23/08/2011 - 08h:00 Discussão sobre a criação do Estado do Araguaia volta às manchetes da imprensa

CANARANA - Uma reportagem do mês de julho de 2011 da Revista MT Aqui, do jornalista Eduardo Gomes de Andrade, traz a discussão sobre a criação do Estado do Araguaia. O projeto de decreto legislativo para criação do novo estado é de autoria do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB/RR). A reportagem traz a opinião de diferentes lideranças e políticos do Mato Grosso sobre o assunto. Não existe unanimidade.

Para se ter uma idéia, o Jornal O Pioneiro buscou na enciclopédia virtual Wikipédia, o PIB dos estados mais pobres do Brasil hoje. Apresentamos ao eleitor duas contas. Uma apresentando os dados oferecidos pela Revista MT Aqui, e outra com dados oferecidos pelo site Wikipédia, mas que não mudam a posição no ranking...

OS NÚMEROS DO NOVO ESTADO

Vamos lá. A revista indica que o Araguaia abocanharia 10,99% do PIB do Mato Grosso. A MT Aqui diz que o Mato Grosso tem um PIB de 42 bilhões de reais. Nesta conta o Araguaia nasceria com um PIB pouco superior a de 4,2 bilhões de reais. Já utilizando os dados do Wikipédia de que o PIB do MT é de 53 bilhões e a informação da revista de que o Araguaia teria 10,99% desse valor, o novo estado nasceria com PIB de pouco mais de 5,2 bilhões de reais.

Em qualquer uma das contas, o novo Estado do Araguaia ficaria a frente apenas de Roraima, que tem um PIB de R$ 4,169 bilhões (27ª colocação entre as federações), e atrás do Acre, com PIB de R$ 5.761 bilhões (26ª colocação). Com relação à renda per capita do Araguaia (PIB dividido pelo número de habitantes), ela seria entre 13 e 16 mil, tomando como base as duas informações dos dados do PIB (Revista e Wikipédia). Seria em qualquer uma das hipóteses, menor do que a renda per capita do Mato Grosso (R$ 17,927 mil - 7º colocação), e maior do que o Piauí (R$ 4,213 mil - 27º posição). Vale ressaltar que os cálculos sobre os números da economia do Araguaia trazem apenas dados aproximados, mas já conseguem demonstrar a situação.

Em questões de PIB, Barra do Garças seria o município mais rico, com um PIB de R$ 829,028 milhões. Canarana seria o terceiro município mais rico, com PIB de R$ 365,663 milhões, atrás também de Querência, que possui um PIB de 415 milhões de reais. Água Boa seria o quarto município mais rico, com PIB de 352 milhões de reais.

 

POPULAÇÃO E ÁREA

O novo estado abocanharia pouco mais de 1/10 da população do Mato Grosso (10,44% ou 316 mil). Ao todo seriam 30 municípios dos 141 atualmente do Mato Grosso, de Torixoréu a Vila Rica, de Sul a Norte, e de Paranatinga a Cocalinho de Oeste a Leste. O Araguaia tiraria ¼ da área do Mato Grosso, mais exatamente 25,17% do seu atual território.

O município mais populoso do futuro Estado do Araguaia é Barra do Garças, com 56.560 mil habitantes, e o menor é Serra Nova Dourada com 1.365 mil habitantes. Canarana, com 18.754 mil habitantes, seria o 7º mais populoso.  O Estado do Araguaia seria o menos populoso do Brasil. Com 316 mil habitantes, ficaria atrás de Roraima, atualmente o menos populoso entre as 27 federações, com 451.227 mil habitantes.

ONDE SERIA A CAPITAL?

A reportagem da Revista MT Aqui apresenta o município de Barra do Garças como candidato mais forte a ser a capital, por ser a maior cidade e possuir o maior PIB. Acontece que Barra do Garças ficaria no extremo Sul do novo estado, distante dos municípios do Norte Araguaia. Pela questão geográfica, as cidades de Canarana e Água Boa estariam mais bem localizadas e com uma topografia que atenda o provável crescimento da cidade.

Numa provável criação do novo estado, precisaria primeiro ser aprovada a realização do Plebiscito, como ocorreu no Pará para a criação dos estados de Tapajós e Carajás. O projeto de Mozarildo Cavalcanti sobre o Araguaia tramita atualmente em regime de prioridade na Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania da Câmara, pedindo a realização de plebiscito para que a população decida se quer ou não a divisão territorial.

MELHOR SERIA TERRITÓRIO FEDERAL

O Jornal O Pioneiro pesquisou e encontrou a seguinte informação: A manutenção de um Estado, que considera despesas como o pagamento de servidores públicos e verbas para deputados estaduais e governador, custa em média R$ 995 milhões por ano. “É quase um bilhão que, em vez de ir para a população, vai para gabinetes e estruturas”, afirma o pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) Rogério Boueri, que elaborou a estimativa.

A justificativa para a divisão de estados apresentada em vários projetos é que regiões isoladas ou distantes do poder central do estado recebem menos investimentos e não têm acesso adequado a infraestrutura e serviços, como boas escolas e hospitais. Boueri afirma que os territórios federais seriam menos onerosos do que os Estados porque têm uma estrutura administrativa menor, mas ficariam com todos os impostos. Amapá, Acre, Roraima e Rondônia já funcionaram assim antes em um modelo em que o gestor local era indicado pelo governo federal.

O QUE DISSERAM À REVISTA

O tucano Nilson Leitão, deputado federal, ex-prefeito de Sinop e presidente regional do PSDB, disse a Revista MT Aqui, que é favorável ao plebiscito e a divisão. “Na campanha eleitoral do ano passado percorri mais de 52 mil km de estradas e vi o quanto o Araguaia é abandonado. Lá existe sentimento divisionista, motivado pela busca da independência e também pela ausência do estado”.

Para o deputado federal Júlio Campos (DEM), não há recursos disponíveis para a criação de novos estados neste momento em Brasília. “Agora sou contrário, mas isso não quer dizer que no futuro poderei ser favorável, porque mais cedo ou mais tarde o Araguaia será estado”.

O prefeito de Água Boa, Maurício Cardozo Tonhá (PR), prefere a cautela. “Nós temos a convic-ção que um estado menor seria mais fácil de ser administrado. Sabemos, porém, das dificuldades políticas e econômicas em implantar um novo estado”.

O prefeito de Vila Rica, extremo Norte do Araguaia, é favorável a divisão do estado. “Sou evangélico e pago dízimo. O governador Blairo Maggi pavimentou 4 mil km de rodovias e não destinou o dízimo administrativo para o Araguaia. Somos região afastada e sem identificação com Cuiabá. Por isso defendo a criação do nosso estado”.

 

JOP OUVIU MORADORES

O radialista Robinson Braz está em dúvida com relação à questão econômica, por conta da grande área que as reservas indígenas ocupam no Araguaia. “E as reservas? Se em outros estados as reservas são intocáveis, imagina aqui? Poderemos ser um estado igual a Roraima, com boa parte do seu território em reservas indígenas, o que pode inviabilizar economi-camente o Araguaia”, disse ao J. O Pioneiro.

O empresário e vice-presidente da Acecan (Ass. Comercial), Rubi Spricigo, disse que ele é favorável a divisão. “Nós temos exemplos de outros estados que se dividiram e isso não trouxe prejuízos. Claro que o governo federal terá que ajudar no início a manter os gastos, mas, afinal, é com o próprio governo federal que fica a maior parte do bolo”.

O ruralista Oldair Sangalleti é também favorável a divisão. “Assim como Tocantins o Araguaia tem sustentação na produção agrícola nós sabemos que o Tocantins cresceu com a divisão de Goiás. Com certeza o benefício será bom, porque hoje a gente cobra e não vem nada pra cá, então pra nós seria mais vantagem do que desvantagem”.

Para o secretario de Esportes de Canarana, Celso Luiz Zangirolami, o maior problema a ser enfrentado pela região num plebiscito, é obter a maioria dos votos favoráveis à divisão. “Temos um número pequeno de eleitores e num plebiscito todo o MT vota”. No plebiscito para dividir o Pará  os eleitores de todo o estado vão votar em dezembro.

 

Escrito por Rafael Govari / O Pioneiro

Comentários

Data: 23/04/2012

De: José Henrique

Assunto: Divisão de MT e criação do Araguaia

Mesmo na situação de estado, creio que a região do Araguaia continuaria sendo deficiente e dependente de Goiás e sua respectiva capital, Goiânia. Então, acredito que as figuras políticas de toda essa região deveriam se unir pela população e, em vez de perder tempo com essas discussões de dividir o estado, poderiam muito bem se manifestar mais, cobrar com mais efetividade e mostrar mais presença e imposição para os políticos de Cuiabá. Não é a distância até a capital, e sim a qualidade da gestão dos prefeitos e demais políticos da região. Pensem bem: em vez de gastar quase 1 bilhão por ano para manter um estado, seria muito mais viável utilizar esse dinheiro para se aplicar nas reais necessidades desta região, que precisa muito mais de estradas, saúde e educação de qualidade do que o título de "Estado do Araguaia", que só seria útil para figuras políticas que teriam mais chances de viver às custas do dinheiro público, na situação de deputados e governadores, por exemplo. Existem cidades muito próximas a Cuiabá que não se desenvolveram, mas em contra partida, há cidades a 200, 400 ou mais quilômetros da capital que o fizeram com muito êxito, como Sinop, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Tangará da Serra etc. Portanto, creio que antes de gastar tempo e dinheiro com ideias para dividir, é melhor somar e pensar juntos com as demais regiões desse imenso estado chamado Mato Grosso.

Data: 25/08/2011

De: MORADOR DO ARAGUAIA

Assunto: UM NOVO ESTADO

Aguardamos esta divisao anciosamente, ja que temos varios problemas devido a distancia a capital, para se ter ideia do grua de dificuldade um pessoa que precisa de um medico especializado leva aproximadamente cerca de 12 hosras para chegar no socorro medico ja que sua populaçao nao tem como arcar com despesas com trasnsporte aerio, o custo e ato ficando entao a mercer das prefeituras. Grande parte da populaçao nao conhece cuiaba pois o acesso e dificil ficando viavel ir ate Goiania a procura de tratamente e outras necessidades. Quanto a capital acho que Querencia seria viavel devido a facil localizaçao geografica e o acesso a todos da regiao. Portanto cobro dos meus representantes que faça correçao pois nao podemos permanecer nesta situaçao o erro pode ser corrigido agora entao vamos ao plebecito mais os moradores regionais somente devem opinar pois os outros nao tem conhecimento de nossa dificuldades reais, nao sabem o que é ficar atolado o dia todo em uma estrada.

Data: 24/08/2011

De: Onoroso Peregrino

Assunto: Estado do Araguaia

Agora surge uma discussão inteligente sobre a criação do Estado do Araguaia de Torixoréu a Vila Rica e não como era discutido antes querendo a capital lá pro nortão, não ia resolver o problema do Araguaia. Se bem que ao invéz de Torixoréu deveria ser de Alto Araguaia a Vila Rica.

Data: 23/08/2011

De: José Antônio

Assunto: Estado do Araguaia!!!

Infelizmente um Estado com as dimensões territoriais do Mato Grosso, não é facil governar, principalmente por falta de recursos.
Quando o Estado Mato Grosso foi dividido MT/MS, ocorreu um erro pela falta de Planejamento Estratégico, pois deveria se pensar que todos os municípios deveriam convergir para a capital, e isso não aconteceu devido as distâncias e a falta de infraestruturas.
Com isso a região do Araguaia passou a adotar Goiânia-GO como a capital de fato, pois é mais barato um morador do Araguaia ir fazer compras, estudar ou mesmo se tratar da saúde em Goiânia do que ir para Cuiabá. Se na época da divisão a capital do Estado de Mato Grosso fosse deslocada para o Centro do Estado essa necessidade não estaria ocorrendo agora. Então é o caso de se pensarmos, não podemos ocorrermos no mesmo erro em relação a Barra do Garças-MT, temos que se pensar caso ocorra divisão que a capital do Araguaia fique localizada dentre um dos três município, Querência-MT, Agua Boa-MT e Canarana-MT, acho uma boa hora para discutirmos essa proposta.

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