22/09/2015 - Cursi nega propina e diz que fez visita "humanitária” a delator

22/09/2015 - Cursi nega propina e diz que fez visita "humanitária” a delator

Em depoimento à Delegacia Fazendária, logo após ser preso pela Polícia Civil, no último dia 15, o ex-secretário de Estado de Fazenda, Marcel de Cursi, negou que tenha procurado o empresário João Batista Rosa no intuito de “intimidá-lo” a pagar propina.

Rosa, presidente afastado da CDL Cuiabá (Câmara de Dirigentes Logistas) é delator do suposto esquema de cobrança de propinas em troca de benefício de incentivos fiscais em Mato Grosso, investigado pela Operação Sodoma.

Cursi, que está preso em cela especial no Centro de Custódia da Capital, confirmou que se reuniu com o empresário, no final de agosto.

Segundo ele, foi uma “visita humanitária”, já que Rosa estava enfrentando problemas de depressão, e não uma reunião para tratar de negócios ilícitos envolvendo a suposta fraude na concessão de benefícios fiscais.

Apontado como o “mentor intelectual” do esquema que teria lucrado mais de R$ 2,5 milhões, o ex-secretário afirmou que a visita ocorreu a pedido do delator, que, em tese, buscava uma orientação para sua defesa na CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal, da Assembleia Legislativa.

Cursi relatou no depoimento que, durante um mês, resistiu em tratar do assunto com João Rosa, porque não tinha interesse. "Foi quando encontrou por acaso o Sr. João Rosa, na Fecomércio, e o Sr. João deixou com a secretária da Fecomércio um envelope contendo uma defesa elaborada pelo advogado dele, e que era para o interrogado dar uma olhada e emitir uma opinião, mas que protelou em pegar esse envelope para ver essa minuta, e que só resolveu pegar esse envelope em virtude de que Rosa estava passando por problema de depressão e considerava como ele amigo. E, em virtude disso, resolveu pegar esse envelope para ver essa minuta, quando então resolveu fazer uma visita humanitária numa quinta-feira”, diz trecho do depoimento.

Repasse de dinheiro

Na delação, João Batista Rosa contou que o ex-secretário de Estado de Indústria, Comercio e Energia, Pedro Nadaf (também preso), lhe exigiu R$ 30 mil para a defesa na CPI e outros R$ 15 mil para Marcel de Cursi, que estaria passando por passaria por dificuldades financeiras, em razão de estar com as contas bloqueadas na ação que apura concessões fiscais indevidas à JBS Friboi.

Na gravação da reunião entre o delator e Marcel de Cursi, consta que o ex-secretário confessou ter recebido dinheiro de Nadaf - R$ 5 mil, e não os R$ 15 mil que o empresário alega ter repassado.

No entanto, em seu depoimento, Marcel de Cursi admitiu que disse ao delator ter recebidos os R$ 5 mil, mas que na verdade teria mentido sobre isso “para não criar polêmica”.

“E nessa reunião o Sr. João Batista Rosa lhe perguntou se Pedro Jamil Nadaf havia lhe passado o dinheiro, foi quando o interrogado diz que perguntou a esse quanto havia passado a Pedro, e o Sr. João respondeu quinze mil, e o interrogado diz que para não criar uma polêmica entre o Sr. João e o Pedro sobre o valor e até mesmo para não criar uma situação pior entre essas duas pessoas, disse falsamente que havia pego R$ 5 mil, mas que não pegou esse dinheiro com Pedro Jamil Nadaf, e nem mesmo pediu algum dinheiro ao Sr. João para emitir opinião sobre a defesa, e que salienta ainda que não pegou nenhum dinheiro em discussão, conforme pode ser visto no áudio, adotando esse comportamento para evitar constrangimento entre duas pessoas que considerava como amigo (Pedro e o Sr. João)”, disse o ex-secretário.

Marcel de Cursi também disse que não se lembrava de ter mandado uma mensagem no aplicativo WhatsApp ao delator, com o link de matéria do MidiaNews intitulada “Secretário afirma que incentivo em MT é caso de polícia” – considerada pela Polícia uma tentativa de intimidação para receber mais dinheiro do empresário.

Benefícios concedidos

Ainda no depoimento, o ex-secretário garantiu que não exigiu propina ou participou de qualquer irregularidade para enquadrar as empresas de João Rosa no Prodeic.

Ele argumentou que este tipo de benefício fiscal era pedido, avaliado e concedido pela Secretaria de Indústria e Comércio, da qual ele não tinha qualquer vínculo.

O único momento em que ele teria tratado de assuntos relativos a benefícios fiscais como delator, segundo Marcel de Cursi, foi quando recebeu João Rosa – na condição de representante da Federação da Câmara dos Dirigentes Logjstas - na Secretaria de Estado de Fazenda.

“Que as reuniões versavam sobre carga tributária, que era a maior do Brasil, apreensões de fronteiras e morosidade de processos, entre outros; que o interrogado quer esclarecer que, com relação ao assunto concessão de Prodeic, nunca tratou com Pedro Jamil Nadaf e com Sr. João Batista Rosa, até porque esse assunto teria que ser tratado na SICME (Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia)”, disse ele.

 

 

Lucas Rodrigues 

Da Redação

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