22/03/2016 - Maggi faz apelo para Senado aprovar venda da polêmica “pílula do câncer” nesta semana

22/03/2016 - Maggi faz apelo para Senado aprovar venda da polêmica “pílula do câncer” nesta semana

O senador Blairo Maggi (PR) fez um apelo público, nesta segunda-feira (21), através de sua página do Facebook, para o pleno do Senado aprovar o uso da fosfoetanolamina, substância que ficou conhecida como “pílula do câncer” e tem sido procurada como tratamento alternativo, apesar da precariedade de estudos e dos existentes apontarem a ineficácia do composto.

No apelo, Blairo conta que uma filha, Ticiane Maggi, foi diagnosticada com câncer quando tinha 16 anos e, além de utilizar dos métodos convencionais, a família buscou por todos os outros alternativos. Então, devido à demora para se fazer todos os estudos necessários para descobrir se a “pílula do câncer” é realmente eficaz, o senador quer a aprovação do uso da substância, mesmo sem todas as etapas serem concluídas.

“Bom dia, meus amigos! Minha filha Ticiane teve um câncer aos 16 anos. Buscamos os recursos que podíamos da medicina, mas também fui atrás de tudo o que indicavam: remédios caseiros, ervas, padre, bispo, curandeiro. Afirmo que tudo ajudou. Hoje ela é uma mulher feita e tem dois filhos. Vencemos, graças a Deus! E eu jamais abriria mão de um mínimo de possibilidade que pudesse salvar minha filha. E sei que é assim com todos os pais e mães. Quando alguém que amamos fica doente, a gente muitas vezes quer se colocar no lugar do outro. Eu daria minha vida pelos meus filhos e pelos meus netos. Imagina se eu não correria o risco de tentar usar uma substância que os resultados são bons! Concordo que os estudos e registro da ‪#‎Fosfoetanolamina devem ser feitos, mas é tudo muito demorado, e já sabemos que ‪#‎QuemTemCâncerTemPressa. Meu apelo é que nós, senadores possamos aprovar o uso da Fosfo no plenário nesta semana. Não vamos tirar o único fio de esperança de tanta gente que apenas luta para viver!”

Contudo, os cinco primeiros relatórios de pesquisas realizadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apontam que a fosfoetanolamina, principal componente da “pílula do câncer”, não age contra o tumor, nem destrói as células cancerosas. Os testes foram feitos em dois tipos de células tumorais, através de três métodos diferentes. Os resultados mostram que a pílula não surte efeito mesmo em doses milhares de vezes acima das usadas clinicamente.

Dentro dos compostos da pílula, apenas a monoetanolamina apresentou resultados de destruição das células cancerosas de carcinomas de pâncreas, mas com eficácia menor que a quimioterapia. Além disso, outros estudos apontam para a toxidade da monoetanolamina quando ingerida em larga escala.

Os testes com a pílula devem levar mais três anos e consumirem cerca de R$ 10 milhões. Mesmo com as previsões pessimistas dos estudos, pacientes com câncer e familiares fazem forte campanha para a liberação da substância. Várias cidades brasileiras registraram passeatas que chamaram a atenção do poder público.

Muitos advogados fazem propaganda com os sucessos obtidos na justiça para conseguir a medicação. Até o final de 2015, foram movidos 13 mil processos contra a USP, instituição que produz a medicação, por pacientes que exigem o fornecimento da substância.

A Reitoria da USP divulgou uma carta aberta, em outubro de 2015, na qual explica que a pílula não é remédio e atribui a fama obtida pela substância a “exploradores oportunistas”.

“A USP não desenvolveu estudos sobre a ação do produto nos seres vivos, muito menos estudos clínicos controlados em humanos.” (...) “Não há registro e autorização de uso dessa substância pela Anvisa e, portanto, ela não pode ser classificada como medicamento, tanto que não tem bula” (...) “É compreensível a angústia de pacientes e familiares acometidos de doença grave. Nessas situações, não é incomum o recurso a fórmulas mágicas, poções milagrosas ou abordagens inertes. Não raro essas condutas podem ser deletérias, levando o interessado a abandonar tratamentos que, de fato, podem ser efetivos ou trazer algum alívio. Nessas condições, pacientes e seus familiares aflitos se convertem em alvo fácil de exploradores oportunistas.”

 

 

 

Da Redação - Jardel P. Arruda

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