22/11/2014 - Pioneiro e desbravador do Xingu se tornou coletor de sementes e defensor do meio ambiente

Esta história é do produtor rural Ivan Loch, 52 anos, um dos primeiros coletores de sementes da região Xingu/Araguaia. Mas Ivan não protege a natureza hoje apenas para compensar o passado; ele compreende que essa é uma responsabilidade social de todos.

Ivan explicou que há quase 10 anos, em 2005, começou a coletar sementes: “Na época ninguém imaginava que a coleta iria gerar renda porque ninguém comprava sementes”. Nos primeiros anos da Campanha Y Ikatu Xingu, Loch participou do primeiro curso de agentes socioambientais.

No começo, Ivan contou que tirava até 60 mil reais por temporada, que compreende meio ano de trabalho. Hoje ele arrecada em torno de cinco mil reais por mês, não porque o mercado está desaquecido, mas por empreender menos tempo na atividade. “Se trabalhar firme arrecada até 10 mil reais por mês”, disse. Segundo ele, em 5 dias é possível colher 100 kg de sementes de aroeira, que é comercializado pela Rede de Sementes do Xingu por a 80 reais o kg.

Ivan chegou a Canarana em 1975, no início da colonização da região. Na época eles tinham que desmatar para abrir as lavouras porque o único meio de sobrevivência na região era a agropecuária. Financiamentos bancários eram liberados apenas para essa atividade. Portanto, desmatar era uma necessidade e os primeiros colonizadores não tinham consciência de que era preciso preservar a natureza.

Ivan também foi pioneiro e desbravador na região do Xingu, mas apesar disso, sempre esteve envolvido com a natureza, o que já foi moldando os seus pensamentos. De 1978 a 1983 trabalhou com a espécie florestal seringueira na antiga Coopercana. Na década de 90, começou como técnico do Viveiro Municipal, atividade que desempenha até hoje. Além disso possui uma chácara de 75 hectares há 9 km da cidade de Canarana, onde cria porco, peixe, galinha, produz leite e cultiva frutas.

Por possuir outras atividades, Ivan e sua família trabalham com coleta e beneficiamento de sementes nas horas vagas, fora do horário comercial e aos finais de semana. “A coleta de sementes é a atividade que eu menos emprego tempo e a que mais me dá renda”, falou. A coleta feita por Ivan abrange uma área florestal que possui um raio de 100 km.

Ivan já tinha propriedade, emprego e uma boa renda. A coleta de sementes veio para agregar valor nas atividades diárias. Mas mais do que dinheiro, Ivan contou que ganhou conhecimento e hoje entende que é preciso cuidar da natureza: “O conhecimento mudou quando me tornei coletor de sementes. Agora estou tentando fazer minha parte, não somente para compensar o que fiz no passado, mas fazendo por mim e pelos outros, porque todos dependem do meio ambiente”, disse Loch, confessando que no passado ele não tinha essa consciência e muito menos esse tipo de atitude.

Hoje a Associação Rede de Sementes do Xingu possui mais de 350 coletores espalhados pela região Xingu/Araguaia, e neste ano tem pedidos para entregar mais de 26 toneladas de sementes florestais. Com a regulamentação do Novo Código Florestal os pedidos voltaram a crescer neste ano, mesmo que timidamente, vindos de diferentes demandas.

 

 

Rafael