23/08/2014 - Estomatite em animais faz município de MT declarar estado de emergência

Focos de estomatite vesicular em animais criados no município de Castanheira, a quase 800 quilômetros de Cuiabá, fizeram o poder público local declarar estado de emergência, conforme decreto datado desta quarta-feira (20) em Diário Oficial. Desde a confirmação de 36 casos da enfermidade, mais de 300 propriedades rurais foram interditadas. Ou apresentaram animais doentes ou porque estavam no raio da primeira área onde surguiu o problema.

A decisão levou em conta os reflexos provocados na economia local, cuja base econômica é a pecuária, em especial a criação de bezerros, diz o secretário municipal de Administração, Raphael Nogueira. O documento terá vigência enquanto durar a série de ações realizadas pelo órgão estadual de defesa sanitária (Indea-MT) para mitigação do problema e seus riscos.

"A pecuária de corte, neste caso o abate de animais, não sofreu grandes impactos porque ainda se pode mandar animais para o frigorífico. Mas o maior foi sobre a comercialização de bezerros, já que hoje Castanheira é uma das maiores produtoras do estado", disse Nogueira ao G1. A venda de animais está bloqueada.

De acordo com o secretário, já os reflexos sobre a comercialização do leite podem ser considerados baixos, pois a venda do produto, mesmo dos animais doentes, é permitida desde que passe pelo processo de pasteurização. No município há dois laticínios para os quais os criadores entregam a produção.

O decreto municipal - que ainda depende do reconhecimento pelo Executivo estadual - discrimina que "em decorrência da situação de emergência decretada fica o Poder Executivo Municipal autorizado a tomar todas as providências adequadas e necessárias para amenizar a situação, inclusive, buscar auxílio de recursos financeiros junto aos órgãos competentes federais e estaduais, e ainda, incentivos de natureza fiscal, principalmente, na área da pecuária e em outras da economia nacional".

"Para o município houve impacto na arrecadação [de impostos] por alguns serviços como a emissão de notas [fiscais], além da própria venda de bezerros. Empresas também deixaram de vender produtos agropecuários", afirmou ainda o secretário ao G1.

De acordo com o poder público, Castanheira conta com aproximadamente 1,2 mil propriedades rurais, a maior parcela delas de pequeno e médio portes. "Vamos buscar os órgãos que podem nos ajudar e também auxiliar os produtores para não haver mais prejuízos", concluiu o secretário.

As primeiras suspeitas da doença foram levantadas ainda em junho, após um lote de animais proveniente de outro estado brasileiro ingressar na primeira propriedade rural. Além do bovino, técnicos detectaram sinais clínicos compatíveis com a síndrome vesicular em um muar.

Segundo o Indea, as propriedades ficarão interditadas até 21 dias após o último animal doente manifestar os sintomas da estomatite vesicular.

A doença

Estes não são os primeiros casos de estomatite vesicular registrados em Mato Grosso. Em 2008 um foco foi confirmado em Cocalinho. A doença foi identificada, à época, em sete animais de cinco propriedades.

Além de Mato Grosso, focos foram confirmados nos estados da Bahia, Piauí e Maranhão, segundo o Ministério da Agricultura. Desde maio deste ano, os casos da doença não precisam ser notificados para a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Saiba o que é

A enfermidade é uma síndrome vesicular causada por um vírus e que apresenta  sintomatologia parecida com outras doenças vesiculares, como a febre aftosa. Pode afetar cavalos, jumentos, mulas e burros, bovinos, suínos e humamos.

Animais sadios que convivem com outro doente podem ser contaminados. Da mesma forma, materiais como cela ou arreio podem facilitar a transmissão do vírus causador.

Em humanos a estomatite pode ser confundida com uma forte gripe, apresentando sintomas como dores musculares, febre e até mesmo lesões. O risco de contaminação ocorre desde que ocorra o manuseio de lesões dos animais doentes sem a utilização de equipamentos de segurança.

 

 

Do G1 MT

Leandro J. Nascimento

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