24/04/2014 - TCE aponta "total falta de planejamento" em obras da Copa

A Comissão de Acompanhamento das Obras da Copa do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE) divulgou, nesta quarta-feira (23), o primeiro relatório de conclusão de vistorias realizadas em 16 obras (17 contratos) da Copa do Mundo, que tiveram suas conclusões asseguradas ao órgão pelo Governo do Estado para até 31 de maio próximo.

O TCE cita "total falta de planejamento", por parte do Estado e das empreiteiras, que deixaram serviços de terraplanagem e escavação para o período mais intenso de chuvas.

"Esses serviços deveriam estar concluídos por volta do mês de outubro de 2013, final do período seco. Se tivesse ocorrido dessa maneira, estaríamos com quase todas as obras já concluídas. Provavelmente restariam apenas detalhes a serem corrigidos. Não estaríamos nesse estado de incertezas", diz o relatório. 

O Tribunal diz que é "altamente recomendável" que as empresas adotem dois ou três turnos de trabalho nas obras consideradas críticas. "Algumas obras não poderão ser concluídas, caso ações como essa não sejam implementadas", diz o relatório.

Conforme o conselheiro relator substituto, João Batista de Camargo, algumas das obras consideradas essenciais para a realização do Mundial de futebol estão com os cronogramas seriamente comprometidos.

É o caso, por exemplo, da duplicação da Avenida Archimedes Pereira Lima (Estrada do Moinho), em Cuiabá, e da Estrada da Guarita, em Várzea Grande.

“Estamos a 50 dias da Copa e essas obras estão paralisadas. Há outras obras consideradas críticas, mas que são possíveis de serem concluídas, como as trincheiras do Santa Rosa e Jurumirim. Outras, como os Centros Oficiais de Treinamento, é possível que não fiquem concluídos totalmente, porque essas obras não estão evoluindo”, disse.

 

Segundo o conselheiro, o grande volume de chuvas na Capital tem atrapalhado o ritmo das obras, mas se trata de um fator já esperado entre os meses de dezembro e março e já deviam estar previstos no planejamento do Estado, quando do início dessas obras.

O relatório, inclusive, traz um histórico das chuvas em Cuiabá de 2010 a 2014, sempre nesse período, demonstrando que o tempo instável já era previsível.

“Obras onde há escavações, terraplanagem e pavimentação, quando chove, ficam paradas por dois ou três dias, porque é preciso esperar o terreno secar. O fato de que essas obras não evoluem nesse período de chuva já era esperado. Isso era previsível. O que era previsível, era possível de ser executado. Faltou planejamento”, disse.

De acordo com o conselheiro, algumas obras consideradas críticas atualmente poderão ser finalizadas até maio, caso haja uma gestão eficaz e a melhora do tempo.

“Infelizmente, nessa altura do campeonato, precisamos que a chuvas cessem. E as empresas precisam alocar dois ou até três turnos em algumas delas para que sejam concluídas”, afirmou.

Obras essenciais

O relatório apresenta um quadro com a previsão do percentual já executado até o dia 20 de abril, onde aponta que a única obra com conclusão confirmada para maio – ainda que com ressalvas – é a Arena Pantanal, que se encontra com 99% dos serviços concluídos.

 

“Preocupa a montagem das cadeiras e os ajustes nas instalações especiais. A pavimentação de parte do estacionamento com brita graduada (alteração contratual) não teve o resultado esperado e deverá ser revista após a Copa”, diz trecho do documento.

Outra obra considerada essencial para o torneio, a reforma e ampliação do Aeroporto Marechal Rondon já se encontra com 75% dos serviços concluídos, segundo o TCE, além de um ritmo bom de execução.

No entanto, a obra não deverá estar totalmente completa e o terminal operando em 100% até o dia 31 de maio. Para maio, são esperadas a conclusão do estacionamento e dos trabalhos de adequação do sistema viário devem iniciar rapidamente e de modo a minimizar os prejuízos aos usuários.

“A área internacional e a nova praça de alimentação não devem ficar prontas até a Copa, até porque os espaços comerciais precisam da concessão da Infraero”, disse Camargo.

O prazo para a finalização da obra é curto, segundo o conselheiro, o que exige uma gestão rigorosa da obra nos próximos dias para garantir que os turistas não se deparem com uma “zona de guerra” ao desembarcarem na cidade para a Copa.

 

“Acredito que dentro de 20 dias, o aspecto visual daquela entrada e saída do aeroporto já estarão diferentes, porque o processo de drenagem e terraplanagem nesses pontos já estão na fase final”, disse.

Os COTs da Barra do Pari e da UFMT, com 60% de execução cada, também preocupam o TCE. De acordo com o relatório, apesar do ritmo dos trabalhos estar mais intenso do que em 2013, algumas etapas são preocupantes e necessitam de um ritmo ainda maior.

No caso do COT da UFMT, preocupam a instalação da estrutura metálica de cobertura, os níveis superiores e a pista de atletismo, por se tratar de algo com alta complexidade.

Já quanto ao COT do Pari, o relatório aponta que restam executar muitos serviços que dependem de insumos caros, como elevadores, assentos, pisos, metais e instalação elétrica e de ar condicionado.

A pavimentação e restauração de ruas localizadas no entorno da Arena Pantanal são passíveis de serem concluídas até maio, de acordo com o TCE. Esses contratos encontram-se com 80% e 70% dos serviços já executados, respectivamente.

Entorno da Arena

Segundo a Comissão do TCE, a Avenida Oito de Abril deverá ser concluída até 31 de maio – desde que seja feito com qualidade, para não precisar ser refeito após a Copa –, mas o mesmo não se pode dizer da implantação do coletor tronco no Córrego Mané Pinto. Atualmente, a obra está com 50% dos serviços concluídos.

 

“Com o término das chuvas, há urgência em reparar a parte final do canal”, diz trecho do documento.

Já a duplicação da Rodovia Mário Andreazza (85%) possui “trechos complicados”, segundo o relatório, como é o caso de um trecho de aproximadamente 400 metros localizado próximo ao posto “Papito”, que possui muitos buracos e ainda não foi duplicado.

“É necessário desapropriar parte da área do posto para o início dos trabalhos”, disse.

Em frente à Fábrica da Coca-Cola há outro trecho que precisa ser concluídos, mas havia poucos operários trabalhando ao longo da obra, conforme o documento.

Já quanto à duplicação da Estrada da Guarita, que está com 77% dos serviços concluídos, o término está "irremediavelmente comprometido se as interferências (desapropriações, postes, contenção) não forem eliminadas com a máxima urgência".

“Esta obra é de suma importância para a realização da Copa do Mundo, pois é um caminho curto e rápido para se deslocar do Aeroporto Marechal Rondon até à Arena Pantanal”, diz trecho do relatório.

Mais relatórios

A comissão do TCE promete apresentar outros dois relatórios a respeito desses 16 contratos até o início da Copa do Mundo, em 12 de junho.

 

 

LISLAINE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO

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