24/02/2016 - Silval classifica tempo foragido como angustiante e afirma que se escondeu para escapar de prisão espetaculosa

24/02/2016 - Silval classifica tempo foragido como angustiante e afirma que se escondeu para escapar de prisão espetaculosa

O ex-governador de Mato Grosso, Silval da Cunha Barbosa, esclareceu que os dois dias que permaneceu como foragido da Justiça, após o decreto de prisão preventiva em conseqüência da “Operação Sodoma”, significaram um momento de “angústia”. A manobra serviu, segundo o político, para evitar uma prisão “pirotécnica”. “Queriam fazer comigo uma prisão espetaculosa, entregar minha cabeça como troféu”, afirmou nesta terça-feira (23). 

Barbosa participaria, no dia 15 de dezembro, da CPI dos incentivos ficais, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A ocasião, porém, marcou o desencadear da operação Sodoma.

“Eu já tinha confirmado que iria na Assembleia, que estava o delegado e vários agentes para me prender dentro da Assembleia, Assembleia legislativa, diga-se de passagem, que eu construí essa sede junto com o deputado Riva, na nossa gestão. Iam me prender lá dentro. Eu já tinha mandado ofício, para o Gaeco, Defaz, me colocando à disposição. Uai. Já tinha me colocado a disposição quando falaram da denuncia dos incentivos” afirmou o ex-chefe do Executivo mato-grossense.

Para escapar da prisão, o ex-governador preferiu fugir e permanecer foragido até o dia 17 de setembro. Porém, a manobra serviu, segundo o político, para evitar uma prisão pirotécnica. 

“ Iriam me prender na AL? Meus advogados me disseram: ‘fica por aí, em 48 horas nós te apresentamos’. Foi a maior angústia. Queriam fazer comigo uma prisão espetaculosa, entregar minha cabeça com troféu, como quando fizeram com o meu traslado do Corpo de Bombeiros para a Defaz. Junto dezesseis carros, helicóptero. Pararam o transito. Bope, então é por isso que não me apresentei”.

Além de desconsiderar como “fuga” o fato de se esconder da prisão preventiva, Silval esclareceu como ficou sabendo do mandado: “Não demorei para me apresentar. Fiquei sabendo pela imprensa. Eu estava indo depor na Assembleia e fiquei sabendo da prisão, alguns meios de comunicação, alguns donos me ligaram e fui até o escritório”, afirmou. 

As afirmações foram estabelecidas nesta terça-feira (23), durante audiência de instrução no processo. Para o político, o interrogatório serviu para esclarecer os fatos em sua defesa. “A audiência depois de quase seis meses, primeira oportunidade que eu tive de me defender a pessoa que tem o poder de me julgar. Essa questão me envolvendo com organização criminosa dizendo que eu estabeleci normas para liberar incentivos. Não liberei nada, restringi”, afirmou.

No caso, proveniente da Operação Sodoma, figuram como réus, além do ex-governador, os ex-secretários Marcel de Cursi e Pedro Nadaf, Silvio Cezar Corrêa Araújo, Francisco Andrade de Lima Filho e Karla Cecília de Oliveira Cintra. O valor supostamente corrompido de um programa de incentivos fiscais ultrapassa o montante de R$ 2,5 milhões. 

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso, a antiga Secretaria de Estado da Indústria e Comércio, Minas e Energia (Sicme), atual Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), teria concedido incentivos fiscais, via Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic), de forma irregular, para algumas empresas. 

A irregularidade foi confirmada pelo empresário João Batista Rosa, colaborador (inicialmente delator premiado) no caso.

Silval afirmou ser inocente. “Eu nunca pedi nada para o senhor João Rosa. Não conheço Frederico Muller, não conheço Filinto Muller [delatores]. Nunca pedi nada. Senhor João nunca doou nada para minha campanha. Nunca pedi nada. É uma pura inverdade me envolver, e só hoje, depois de seis meses, que tive a oportunidade de me defender.

 

 

 

Da Redação - Arthur Santos da Silva/ Patricia Neves

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário