24/03/2016 - “Me execram, me prendem e depois querem me ouvir”, diz Silval

24/03/2016 - “Me execram, me prendem e depois querem me ouvir”, diz Silval

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) classificou como “estranho” o novo mandado de prisão expedido contra ele, como parte das investigações da terceira fase da Operação Sodoma.

 

As investigações apontaram o pagamento de R$ 500 mil a R$ 700 mil mensais em propina para membros da Secretaria de Estado de Administração, durante os anos 2011 a 2014. No período, as propinas totalizariam cerca de R$ 24 milhões.

 

O delegado Lindomar Tofolli, que conduz a terceira fase da operação, classificou Silval como o líder da organização criminosa.

 

O ex-governador já está preso em decorrência da Operação Seven, que investigou a compra em duplicidade de uma área na região de Manso por parte do Governo e poderia ser colocado em liberdade, ainda nesta quarta-feira (23), quando a Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ-MT) retoma o julgamento do mérito do habeas corpus que tenta reverter a prisão do político.

 

“Essa prisão é muito estranha, muito mesmo. Eu tinha a possibilidade de ir embora hoje, já tenho parecer favorável do relator, então o novo pedido é muito estranho”, disse Silval.

“Ainda mais que a prisão é decretada sem eu nem ter sido ouvido. O normal é ouvir as pessoas, dar o direito de defesa. Aqui não; me prendem, me execram depois quer me ouvir”, completou o ex-governador.

 

As declarações foram dadas há pouco, quando Silval deixava o prédio da Delegacia Fazendária (Defaz). Ele foi chamado para prestar esclarecimentos sobre essa nova fase da investigação.

 

“Fui chamado para depor, cheguei aqui vi que inquérito já esta concluso, então, não tenho porque depor. Conversei com o delegado e disse que vou me explicar em juízo”, afirmou.

 

 

 

“Não conheço empresário”

 

O ex-goverandor Silval Barbosa ainda afirmou que não conhece o empresário Willians Paulo Mischur, dono da empresa Consignum.

 

Mischur foi preso preventivamente na Operação Sodoma 2 e é investigado por supostamente pagar propina em troca de se tornar prestador de serviços do Governo do Estado, no período em que Cézar Zílio comandou a Secretaria Estadual de Administração.

 

Vários cheques da Consignum foram utilizados para pagar um terreno de R$ 13 milhões em Cuiabá que, mais tarde, seria transferido para a família do próprio ex-secretário Cézar Zílio.

 

Ele foi solto depois de prestar um depoimento em que teria colaborado com as investigações.

 

“É estranho, pois ele (Mischur) veio aqui, fez declarações e disse que tinha corrupção desde o Governo Blairo Maggi até hoje. Eu achei estranho o inquérito não ouvir ninguém dos demais Governos”, disse Silval.

 

“Além disso, acharam R$ 1 milhão em dinheiro vivo na casa dele, mas no inquérito sequer fizeram perguntas pra ele sobre esse dinheiro. Não conheço esse rapaz, ele nunca esteve comigo e mentiu quando disse que esteve na minha casa ou no meu gabinete”, completou.

 

Silval também ironizou o fato de as declarações prestadas pelo empresário serem tomadas como verdadeiras, enquanto ele é taxado de mentiroso.

 

“Como que ele mente, fala que deu dinheiro pra mim, se ele nem me conhece, nunca esteve comigo? Aqui tudo que falam é verdade, mas tudo que eu falo é mentira”, disse.

 

Questionado se acredita estar sendo vítima de uma perseguição, o ex-goverandor preferiu não polemizar.

 

“Vocês estão acompanhando, estão vendo a Sodoma. Eu participei de todo o interrogatório, nem os delatores disseram que eu tenho participação nisso. Foram lá no Fórum, falaram quem deu dinheiro, pra onde foi e eu sou colocado como chefe de quadrilha”, finalizou.

 

 

 

Camila Ribeiro E Airton Marques 

Da Redação

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário