23/06/2015 - Famílias afirmam ser ameaçadas de morte em disputas de terra em MT

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, só no ano passado cinco pessoas morreram em disputa por terras em Mato Grosso. Levantamento da entidade mostra pontos de tensão no estado, sendo que a maior preocupação é com o Norte e o Nordeste, como nas cidades de Santa Terezinha e Nova Guarita, respectivamente a 1.329 km e 667 km de Cuiabá. Mas há disputas em outros pontos, como Nossa Senhora do Livramento, a apenas 42 km da capital. Uma delas envolve um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

Imagens registradas em Santa Terezinha, por exemplo, mostram uma discussão entre um  assentado e um policial militar do Pará, que é suspeito de tentar forçar famílias a saírem da região. No município de Nova Guarita, famílias dizem que são ameaçadas por um fazendeiro que afirma ser o dono da área.

"Meu moleque mesmo ficou um mês sem ir à escola, porque quando ele via o carro do homem passando na estrada, ela já corria e falava 'mãe, esconde que já vem o fazendeiro, lá'", contou uma das mulheres que disse estar sofrendo ameaças. Ela pediu para não ser identificada.

Livramento

Em Nossa Senhora do Livramento, uma briga entre dois fazendeiros se arrasta há três anos. O médico Alonso Alves Filho diz que é perseguido por não ter vendido a área da família. O vizinho dele é o fazendeiro Antônio Joaquim, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). "Eu não me sinto pressionado só pela compra, pelo dinheiro. E estou com ameaça de morte, ele está me ligando, me pressionando. Não está deixando eu trabalhar, dando intraquilidade", declarou.

Parte das fazendas de Antônio Joaquim e de Alonso fica dentro da área de preservação permanente da Serra das Araras. Para ter acesso à sede da fazenda, o conselheiro conseguiu na Justiça o direito de utilizar a estrada que passa pelas terras do vizinho. Alonso acusa Antônio Joaquim de usar o cargo público para favorecimento e ainda cometer crimes ambientais.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) disse que já fez vistorias na área e chegou a notificar Antônio Joaquim a pagar multa de R$ 19 mil por danos ambientais. O conselheiro recorreu. “Foi feita consultoria, análise da base banco de dados da Sema e já está agendada uma vistoria para nessa situação”, disse Fagner Nascimento, superintendente de fiscalização da pasta.

Essa disputa já resultou em mais de 20 processos. A denúncia de tráfico de influência foi parar ainda na Procuradoria Geral da República, que arquivou o caso. O conselheiro Antônio Joaquim não quis gravar entrevista. Em nota enviada por e-mail ele diz que também registrou um boletim por ameaças, que é inocente das acusações e que não tem mais interesse nas terras.

 

 

Do G1 MT

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