23/08/2016 - Delegado suspeita que pai 'torturou' filho

23/08/2016 - Delegado suspeita que pai 'torturou' filho

Pai, suspeito de agredir menino de 5 anos e provocar sua morte, pode responder por crime de tortura caso fique comprovado que as agressões físicas e até emocionais eram constantes e recorrentes.

Segundo o delegado Eduardo Botelho, que investiga a morte do menino Hugo Gabriel Augusto Gomes, médico que fez a necropsia na vítima confirmou lesões internas no intestino e estômago. Podem ter sido provocadas por trauma ou objeto contundente. O corpo não apresentava lesões externas.

Depoimentos de pessoas que conviviam com a criança e informações colhidas junto a funcionários da creche que Hugo frequentava, apontam para um histórico antigo de agressões sofridas pelo menino.

Hugo foi hospitalizado no sábado (20) e morreu por volta das 11h do domingo (21). Logo após ser anunciada a morte pela equipe médica o pai biológico desapareceu. Não veio nem para o funeral da criança. Ele já teria antecedentes criminais.

A Delegacia de Defesa dos Direitos da Criança (Deddica) assumiu a investigação da morte esta segunda-feira (23). Três pessoas já foram ouvidas, os dois avós maternos, Pedro Acelino de Oliveira e a esposa Ester Sidamar Ribeiro Gomes e a mãe de Hugo, Kely Aparecida Gomes de Oliveira.

Kely foi a única que disse desconhecer que o filhos era agredido pelo companheiro. Admitiu somente que ela mesma teria dado feito uma agressão leve a ele, recentemente, como forma de ‘corretivo’.

Hugo foi sepultado ao meio-dia de hoje e a mãe deve ser ouvida novamente. Segundo o delegado titular da Deddica, existem muitas lacunas, incluindo o lapso temporal de tempo em que a criança teria reclamado das dores até o momento em que foi encaminhada para unidade hospitalar.

Segundo uma familiar, o menino reclamou de dores de cabeça na madrugada do sábado (20), por volta das 3h. Mas só foi encaminhada para atendimento no período da tarde. A mãe estava no trabalho quando foi avisada pelo suspeito que a criança estaria convulsionado.

Todas as pessoas que conviveram com a vítima serão ouvidas, inclusive os irmãos menores, que também passarão por avaliação da equipe de atendimento psicossocial da Deddica. O delegado não descarta a hipótese delas também terem sido vítimas do agressor.

O laudo da morte não foi concluído e possivelmente serão realizados exames complementares. Botelho não descarta a necessidade da realização de uma exumação do corpo, caso os exames não sejam conclusivos.

Caso confirmado que o histórico de agressões resultou na morte do menino, o agressor responderá criminalmente e se ficar comprovada a omissão por parte da mãe ou familiares, eles também podem responder pelos atos.

A Deddica somente este ano recebeu mais de 600 denúncias envolvendo violências físicas, sexuais e psicológicas contra crianças. São procedimentos, entre boletins de ocorrências, Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs), e relatórios vindos de conselhos tutelares. São mais de duas denúncias por dia só na Capital.

 

Silvana Ribas, repórter do GD

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