23/02/2011 08h:25 Médicos ameaçam greve contra 'privatização' e Henry

Cerca de 350 médicos de todo o Estado ameaçam paralisar as atividades em protesto contra algumas medidas já anunciadas pelo secretário de Saúde, Pedro Henry, como a "privatização" da gestão dos cinco hospitais regionais de Mato Grosso, por meio da contratação de Organizações Sociais (OSs) e/ou Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip's).
Para o presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed), Edinaldo Lemos, o modelo defendido por Henry "favorece o desvio de dinheiro público" e relembra do Instituto Creatio, acusado pela Polícia Federal de cometer fraudes e desvios de verbas públicas. O Creatio receberia em torno de 70% em cima do valor do salário do médicos, o que é considerado um 'absurdo' pelo sindicalista.
"Não se pode privatizar a atividade fim da saúde, que é o atendimento. O novo secretário está convicto de que se o serviço for executado por Organizações Sociais será mais ágil e que o sistema iria melhorar, mas entendemos que um sistema que  tira os direitos trabalhistas dos servidores não é bom", argumentou o representante da categoria, em entrevista ao Olhar Direto, ao reclamar do descaso para com o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).

O PCCS dos médicos está "travado" nas mãos do procurador-geral do Estado, Dorgival Veras, e sem previsão para ser aprovado, o que tem gerado revolta. Lemos explica que, apesar de, no ano passado, a discussão sobre a implantação do benefício ter avançado, neste ano o Plano foi "engavetado". A reabertura do debate sobre o assunto está entre as principais reivindicações do Sindimed.
Se o projeto de privatização de Henry for concretizado, o presidente do sindicato avalia que será um retrocesso, fazendo valer o modelo de gestão trabalhista da "Era Getúlio Vargas", de 1945. Regra esta mudada com a aprovação da Constituição Federal de 1988, em que está prevista a contratação por meio de concurso público.
Lemos informou já ter encaminhado dois ofícios ao secretário de Saúde e solicitou audiência com ele e com o governador Silval Barbosa (PMDB), que, na opinião do líder sindical, demonstra estar um tanto "alheio" ao que vem ocorrendo na pasta. "Existem vários equívocos nos encaminhamentos e achamos até que o governador não esteja sabendo do que está acontecendo".
Silval e Henry tem até segunda-feira (1) para atender as reivindicações e solucionar o impasse. Caso contrário, a categoria vai entrar em greve por tempo indeterminado

 

Da Redação - Pollyana Araújo