24/04/2015 - Romoaldo e Dilmar marcam data de oitiva; Savi e Sérgio não respondem

Com foro privilegiado e, portanto, com a prerrogativa de escolher a data e o local em que serão ouvidos, os deputados estaduais Romoaldo Júnior (PMDB), ex-presidente da Assembleia, e Dilmar Dal Bosco (DEM) já informaram à Justiça quando serão ouvidos no processo relativo à Operação Imperador, que apura suposto desvio de, pelo menos, R$ 62 milhões no Legislativo.

 

Por meio de ofício, Romoaldo informou que estará presente no Fórum de Cuiabá, na próxima terça (28), às 13h30, mesma data em que o ex-presidente da Assembleia José Riva (PSD), preso desde 21 de fevereiro, será interrogado. O social-democrata é apontado pelo MP como o líder de um grupo que fraudava licitações no Parlamento.

 

Dilmar, por sua vez, informou que comparecerá ao Fórum, na segunda (27), às 17h para ser inquirido. A Justiça aguarda ainda, entretanto, resposta de outras duas pessoas com foro privilegiado: o deputado estadual Mauro Savi (PR) e o ex-deputado, hoje conselheiro Sérgio Ricardo. Ambos exerceram o cargo de primeiro-secretário (ordenador de despesas), em épocas distintas, mas em períodos em que Riva era presidente. Além deles, entre as testemunhas “ilustres” estão o ex-governador Silval Barbosa, que seria interrogado na segunda, mas conseguiu dispensa; e os ex-deputados Carlos Azambuja (PP), Airton Português (PSD) e Luiz Marinho, que serão inquiridos na terça.

 

A defesa de Riva, sob Rodrigo Mudrovitsch, chegou a solicitar, por duas vezes, que a juíza da 7ª Vara Criminal, Selma Arruda, autorizasse a convocação do deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) e do federal Ezequiel Fonseca (ex-deputado estadual). Mudrovitsch argumenta que ambos poderão atestar como se dava o recebimento dos materiais comprados na Assembleia. A magistrada, por sua vez, voltou a afirmar que não vê a necessidade de arrolar estas testemunhas, tendo em vista que este tipo de comprovação, acerca do recebimento dos materiais, deve ser feito de forma documental e não testemunhal.

 

Oitivas

As oitivas na Justiça tiveram início ontem (22) e ocorrerão hoje (23), sexta (24), além de segunda e terça, sempre a partir das 13h30. Cerca de 40 pessoas devem ser ouvidas. Na primeira rodada, o primeiro a falar foi o agiota Júnior Mendonça, delator de um esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros no Estado, que culminou na deflagração de 7 etapas da Operação Ararath, por meio da Polícia Federal.

 

Acontece que, no depoimento prestado à PF, Mendonça faz referência a esquemas envolvendo Riva, que, segundo o MP, têm ligação com a Imperador. À Justiça, o agiota voltou a citar empréstimos feitos à Riva, que seriam destinados à manutenção do esquema, envolvendo deputados e a imprensa. Citou também transações supostamente feitas com Sérgio e Savi.

 

Depois foram ouvidas Tatiana Laura da Silva Guedes e Aurea Maria de Alvarenga Gomes Nassarden ex-mulher de Elias Nassardem e mulher de Jean Carlos, irmão de Elias, respectivamente. Elas alegaram desconhecer de possíveis movimentações ilegais da Livropel, empresa as quais eram sócias.  Ambas, contudo, afirmaram que o poder aquisitivo dos respectivos citados melhorou após a empresa passar a fornecer material para o Parlamento.

 

A última a depor foi Edna Aparecida de Matos, analista contábil do Ministério Público. Coube a ela analisar a documentação relativa à aquisição de material para a Assembleia. O que mais chamou a atenção, segundo ela, foi a quantia exorbitante de materiais para escritório. Lembrou que existem pedidos de 70 milhões de envelopes pardos e milhares de tonners e cartuchos, quando na verdade, o Legislativo, dependendo da época, constava com cerca de 140 a 160 impressoras, conforme inventário permanente.

 

A servidora ressaltou também que não foi apresentado nenhum registro contábil das empresas citadas, bem como registro das movimentações financeiras junto a Sefaz, tornando a operação ilegal. Hoje depõem Wilson da Silva Oliveira, Augusto César Menezes e Silva, Arlindo Santos Macedo e Evandro Ferraz Lesco.

 

 

Patrícia Sanches

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