23/04/2015 - Juíza dispensa Silval; testemunhas detalham desvios na Assembleia

A juíza da 7ª Vara Crminal de Cuiabá, Selma Rosane de Arruda Santos, resolveu na tarde de hoje dispensar o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) da condição de testemunha de defesa do ex-presidente da Assembleia Legisolativa de Mato Grosso, José Riva (PSD). A magistrada atendeu um pedido de reconsideração feito pelos advogados de Riva, Valber Melo e Rodrigo Mudrovischti.

 

Inicialmente, Silval iria depor nesta quinta-feira ao lado de outras testemunhas. No entanto, ele será substituído pelo ex-secretário geral do Legislativo, Luiz Márcio Pommot. Na tarde desta quarta-feira, tiveram início os depoimentos das testemunhas de acusação.

 

O primeiro a depor foi o empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o "Júnior Mendonça", que é o delator da Operação Ararath. Ele confirmou ter feito empréstimos de cerca de R$ 10 milhões para o ex-deputado estadual que está preso desde o dia 21 de fefevereiro durante a "Operação Imperador" acusado de liderar um esquema que teria desviado R$ 62 milhões dos cofres públicos do Legislativo através da compra simulada de materiais de expediente.

 

"Júnior Mendonça" contou que tem cerca de R$ 6 milhões para receber de Riva e que só não executa as notas promissórias por terem sido apreendidas pela Polícia Federal. Ele também confirmou ter emprestado R$ 90 mil para o deputado estadual Mauro Savi (PR), que foi pago por Riva, e outros R$ 2 milhões para o ex-deputado estadual e conselheiro Sérgio Ricardo, que quitou o débito.

 

A segunda testemunha de acusação a depor foi Tatiana Guedes, ex-esposa do empresário Elias Nassarden Júnior, um dos denunciados na "Operação Imperador". Ela relatou a mudança no padrão de vida do ex-marido após os negócios com a Assembleia Legislativa que foram intermediados pelo ex-secretário geral Edemar Adams, falecido em 2010.

 

Já Áurea Maria de Alvarenga Nassarden, ex-esposa de Jean Carlo Nassarden, assumiu que chegou a ser sócia de uma das empresas envolvidas no esquema. Ela revelou que o ex-marido não soube guardar o dinheiro ganho e é hoje motorista de ônibus na cidade de Sonora, em Mato Grosso do Sul.

 

O último depoimento desta quarta-feira foi da analista contábil do Ministério Público Estadual, Edna Aparecida de Matos. Ela revelou que a compra de um alto número de tonners e de envelopes levantou suspeitas de fraudes. “Nuna vi um órgão público utilizar 78 milhões de envelopes em menos de um ano”, disse a técnica do MPE.

 

Edna contou ainda que as empresas que forneceram a Assembleia Legislativa não registraram a entrada de produtos na Assembleia Legislativa, o que evidencia que não houve fornecimento de produtos. “O registro de entrada de produtos nestas empresas estava zerado”, colocou.

 

Durante o depoimento da servidora, o advogado Rodrigo Mudrovitsch e o promotor Marco Aurélio Castro tiveram um bate-boca. A discussão começou quando o jurista indagou a servidora se ela teve acesso ao almoxarifado da Assembleia. “Essa pergunta foi ridícula”, disse o promotor.

 

 

 
Da Redação

 

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