24/06/2011 – 08h:10 Soldado é expulso da PM por suspeita de matar jovem grávida em Cuiabá

 Comando da PM garante que indícios de envolvimento são fortes.

A jovem estava grávida de oito meses e corpo foi encontrado em matagal.

O soldado Claudemir de Souza Sales, de 30 anos, foi exonerado da Polícia Militar de Mato Grosso pelo Comando Geral da corporação por ser considerado o principal suspeito de matar a corretora de imóveis Ana Cristina Wommer, de 24 anos. As investigações apontam que ela mantinha uma relação extraconjugal com o policial e estava grávida de oito meses.

No depoimento à polícia como na defesa apresentada à corporação, o soldado Sales negou qualquer envolvimento no crime e que tenha matado Ana Cristina. O crime ocorreu no dia 22 de agosto de 2010, em Cuiabá, e o corpo da corretora foi encontrado pela polícia dois dias depois erm um matagal próximo da BR-364, na saída da capital para Rondonópolis. O feto também foi encontrado pelos policiais sob as roupas da vítima.

De acordo com o Instituto Médico Legal da capital (IML), a morte da jovem foi causada por um choque hipovolêmico (perda excessiva de sangue), em decorrência do trabalho de parto, aliado à falta de socorro. O policial militar estava há sete anos na corporação e era integrante da Rondas Táticas Ofensivas Metropolitanas (Rotam). Ele está preso administrativamente pelo comando da PM.

O relatório publicado pelo Comando da PM aponta não restar dúvidas da participação do soldado no crime diante das provas apresentadas nas investigações. "Tudo indica ser o Sd PM Claudemir de Souza Sales o autor do crime. Concluo que os indícios são fortes de que o acusado cometeu o crime contra Ana Cristina Wommer e as provas aduzidas neste processo apontam com muita clareza que o soldado é o autor, pois encontrou com a vítima por duas vezes antes do crime", consta trecho da decisão.

O documento destaca encontros entre o policial e a jovem tanto na data do crime como no dia anterior. "Fato que é confirmado no seu próprio depoimento, que está em sintonia com as testemunhas, que afirmam ter recebido inúmeras ligações telefônicas da vítima, que alegava estar em companhia do acusado, como ainda nos dados telefônicos comprovam que a vítima e o acusado se comunicaram (várias vezes)", diz trecho.

Outro ponto em destaque é quanto ao automóvel, um Gol preto ano 2008, supostamente usado pelo militar para transportar o corpo até as margens da rodovia e que foi vendido no mesmo dia do crime. O comprador do veículo de Sales confirmou em depoimento à polícia que o carro apresentava mau cheiro e que pagou apenas R$ 3,5 mil, valor abaixo de mercado. Perícia realizada no automóvel também confirmou que o sangue encontrado no porta-malas era da corretora Ana Cristina.

"Não obstante, para cristalizar a conduta criminosa do acusado depois de cometer o crime levou o seu veículo para ser lavado, tendo posteriormente, o vendido com a finalidade de ocultar provas, e por fim, consta nos laudos periciais realizado no veículo sangue humano e fios de cabelos", apontou a decisão.

As investigações apontam que no dia do crime, a corretoria teria procurado o policial cobrando dinheiro para o enxoval do bebê. Na ocasião, o soldado teria se recusado a dar o dinheiro e Ana Cristina o ameaçou dizendo que contaria à esposa sobre o relacionamento dos dois.

 

Kelly Martins

Do G1 MT

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