23/01/2011 14:20 Assaltos Bancos em MT: Dividendos para o PCC

Facção criminosa recebeu parte dos R$ 2 mi amealhados pela quadrilha nos 3 roubos a bancos no interior de MT
 

LORIVAL FERNANDES/DC
Armas apreendidas. Bando alugou fuzil e metralhadora do PCC, mas que não foram encontrados

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) ficou com parte dos R$ 2 milhões roubados em três assaltos a bancos ocorridos no ano passado em Mato Grosso. A Polícia Civil estima que o PCC tenha recebido cerca de R$ 1 milhão como parte do pagamento do aluguel de armas pesadas usados pela quadrilha – fuzis e metralhadoras – além de apoio logístico nas três ações criminosas.

Na quinta-feira, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) prendeu 10 dos 12 integrantes da quadrilha que assaltou três agências do Banco do Brasil em 2010 – Aripuanã, Nova Mutum e Campo Novo do Parecis. Nos três assaltos, os bandidos agiram com extrema violência. “É claro que a organização criminosa ficou com parte do dinheiro porque ajudou a quadrilha nos assaltos. A quantidade exata não foi possível precisar”, observou o diretor em exercício da Gerência de Atividades Especiais (GAE) da Polícia Civil, delegado Milton Teixeira.

De acordo com as investigações, a quadrilha teve vários contatos telefônicos com dois chefões do PCC (facção criminosa liderada a partir de presídios de São Paulo) – um deles identificado como Jackson, que está preso na Penitenciária Central do Estado (antigo Pascoal Ramos). “Ele (Jackson) teve vários contatos com o Bruxa (Sílvio César de Araújo, apontado como o chefe da quadrilha), combinando assaltos. E falavam que não iam desistir, no caso do Jackson, e mesmo preso, planejavam outros”, informou o delegado Luciano Inácio da Silva, titular da GCCO...

Outro integrante do PCC, identificado como “Flavinho”, preso num presídio de segurança máxima em outro estado, também teve vários contatos telefônicos com Sílvio Cesar. As interceptações foram autorizadas pela Justiça. O delegado não revelou o conteúdo das conversas, mas, em princípio, seria para planejar novos assaltos e também o valor que o PCC iria receber pelo aluguel do armamento e pelo apoio logístico. “Quem tem armamento, tem poder, dá as ordens”.

As armas do PCC – fuzis e metralhadores –, no entanto, não foram localizadas pelos policiais. Foram apreendidas três pistolas de diversos calibres, uma submetralhadora e uma carabina. Esse arsenal estava com os 10 presos e seria para “segurança própria”, uma vez que estavam estabelecidos em suas casas em Cuiabá e Várzea Grande, onde passaram a residir há alguns anos.

Com o bando, os policiais apreenderam oito veículos – sendo uma picape, uma motocicleta e seis automóveis -, utilizados para se locomover na Capital. No entendimento dos policiais, os veículos foram comprados com o dinheiro dos assaltos.

Além de Sílvio Cesar, foram presos Sérgio Nunes da Silva, 26 anos, o “Lacraia”, Sinval Machado Xavier, 29 anos, o “Sinval”, Divino, Marino de Araujo, 68 (pai do Silvio César), Paulo Alves de Souza, 44, “Tiozinho”, Marcos Antonio de Assis Machado, 27, “Marcão, Fernando Cícero de Oliveira Mendes, 24, o “Fernando Bombado”, José Hamilton da Silva, 24 anos, o “Ceará” (também atende por Severino Rodrigues da Silva), Jefferson Ferreira de Arruda, 25 anos, o “Ereca”, e Clóvis da Silva Veiga, 26, o “Branquinho”.

Quatro integrantes do bando nasceram em Mato Grosso e os demais, no Distrito Federal, Goiás, Ceará, Rondônia e Minas Gerais. Todos, no entanto, fixaram residência no Estado e, conforme a polícia, pretendiam fazer novos assaltos a banco.

Escrito por ADILSON ROSA / Diário