23/10/2012 Médicos entram em greve e afetam serviços das policlínicas de Cuiabá

Postos de saúde e Policlínicas funcionarão com apenas 30% do efetivo.
Profissionais alegam que Secretaria de Saúde não cumpriu decisão judicial.

 

 

Quase 700 médicos da rede pública de saúde em Cuiabá entraram em greve por tempo indeterminado nesta segunda-feira (22). O movimento grevista vai afetar diretamente o atendimento nas policlínicas e postos de saúde da capital que contarão apenas com a presença de 30% dos profissionais.

O Comando de Greve informou que os atendimentos nos serviços públicos de urgência e emergência não serão prejudicados. No final da tarde desta segunda-feira, os profissionais protestaram em frente ao Pronto Socorro da capital.

Eles reivindicam melhorias nas condições de trabalho, seguranças nas unidades de saúde, pagamento de benefícios que está atrasado há três meses e a realização de mutirões para diminuir a sobrecarga dos atendimentos nas unidades. Eles também são contrários à implantação das Organizações Sociais da Saúde na gestão das unidades públicas. A categoria disse que uma decisão judicial proferida há dois meses determinou o cumprimento de todas as reivindicações. Porém, nada foi colocado em prática.

“Não houve atraso salarial, o que ocorreu foi um atraso no repasse do abono salarial (prêmio) devido à falta de repasse do governo estadual para a área de saúde, e com o dinheiro em caixa faremos o repasse aos profissionais'', pontuou o secretário de Saúde, Huark Douglas Corrêa.

Ele adiantou que o depósito dos benefícios será realizado até o final desta semana. Já em relação à segurança das unidades, o gestor da pasta disse que vai contratar uma empresa terceirizada para fazer o monitoramento de câmeras de segurança nas policlínicas e postos de saúde, além da contratação de vigias. O secretário afirmou ainda , que o atual piso salarial dos médicos será revisado, por meio de verbas e financiamentos contraídos junto ao governo federal.

Para a médica Vanja Bonna, que atua há 35 anos na área de Saúde da Família, as soluções previstas não passam de propostas que há anos vem sendo proteladas. “Lido diariamente com problemas estruturais que são simples de serem resolvidos, como atraso na realização de exames  emergenciais onde eu chego a ter vergonha de dizer para meus pacientes procurarem a rede particular ou outros meios alternativos, pois se dependerem da rede pública nunca conseguirão'', lamentou a médica.

Para a presidente do Sindicato dos médicos, Elza Queiroz, a classe está unida em prol da melhoria na qualidade dos serviços de saúde, porém, ela informou que os serviços precisam ser melhorados significativamente. “Estamos em defesa da saúde e pedimos o apoio da população para se unir à nossa causa pois a saúde não se encontra em um caos irreversível, é nós acreditamos que a Saúde ainda tem solução e depende da força de vontade e da iniciativa de toda a população'', afirmou Queiroz. Uma nova reunião entre os grevistas e a Secretaria Municipal de Saúde será realizada nos próximos dias para discutir as reivindicações da categoria.

 

 

G1/O Repórter do Araguaia

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