21/11/2014 - Hacker brasileiro preso na inglaterra será indiciado pela polícia de Mato Grosso

A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso vai indiciar o brasileiro preso na Inglaterra, que invadia perfis de mulheres nas redes sociais e e-mails particulares, nos crimes de injúria, ameaça, extorsão, invasão de dispositivo informático e importunação ofensiva ao pudor. O suspeito teria feito pelo menos 15 vítimas em Mato Grosso, mas apenas quatro oficializaram denúncia na Polícia Civil.


O hacker identificado pelo nome de Cristian Antônio Pereira é alvo de investigação na Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia (Gecat), desde o ano de 2012, quando a primeira vítima procurou a Polícia Civil para denunciar a invasão do seu computador particular.


 A história criminosa do brasileiro, Cristian Antônio Pereira, foi contada no programa Fantástico, de 26 de outubro de 2014 e depois no dia 2 de novembro, quando algumas vítimas relataram como eram chantageadas. Ele tem condenação de 13 anos e 6 meses de reclusão e mandado expedido em 11 de setembro de 2012, pelo crime de estupro cometido em Rolândia, no Paraná. Na Inglaterra também já foi condenado a cumprir mais de 13 anos de prisão.


 O delegado da Gecat, Anderson Clayton da Cruz e Veiga, informou que agora com a identificação do hacker, que usava diferentes nomes, a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso poderá concluir o procedimento investigativo e acusado passará a dever para Justiça mato-grossense, uma vez extraditado ao Brasil. "Umas das técnicas usadas era o raqueamento de contas em redes sociais e emails. Depois com a obtenção dos dados as vítimas eram ameaçadas e até extorquidas", detalhou o delegado.


 O hacker, que até então, era desconhecido nas investigações, invadia perfis em redes sociais de vítimas, preferencialmente mulheres bonitas, e também seus e-mails particulares e de posse das páginas procurava informações de cunho extremamente pessoal, que pudesse causar algum impacto emocional na divulgação das informações e assim se beneficiar do medo das vítimas.


 Conforme a Gecat, o hacker procurava geralmente imagens íntimas, como fotos, vídeos e conversas particulares nos e-mails e chats de bate-papo, que caso viessem a público causariam dano à vítima e entre seus familiares. A partir daí, o suspeito habilidosamente entrava em contato com a vítima e iniciava extorsões sexuais, solicitando que ela tirasse a roupa e mantivesse sexo virtual com ele, por meio da webcam.


 O hacker ainda usava os dados da pessoa para se passar por ela e assim aumentava sua rede de vítimas, utilizando a chamada engenharia social, que tinha como foco páginas pessoais no Facebook e e-mails do Hotmail da Microsoft. Os contatos iniciais tinham como objetivo o resgate da senha através da pergunta e resposta secreta da vítima. "Para realizar a invasão, o suspeito passando-se pela vítima iniciava conversa com um dos seus contatos e durante o bate-papo informava sua futura vítima que estava realizando um trabalho sobre 'memórias' e começa uma série de questões que se enquadravam nas perguntas e respostas secretas", explicou um investigador da Gecat.
 

Na investigação, a Polícia Civil de Mato Grosso identificou que o suspeito usava os e-mailsmarceloskullman@hotmail.com, timorense@live e a identidade no Skype marcelo38860, para se comunicar com as vítimas, da qual ele se identificava por dois nomes, Marcelo e Maya Frederico.


 Durante rastreamento do IP (Protocolo de Internet) usado pelo suspeito para invadir contas e se comunicar com as vítimas, a Gecat descobriu que o endereço do IP era nos arredores de Londres, na Inglaterra, sempre havendo uma média de 80 km a 100 km de distância no sentido oeste de Londres.


 De acordo com o delegado Anderson Veiga, várias vítimas procuram a Gerência, entre os anos de 2012 e 2013, no entanto, muitas optaram por não registrar boletim de ocorrência ou dar continuidade na investigação por medo. "Temos quatro vítimas na Gecat com registro, mas acreditamos que o número possa chegar a mais de 15 no Estado. Pedimos que essas pessoas procurem a Polícia e oficialize o registro", orienta o delegado.

 

 

Da redação

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