24/03/2016 - Maluf diz que planilha pode ser “cortina de fumaça” do PT

24/03/2016 - Maluf diz que planilha pode ser “cortina de fumaça” do PT

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), negou que tenha recebido doações de campanha da empreiteira Odebrecht e afirmou que a presença de seu nome em uma suposta lista de pagamentos da empresa pode se tratar de uma “cortina de fumaça” do Governo petista contra o seu partido, o PSDB.

 

“Acho que estamos em um momento em que qualquer denúncia contra o PSDB e os seus membros favorece o Governo do PT. Colocar o nome do Nilson Leitão, do Aécio Neves, do [José] Serra e do presidente da Assembleia de Mato Grosso pode ser uma ‘cortina de fumaça’ para esconder uma série de ações que estão ocorrendo”, declarou o presidente do Parlamento.

O nome de Maluf aparece em uma planilha que estava em posse de Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, e que foi apreendida em fevereiro deste ano, na 23ª fase da Operação Lava Jato, que recebeu o nome de “Acarajé”.

 

A suspeita é de que o presidente da Assembleia Legislativa tenha recebido um total de R$ 500 mil de doações da empreiteira.

 

Afirmando que não recebeu tais doações e que em suas prestações de campanha dos anos de 2012 e 2014 não constam repasses da Odebrecht, Maluf não descartou a possibilidade de que as doações realizadas pelo seu partido tenham origem de repasses da empreiteira.

 

“Isso me causou surpresa, mas como o caixa de campanha é detalhado, não tenho nenhuma doação da Odebrecht. Essas contas foram devidamente aprovadas, tanto as de 2012 quanto as de 2014. Se realmente estes recursos foram doados, eu espero que agora seja feita uma apuração para descobrir para onde foram esses recursos”, declarou.

 

“Do partido eu tenho duas doações em 2012, em que o PSDB me doou o total de R$ 125 mil. Está aqui declarado, mas de onde veio esse dinheiro, eu não sei dizer. Em 2014 também tem doação do partido de R$ 30 mil, que também não sei quem doou para o PSDB”, completou.

 

O presidente da Casa de Leis também declarou que não conhece nenhum presidente ou funcionário da empreiteira e que nunca pediu doações para a sua campanha pessoalmente.

 

“Nunca vi ninguém da Odebrecht na minha frente. Nem diretor, presidente ou funcionário. Não sei nem se tem obras em Mato Grosso. Por conta disso, nunca pedi dinheiro para minha campanha”, disse.

 

Planilha apreendida

 

Na planilha apreendida do presidente da Odebrecht Infraestrutura, o nome de Guilherme Maluf aparece acompanhado das iniciais “CUI” (local), que designaria a cidade de Cuiabá.

 

Mais à frente, aparece o valor de R$ 150,00, que teria sido recebido pelo político em maio de 2012, além de R$ 350,00 conforme a tabela, projetados para o ano de 2014, totalizando R$ 500,00.

 

Apesar dos valores descritos, suspeita-se que seriam, na verdade, R$ 150 mil, mais R$ 350 mil, o que daria um total de R$ 500 mil.

 

Em 2012, Maluf foi candidato a prefeito de Cuiabá; em 2014, a deputado estadual.

 

Nas prestações de contas de nenhuma das duas campanhas, entregues por Guilherme Maluf ao TRE, a Odebrecht aparece como doadora.

 

As planilhas foram divulgadas pelo Blog do Fernando Rodrigues, do UOL Notícias.  Na reportagem, Rodrigues cita que os documentos são ricos em detalhes.

 

No entanto, segundo ele, os nomes dos políticos e os valores relacionados não devam ser automaticamente considerados como prova de que houve dinheiro de caixa 2 da empreiteira para os citados.

 

Os indícios ainda serão esclarecidos no curso das investigações da Lava Jato.

 

Suspeitas do partido

 

Guilherme Maluf ainda negou que suspeite que partido ou que algum membro da sigla tenha lhe “passado a perna” e usado o seu nome para receber as doações da empreiteira.

 

“O que está sendo cogitado é se o PSDB pegou uma doação e retransmitiu está doação para mim. Não acredito neste fato de que alguém do próprio partido tenha usado meu nome para receber a doação”, declarou.

 

“O PSDB sempre me prometeu muito pouco nas campanhas, mas cumpriu o que prometeu. Nenhum valor expressivo foi doado pelo PSDB. Não levanto nenhum tipo de suspeita contra o partido. Agora, é preciso saber o motivo que colocaram meu nome nesta lista”, afirmou.

 

Por fim, Maluf disse estar tranquilo e que irá prestar todos os esclarecimentos necessários na investigação da Polícia Federal.

 

“A medida que for convocado para prestar depoimento, vou colocar a disposição tanto minhas contas de campanha quanto as privadas. Estou muito tranquilo sobre esta questão”, finalizou.

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Data: 24/03/2016

De: Patroa

Assunto: Tai

Pega psdb ,

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