22/05/2013 - Se importar médico resolve, vamos importar políticos também, ironiza doutor da família

Médico de dedicação exclusiva do Programa da Saúde da Família (PSF), o doutor Werley Peres afirma que o Brasil não tem a necessidade de “importar” profissionais para atuar longe dos grandes centros, em especial na atenção básica. Para ele, a importação não passa de uma medida paliativa sem um resultado final “real”, sendo que o importante é dar condições de trabalho nesses lugares.

A declaração do médico que atua em Cuiabá é motivada pela decisão do Governo Federal ter decidido “importar” seis mil médicos de Cuba para levá-los ao interior do país, aonde a falta desse profissional faz piorar o caos na saúde. Contudo, Peres acredita que essa é uma solução paliativa que apenas mascada o problema de verdade.

“Se importar médico resolve, vamos importar políticos também”, ironizou. “Aonde se concentram os médicos? Nos grandes centros. Por que? Não, não é por causa dos salários. Eles até recebem menos do que no interior. É por causa das condições de trabalho”.

De acordo com ele, longe dos grandes centros os médicos não possuem como dar seguimento a tratamentos ou ações diversas pela falta de equipamentos, medicamentos e outros itens de primeira necessidade. Pela falta desses itens, muitos profissionais se vêm de mãos atadas e, às vezes, acabam fazendo algo “pela metade”, podendo até serem processados por negligência médica.

Para Peres, até mesmo dentro da cidade de São Paulo é possível notar a diferença da qualidade da saúde em um bairro onde existem mais equipamentos disponíveis aos médicos para outros, com uma estrutura precária. Além disso, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa brasileira de médicos – dois para cada 100 mil habitantes – atendes os índices recomendados.

“Condições de trabalho é ar-condicionado no consultório? Não. Condições de trabalho é equipamento, material e pessoal”, ratificou. “As vezes uma cidade não tem um aparelho de mamografia. E aí, como você vai descobrir um câncer de mama? Quando você descobre um nódulo apalpando é porque a doença já está avançada”, afirmou.

 

Da Redação - Jardel P. Arruda

Comentários

Data: 23/05/2013

De: cidadã

Assunto: importar médicos

O doutor Werley Peres tem toda razão. Podem importar o quanto quiserem que o problema não vai ser resolvido se não derem condições de trabalho. Afinal, nossos médicos se graduaram em medicina e até onde se sabe, em nenhum lugar do mundo, inclusive Cuba, ainda não existem faculdades de milagres. Quanto aos altos salários que se paga no interior, é perfeitamente compreensível. O investimento que é feito no curso de medicina é muito alto. Além das mensalidades, que não são baratas, gasta-se com livros caríssimos, sem falar que o curso, incluindo a residência, dura 8 anos. Pra depois de tudo vir pro interior fazer milagres em hospitais que, como o nosso, as vezes não tem sequer material de limpeza (que dirá equipamentos e medicamentos), e ficar disputando espaço com baratas, ratos, e etc. Os profissionais de saúde, assim como os da educação, merecem todo o nosso apoio. Seria ótimo se os representantes políticos do interior, ao invés de ficarem contentinhos com essa "camuflagem", lutassem para oferecer melhores condições de trabalho aos profissionais. Aposto que não faltariam médicos.

Data: 22/05/2013

De: OLHO VIVO

Assunto: MÉDICO DE FORA

Sou a favor de que se traga médicos de fora, pois os daqui querem ganhar rios de dinheiro. Nenhum médico quer trabalhar por menos de R$ 25.000,00 no interior, porém, a cidade tem que ter pelo menos dois contratos desse porte. Cidades de Barra do Garças, Água Boa, a média dos salários os médicos não passa de 8.000,00, agora para vir para o baixo Araguaia querem fortuna...
Tem que trazer médicos de fora mesmo, os daqui que fiquem nas cidades grandes.

Data: 22/05/2013

De: usuario do sus

Assunto: saude p´´ublica

A saúde pública a nivél de brasil está uma vergonha nacional, Mato grosso não fica atrás , se na capital está um descaso, imagina no interior do estado que é esquicido pelos nossos governantes

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