23/05/2011 - 09h:10 Novo mapa do Brasil poderá ter 33 estados como “novos”

 O assunto é recorrente, bem antigo, diga-se de passagem. Caminha lentamente, mas caminha. A nova divisão de Mato Grosso voltou a ser tema depois que a Câmara dos Deputados aprovou a realização de um plebiscito para a população do Pará decidir se concorda com a criação de dois novos Estados: o do Carajás e o do Tapajós. A mudança no mapa do Brasil não para por aí. O Congresso tem propostas para criar 11 unidades da federação, entre Estados e territórios. E, se forem aprovadas, o país passará de 26 para 33 Estados e criará quatro territórios.

Os projetos para a divisão de Mato Grosso são antigos. Vêem junto com o que divisão o Estado em 1977 entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Há pelo menos três propostas, mas o que mais ganha força, até pelo aspecto geográfico, é a proposta que cria Mato Grosso do Norte e o Estado do Araguaia. Uma outra proposta prevê a criação no Araguaia de um Território Federal.

A tese da divisão tem forte viés emocional. Há anos que o Norte do Estado se desenvolve pelas correntes migratórias do Sul e Sudeste do Brasil, principalmente de colonos vindos do Norte do Paraná e do Rio Grande do Sul. Formam outra cultura e se queixaram – e vez por outra se queixam – do abandono político. Reclamam que produzem muito e recebem pouco em benefícios. Chegam a dizer que são fomentadores da região política da Capital, cuja economia está baseada no terceiro setor.

Pelo projeto, o Mato Grosso do Norte ficaria com as cidades de Alta Floresta, Apiacás, Aripuanã, Boa Esperança do Norte, Brasnorte, Carlinda, Castanheira, Cláudia, Colíder, Colniza, Cotriguaçú, Feliz Natal, Guarantã do Norte, Ipiranga do Norte, Itanhangá, Itaúba, Juara, Juína, Juruena, Lucas do Rio Verde, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Nova Canaã do Norte, Nova Guarita, Nova Maringá, Nova Monte Verde, Nova Mutum, Nova Santa Helena, Nova Ubiratã, Novo Horizonte do Norte, Novo Mundo, Paranaíta, Peixoto de Azevedo, Porto dos Gaúchos, Rondolândia, São José do Rio Claro, Santa Carmen, Santa Rita do Trivelato, Sinop, Sorriso, Tabaporã, Tapurah, Terra Nova do Norte, União do Sul e Vera, pertenceriam a Mato Grosso do Norte.

A região do Araguaia há dezenas de anos, por sua vez, está divorciada polticamente da Capital. A região é inteiramente influenciada pelo Estado de Goiás, cuja capital, Goiânia, está mais próximo que Cuiabá. Por lá, para se ter uma vaga idéia, até o horário é regido pelo fuso-horário de Brasília – embora oficialmente sejam obrigados a seguir o de Mato Grosso.

Água Boa, Alto Boa Vista, Araguaiana, Barra do Garças, Bom Jesus do Araguaia, Campinápolis, Canarana, Cana Brava do Norte, Cocalinho, Confresa, Gaúcha do Norte, General Carneiro, Luciara, Nova Nazaré, Nova Xavantina, Novo Santo Antônio, Novo São Joaquim, Paranatinga, Pontal do Araguaia, Porto Alegre do Norte, Querência, Ribeirão Cascalheira, Santa Cruz do Xingu, Santa Terezinha, Santo Antônio do Leste, São Félix do Araguaia, São José do Xingu, Serra Nova Dourada, Torixoréu e Vila Rica, passariam a pertencer ao Estado do Araguaia.

O restante dos municípios, como a capital Cuiabá e os municípios que integram o chamado “Vale do Cuiabá”, a região Sul do Estado, liderada pela terceira maior cidade, Rondonópolis,  e o médio norte e Oeste seguiriam em  Mato Grosso.

No mapa desejado nos projetos em tramitação no Congresso Nacional, a região Norte sofreria a maior mudança em sua geografia porque, além do desmembramento do Pará, abrigaria os quatro territórios: Rio Negro, Solimões, Juruá e Oiapoque. No Nordeste, são três ideias: o Estado do Maranhão do Sul, o da Gurgueia (desmembramento do Piauí) e o do Rio São Francisco (separação de parte da Bahia).

Ao  analisar a questão, o geógrafo Gilberto Rocha explica que os movimentos de criação de novos Estados estão ligados a grupos emergentes, que reivindicam o controle desses territórios. “No Pará, há mobilização de poderes locais que emergiram nos últimos 30 anos. São populações que emigraram do Brasil inteiro” – frisou, em entrevista publicada pelo portal R7, da Rede Record.  Ele ressalta que não é possível dizer que os movimentos sejam apenas da elite e que não haja interesse da população e o desejo de autodeterminação.

O deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), um dos principais articuladores para criação do Estado do Carajás, afirma que há mais de 20 anos, a região “sonha com o desenvolvimento”. Segundo ele, apesar dos investimentos do setor privado ali, o Estado é ausente. “Não há bom governador que dê conta de um Estado desse tamanho. [...] O Pará não tem capacidade de gestão daquela região. Há a ausência absoluta de Estado”  - diz.

 


Fonte:24 Horas News

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário