileiros, ai meu Sr. a coisa mudou. os pobrezinhos dos indios tinhão que voltar, e veio Funai, Igreja Ongue Policia uma operação de guerra esta montada. Poque não fizeram essa operação quando a multinacional estava exploranda a Fazenda Suia Missu. Quer dizer que GRINGO TEM MAIS DIREITO QUE INDIO QUR BRASILERO isso é lamentavel.

Data: 23/11/2012

De: Morador

Assunto: Bispo


Conheci D. Pedro, convivendo passificamente com multinacional Italiana que por decadas explorou economicamente essa area dos indigenas, e não se tem noticia que o Bispo levantasse a voz em defesa dos indios,. porem quando a terra foi ocupada por brasileiros, D. Pedro tronou-se bamdeira para devolver a terra aos indios. Quer dizer então Sr. Bispo, a Multinacional Italiana pode usufluir da terra os Brasileiros não? .

Data: 25/11/2012

De: DE OLHO

Assunto: Re:Bispo

Ocorre que o "Vaticano" tinha ações na suiá... antes não podia alterar a realidade. Agora que é só trabalhador honesto, saem capital estrangeiro ou do governo, quer tirar todo mundo. Isso aqui é o maior exemplo de reforma agrária que este país já teve. O INCRA devia copiar o modelo. a AGIP doou 25 mil hectares para os posseiros e NÃO para os índios ou governo ou prelazia. Provem o contrário e parem de conversar M... os documentos demonstram isso... a "Reserva" é uma FRAUDE.

Data: 23/11/2012

De: Posto da mata

Assunto: Suia

Em 1990 me ofereceram varias vezes terras p comprar nessa região e já sabia que se ficasse ali 5 anos ganharia coma compra porque a qualquer mómento poderia ser povoada por índios, queria criar e engordar boi se ficasse esse período já estaria ganhando com a compra dessas terras, muitos amigos venderam pois já sabiam que isso ia acontecer só lamento também galera, mas vcs já estão com 20 anos nas terras alheias já ganharam o suficiente para irem embora.

Data: 23/11/2012

De: sabedoria

Assunto: suia

a verdade e uma só fico com dor do pessoal que construiram seus lares apostaram em suas lavoras digo dedicaram pate de suas vidas na entrega dessas terras, porém acho que maioria não eram leigos ao ponto de não ter comnhecimento que estas terras poderia futuramente dar problema pois e terra que já existia lide judicial e como foi noticiadoque as escrituras apresentadas pelas pessoas que ali residem deixava bem claro em seu rodapé que a terra estava já em processo judicial. então senhores moradores do posto da mata eu so lamento.

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