22/03/2013 - Produtor rural diz que pistoleiros invadiram sua fazenda para cobrá-lo a mando de empresário

O produtor rural Siguardo Wutzke, 55, acusa a empresa Insumos Agrícola Impacto, do empresário Nelson Bedin, de ter contratado pistoleiros para cobrar uma dívida. Em depoimento a Polícia Civil, ele afirmou que um grupo de sete pistoleiros com caminhões selados com a logo da empresa invadiram sua fazenda, no município de Nova Ubiratã (394 Km de Cuiabá), e tentaram forçá-lo a colher e entregar parte da produção de soja.

Siguardo adquiriu soja da Impacto, empresa sediada no município de Sorriso, e alega já ter pago parte do saldo devedor. Contudo, os pistoleiros teriam exigido pagamento integral da dívida e ameaçaram o fazendeiro e alguns empregados de morte.

O fazendeira ainda afirma ter sido perseguido e ameaçado por outros dois funcionários da Impacto. Os suspeitos foram detidos pela Polícia Militar do município de Vera (457 Km de Cuiabá), onde Siguardo mora e teria sido acossado por Waldemar dos Santos, 50,e Laudelino Tito, 47, e confirmaram ter procurado Siguardo para cobrá-lo da dívida com a empresa de Nelson Bedin.

“Eles falaram que foram conversar e tentar convencer o fazendeiro a pagar a dívida”, disse o delegado Claudio Alvarez Santana, responsável pelas investigações do caso. “Eles também confirmaram ser funcionários da Impacto, mas isso precisa ser averiguado. Qualquer um pode colocar um adesivo no carro e dizer que é de tal empresa, mas isso não quer dizer que seja”, completou.

Os dois suspeitos assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência por crime de ameaça, mas caso seja comprovada a associação para cobrança das dívidas eles podem responder por formação de quadrilha e exercício ilegal das próprias razões – cobrar uma dívida de modo ilegal, como pelo uso da força. 

Laudelino Tito Cardoso de Oliveira já possui 36 passagens pela policia, a maioria por porte ou tráfico de droga. Ele também já foi vítima de uma tentativa de homicídio tramado por bandidos ligados ao Primeiro Comando da Capital, o PCC, principal facção criminosa de São Paulo, com ramificações em todo Brasil.

Nelson Bedin prestará esclarecimentos ao delegado Claudio Alvarez através de uma carta precatória. Procurado pela reportagem para falar sobre o caso, ele não estava na sede da loja e nem retornou as ligações até o momento da publicação da matéria.

 

Da Redação - Jardel P. Arruda