24/03/2014 - ASSIM NASCEU SÃO FÉLIX DO ARAGUAIA

Gariroba era um ponto onde vaqueiros e peões tinham armado, permanentemente, amplos currais ao porto onde ancorava uma balsa montada sobre ubás, algumas vezes usada para a travessia de animais para a outra margem, na Ilha do Bananal, onde outros tantos currais agasalhavam a manada.

 

Por volta de 1944, alguns sertanejos criadores de gado, estavam se fixando na Gariroba com as famílias, ocupando aquele velho ponto das tradicionais travessias de boiadas. Liderava aquele pioneiro grupo de bravos sertanejos um singular personagem chamado Severiano Neves.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Piauiense de nascimento, Severiano Neves deixara a terra natal, a cidade de Floriano, na mocidade, como tantos outros conterrâneos. Severiano foi trabalhar nos castanhais do rio Fresco (Pará) e fixou residência no povoado de São Félix, na embocadura  daquele afluente com o Xingu.

Prosperou, montou comércio, amealhou economias. São Félix é o padroeiro dos sertanejos que percorrem regiões sujeitas aos ataques silvícolas.

Em seguida, Severiano Neves transferiu-se para os campos de Conceição do Araguaia, para situar-se em um recanto, onde pudesse dedicar-se a criação de gado. Casou-se em Conceição do Araguaia com a jovem Fabriciana Pereira da Luz, irmã do intrépido pioneiro e sertanista Lúcio da Luz, fixando-se em Barreira de Campo, com fazenda de criação de gado.

Anos depois se enviuvara e de seu casamento ficara a filha Iraci. Lúcio da Luz, com seu espírito rústico e empreendedor, na época, o maior criador da região, levantou idéia de partir para novas paragens, no Mato Grosso. Aliciando vários amigos, também criadores, seu irmão Mundico Luz, Bento de Abreu, Ateneu Luz, Pedro Abel, Joaquim Rosário e alguns outros, entre os quais se incorporou Severiano Neves, migraram com seus recursos, suas famílias, vaqueiros, agregados e peões, vindo desbravar, fundar vários núcleos de fazenda, engenhos, roças e o povoado de Mato Verde.

Alguns anos se passaram. Severiano Neves contraiu segundas núpcias com a senhorita Otacília. Iraci, filha única do primeiro matrimônio, casou-se com Ateneu Luz. Mato Verde se desenvolveu rapidamente.

O mesmo fenômeno de amplo povoamento e desenvolvimento da criação de gado que outrora provocara o êxodo de Lúcio da Luz e seus amigos e resultara no surgimento de Mato Verde, agora se repetia naqueles campos de Mato Grosso. Dessa vez era Severiano Neves o idealizador na nova mudança. Escolhera a Gabiroba, a montante de Mato Verde.

Lúcio da Luz não aceitou pacificamente a opção do cunhado e amigo. Julgava-se traído. Para ele aquela mudança era uma deserção. Mais que isso: era a quebra de um compromisso celebrado entre todos os desbravadores do primeiro instante. Valia como uma lei que ele próprio ditara. Nenhum dos seus companheiros colonizadores praticaria unilateralmente a venda de reses, ou peles e couros aos compradores que aparecessem. Com ele, somente, poderiam ser negociados esses produtos. Excetuavam-se dessa norma os produtos da lavoura.

O gesto de Severiano era, pois, uma rebeldia. Uma atitude de independência que o feria. Por isso, Lúcio da Luz rompeu com Severiano. Mas Severiano estava decidido a fundar sua própria “República”.  Não temeu as zangas do cunhado e fez mais. Convidou outros pioneiros de Mato Verde e acenou-lhes com a liberalidade do livre comércio.

Ao chamamento tão confiante e amigo, aquiesceram e se incorporaram ao novo desbravamento Bento de Abreu, Ateneu Luz, João Irineu, a viúva D. Maria Dias e seus filhos, Raimundo Martins, José Lagoa, Roxo, Pernambuco, criadores, agregados e roceiros.

Severiano, refletindo sobre aquela região de campos e cerrados, território Karajá, limitado além de Mato Verde, onde, no Araguaia deságua na margem esquerda o Tapirapé; por este, subindo na margem direita, até embocadura do afluente xavantinho; por este, subindo em direção Sul, no ponto em que se situam as suas nascentes. E Araguaia acima, até entrar no Mortes, na margem esquerda e subindo-o muito além; por tão vasta extensão, viviam caçavam e guerreavam também, a grande nação xavante.

Por todas essas circunstâncias, Severiano, egresso do Xingu e de Mato Verde, após consultar seus amigos pioneiros, resolveu dar ao lugar o nome de São Félix do Araguaia.

Eis o nome e o histórico e traços biográficos de alguns dos fundadores deste município:

Bento de Abreu:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

paraense de conceição do Araguaia. Membro de uma das mais ilustres e tradicionais famílias da região.  Com os irmãos João, José e Inês incorporaram-se à galeria dos grandes sertanejos que marcaram época no desenvolvimento da região do Araguaia.

 

Ateneu Luz:

 

 

filho de Inês Abreu e genro de Severiano Neves. Um gigante. Um caráter excepcional; um homem e um amigo.

 

João Irineu:uma das grandes figuras de desbravador do sertão do Araguaia. Surpreendido, juntamente com um filho em violento e traiçoeiro ataque dos xavante, quando trabalhavam em uma orça, nas redondezas do povoado, foram abatidos a golpes de borduna.

 

— D. Maria Dias: Viúva, com uma filha moça e dois filhos homens, Supercílio e Novato, vaqueiros e pequenos criadores.

 

— Os irmãos João e José Martins: filhos de “tia” Hosanah Luz, de Barreira de Santana.

 

— Roxo: um humilde trabalhador, rude e analfabeto, dedicado e cumpridor dos seus deveres.

 

— José Lagoa: bravo sertanista de meia idade, quando veio para São Félix do Araguaia, casado e sem filhos, tomou o sobrenome que o tornou conhecido, por ter ido morar na margem de uma lagoa, junto ao vilarejo, onde fez curral, casa, roça e viveu ali por longos anos.

 

— Pernambuco: 

tal como Roxo, esse homem era conhecido somente pelo apelido. Era um peão humilde e para todo serviço. Nordestino, sozinho no mundo. Dizia ele ter somente um amigo, que o acompanhava há muitos anos; seu amigo de todos os dias, a quem amava com se fosse um parente. Era seu jumento Tristão, dócil e trabalhador.

 

Barra do Garças e o Bispo:

São Félix do Araguaia foi fundada pela Lei 163, de 25 de outubro de 1948. Até o ano de 1976 pertencia ao extenso município de Barra do Garças, que foi administrado pela primeira vez por Antônio Paulo da Costa Bilego, seu primeiro prefeito.

Muitas empresas colonizadoras de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul se estabeleceram na então região de Barra do Garças criando extensos latifúndios de criação de gado, a partir dos anos 60. Dentre elas destacamos:

Codeara (Companhia de Desenvolvimento do Araguaia), Suiá-Missu; Guanabara; Bordon; Serra Nova; Pontinópolis; Santo Antônio, Amélia Junqueira, Corebrasa; Tamakavy; Santa Lúcia; Santa Cruz.

Foi através dessas empresas agropecuárias que ocorreram centenas de conflitos agrários na região, principalmente na década de 1970.

Em 1970 foi criada a Prelazia de São Félix do Araguaia. E assim, Congregação Claretiana indicou para dirigir a prelazia o padre Pedro Maria Casaldaliga Plá, homem culto e extraordinário, que ainda hoje vive em São Félix do Araguaia. Pedro havia chegado em julho de 1968. E assim que chegou à São Félix do Araguaia, ao ver tantas misérias e conflitos agrários fez uma decisiva e corajosa opção: transformou-se no inimigo número um dos latifundiários.

Pedro Casaldaliga foi nomeado bispo em agosto de 1971. Foi uma ordenação sem anel, sem mitra, sem báculo. Um chapéu de couro sertanejo e um remo-borduna foram seus emblemas episcopais.

Em 1960, na margem de um lago, nas imediações do velho porto, havia uma estalagem pensão, aprazível e tranqüila. Era então morada de Newton Burjack e Adalgisa, antigos pioneiros de São Félix do Araguaia.

                       

Emancipação e Pioneiros:

Em 13 de maio de 1976, pela Lei nº 3.698 São Félix do Araguaia passou à categoria de município, desmembrando-se de Barra do Garças. Seu primeiro prefeito foi Aldenor Milhomem da Cunha, ainda vivo e morador daqui.

Citamos alguns fatos cronológicos ligados a Educação de São Félix do Araguaia:

Em 1945 chega para morar em São Félix do Araguaia dona Tarcília da Rocha Braga e também Antônio Wanderley Chaves. E a convite de Severiano Neves passaram a lecionar. Juntando crianças, pais, alunos e professores, construíram na beira-rio uma casa de palha, como todas as outras, onde passou a ser uma escola.

Em 1947 chega dona Túnica para lecionar.

Nas décadas de 50 e 60 houve bastante evolução da cidade e da escola também, com as construções do Grande Hotel JK e da Alvoradinha, por Juscelino Kubitschek que visitava e dava seu apoio à escola. Era a Escola Mista Rural de São Félix do Araguaia.

1970: chegam os padres da Prelazia incrementando a Educação.

1970: é criado a GEA (Ginásio Estadual Araguaia);

1972: a primeira formatura de ginásio em 20/12/1972 com festas inéditas no “Cine Samira”.

1974: inicia-se a construção da prédio da atual escola Hilda Rocha;

1975: conforme a Lei 2.420, de 16/01/1975 nasce a Escola estadual de 1º Grau Governador José Fragelli.

1982: formatura da 1ª turma de normalistas e Técnicos em Contabilidade.

São esses nomes inesquecíveis as principais professoras e professores do passado de São Félix do Araguaia:

- Dona Túnica

- Tarcília da Rocha Braga

- Antônio Wanderley Chaves

- Elza Mendes de Freitas

- Sidinha Pereira Milhomem da Cunha

- Erotildes  da Silva Milhomem

- Alzira da Silva Setúbal

- Jurandy Silva Sarmento

- Luíza Luz Abreu

- Saulo de Moraes Sarmento

E tantos outros de saudosas lembranças.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte – Antônio Wanderley Chaves – 1980.

- “Barra do Garças – Migalhas de sua História” – Valdon Varjão - 1989

- “Poesia do Araguaia” – Erotildes da Silva Milhomem – 2005

 

 

Comentários

Data: 01/04/2014

De: Suely

Assunto: Historia de São Felix

Sou filha adotiva desde a idade de 2 meses de Severiano Souza Neves e Edilia Arruda Neves que foi a segunda esposa do mesmo. Sinto muito por terem editado o nome de minha mãe erradíssimo, sei que não foi culpa do repórter e sim do informante. Quanto a historia do surgimento de São Felix não tem nada de mal contada, é tudo verdade, não sei porque estão dizendo que é mentirosa, cresci ouvindo a verdadeira historia de São Felix. Morram de inveja os que não acreditam nessa historia.

Data: 30/03/2014

De: Luzia e Maria Abreu

Assunto: Fundação de São Felix

A história é verdadeira e os relatos estão de acordo com o que nosso pai Bento de Abreu Luz nos contava.Estamos orgulhosas e João Pedro bisneto de Bento da Luz ouviu e ficou orgulhoso de saber que o bisavó participou da fundação de São Felix.

Data: 04/08/2016

De: Maria Pereira de oliveira

Assunto: Re:Fundação de São Felix

Tambem sabe dizer algumas historia de São felix do araguaia pois ela nasceu 1931 na luciara antiga mato verde e veio 1939 com 7 anos para o lugar que hoje e são felix do araguaia e esta viva para contar

Data: 17/08/2016

De: Adalberto

Assunto: Re:Re:Fundação de São Felix

moro em são Felix e tenho orgulho descendentes antiga mato verde que hoje e Luciara e dos primeiros moradores de São felix

Data: 26/03/2014

De: eu

Assunto: historia

a historia dessa erotildes e mai doida e mentirossa do que ela.

Data: 19/05/2014

De: Marta Milhomem

Assunto: Re:historia

É de uma insensatez sem tamanho o comentário dessa coitada (e sei de quem se trata). Quero ver estudar e buscar a História, tal qual Erotildes Millhomem fez e sempre faz. Uma pessoa culta, inteligente e conhecedora sim. É tanto que os demais comentários dessa matéria são todos a seu favor.

É melhor deixar a inveja e o recalque de lado e respeitar as pessoas.

Data: 26/03/2014

De: ODAIR CORONHEIRO

Assunto: Reconhecimento

parabéns ao povo de são felix que tem uma linda historia!! o autor esqueceu de citar que o vovô Bento de Abreu Luz foi o primeiro juiz de paz de são felix do araguaia.

Data: 26/03/2014

De: Andreia Abreu

Assunto: Satisfação e Orgulho

Sinto-me orgulhosa em ser neta de BENTO ABREU LUZ (in memorian) na verdade crescemos ouvindo essas histórias pelo meu pai e tantas outras pessoas conhecedoras, UM SALVE para a família ABREU, família LUZ e SEVERIANO NEVES e todas que tem história para contar. Abraços a todos.

Data: 26/03/2014

De: Eduarda S. Abreu

Assunto: Re:Satisfação e Orgulho

Sou bisneta de Bento Abreu Luz, tenho 10 anos e também gosto de saber de histórias tão marcantes como esta, como minha tia Andreia Abreu, tenho orgulho e satisfação.

Data: 14/07/2015

De: SANDRA LUZ

Assunto: ORGULHO

Andreia eu sou dessa familia Luz meu pai eh primo primeiro de Lucio da Luz eu me sinto com muito orgulho de ser dessa familia, nasci em Luciara Mt. Grande abraço.

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