21/12/2011 - Médico de MT aponta que aparelho não queimou grávida durante parto

 

Procedimento foi encerrado por médicos do Hospital Geral em Cuiabá.
Jovem teve perna queimada durante cirurgia para ter o primeiro filho.
 
A sindicância aberta pelo Hospital Geral Universitário (HGU) de Cuiabá para apurar o que provocou a queimadura na perna esquerda da estudante Gilmara Divina Medeiros Santana, 24 anos, durante uma cesariana, descartou a hipótese de que o ferimento tenha sido ocasionado pela placa de bisturi utilizado no procedimento. É o que apontou o chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do HGU, médico José Meirelles Filho. Depoimentos dos profissionais envolvidos na operação foram coletados durante a sindicância.
 
De acordo com o médico, mesmo encerrada, não se chegou a uma causa final em relação ao episódio. Duas são as hipóteses que os médicos elencaram e que, segundo o entendimento da equipe, podem ter contribuído com a queimadura na paciente. O hospital adotou medidas para rever os procedimentos médicos realizados nas salas de cirurgia.
 
"Não foi a placa de bisturi. Ele fica à direita e na cabeceira da paciente e não teria como ser a placa. Foi esse o depoimento que pegamos na comissão criada. Foi afastada a hipótese", declarou o médico, em entrevista ao G1. A perna queimada foi a esquerda e a jovem só sentiu as dores quando o efeito da anestesia passou.
 
Uma das hipóteses levantadas durante a sindicância foi que o deslocamento do colchão, onde a estudante ficou durante a operação, tenha contribuído para o episódio. Conforme explicou o médico, ao mover-se na mesa, o corpo da jovem fica exposto à eletricidade conduzida pela mesa de metal.
"Você tem que ter um fio terra e usa-se o bisturi elétrico. Ao fazer isso, o metal conduz a eletricidade e onde estiver encostado entra em contato. A placa não fica quente, não é por esquentamento [a queimadura], mas quando você aciona o bisturi, onde tiver o metal, ocorre um choque", acrescentou.
 
Em relação ao uso do iodo, um produto utilizado para o parto, o médico explica que sua concentração pode provocar queimaduras. Esta foi uma das hipóteses levantadas pela equipe médica que realizou o parto.
 
"Utilizamos o iodo do joelho até a mama para tirar a gordura, fazer a assepsia e depois cobrimos a paciente. Esse líquido em contato com o metal é um condutor de eletricidade", acrescentou o responsável pelo departamento. O hospital decidiu reforçar as orientações na unidade para evitar novos casos dessa natureza, segundo o médico.
 
O caso
 
Gilmara deu entrada no Hospital Geral Universitário em 28 de setembro. A operação era para dar à luz o primeiro filho, Nicolas. Quando deixou o leito operatório, a jovem retornou ao quarto e, ao passar o efeito da anestesia, as dores começaram. A mãe da vítima, Marilúcia Medeiros Alves, acompanhava a filha e ficou surpresa com o ferida na perna de Gilmara. Em entrevista concedida, Marilúcia classificou a ocorrência como "algo não normal”.
 
CRM
 
A presidente do Conselho Regional de Medicina em Mato Grosso, Dalva Alves das Neves, disse que caso a família discorde do resultado da sindicância, pode acionar o Conselho Federal de Medicina. "As partes podem recorrer ao federal, que também pode abrir um processo. É um direito", manifestou.
Já a mãe da paciente que teve a perna queimada, Marilúcia Medeiros Alves, disse que a família não foi informada sobre a conclusão do procedimento. "A família não foi procurada", pontuou. De acordo com a genitora, a ferida na perna da filha já se curou, mas uma cicatriz no local indica a ocorrência de uma queimadura.
 
A família ingressou com uma ação por meio de um advogado e tenta na justiça obter a reparação de danos. "Ingressamos para reparação dos danos provocados", concluiu Marilúcia Medeiros.
 
Leandro J. Nascimento

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