24/07/2012 - Falta de logística ameaça expansão de última fronteira agrícola em MT

 

Região do Araguaia é aposta para elevar produção de grãos.
No entanto, sofre com falta de trafegabilidade como na rota do calcário.

 

É na chamada última fronteira agrícola, na região do Araguaia mato-grossense, onde se prevê uma das últimas expansões da área agricultável no estado. Aos poucos, terras degradadas vão se tornando espaços propícios ao cultivo de lavouras de soja. Mas a expansão que ajudará o estado a elevar a safra de grãos não está ocorrendo com a velocidade que se previa, alertam produtores da região. Estradas sem condições de trafegabilidade estão dificultando a chegada de insumos até as propriedades rurais e impactado nas conversões, descreve Gilmar Dell'Osbell, presidente do Sindicato Rural de Querência, cidade a 912 quilômetros de Cuiabá, e vice-presidente leste da Associação dos Produtores de Soja e Milho.

De acordo com a Aprosoja, o Araguaia possui 6 milhões de hectares em áreas de pastagem. É a maior de Mato Grosso, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. Destes 6 milhões de hectares, um total de 3,1 milhões possui mais condições de ser usado na agricultura. São áreas planas, já abertas e de solo degradado, que podem ser adaptados para o plantio de grãos.

 

"Não se está conseguindo avançar na transformação da pecuária para a agricultura da forma como queriam [os produtores] em função que as estradas não têm condições nem para a chegada do calcário e nem para o escoamento da produção e o tráfego de qualquer tipo de veículo na época das chuvas", descreve Gilmar Dell'Osbell.

A preocupação é com a chamada 'rota do calcário', que compreende a MT-326 (ligando Cocalinho, a 765 quilômetros da capital, até a BR-158, já na divisa com o estado de Goiás) e cuja extensão soma imadamente 150 quilômetros. Na região estão localizadas as duas jazidas onde é produzido o calcário para atender produtores. Mas como explica o presidente do Sindicato Rural, trafegar pelo trecho onde não há asfalto está custando caro.

"É uma nova fronteira agrícola, mas não consegue avançar da forma que precisa recuperar as pastagens para transformá-las em lavouras em função também da falta de calcário por causa de se não se ter trafegabilidade", ressalta o produtor. Ainda segundo o dirigente, a demanda por este produto na região gira em torno de 1,3 milhão de toneladas.

Rota do Calcário (Foto: Gilmar Dell'Osbell)Rota do Calcário na região do Araguaia matogrossense  (Foto: Gilmar Dell'Osbell)

A rota, de pouco mais de 30 quilômetros na MT-326 entre o trevo de Nova Nazaré até a BR-158, seria a rota ideal para levar o calcário destas jazidas até as regiões produtoras de grãos localizadas no nordeste do estado. Porém, este trecho não está contemplado nos programas de pavimentação estadual. E aí que entram as reivindicações do setor produtivo.

Segundo Gilmar, ao invés desta rota de 30 quilômetros, o que está contemplado no programa de pavimentação é a MT-240, que liga o mesmo trevo de Nova Nazaré ao município de Água Boa, que tornará o percurso do calcário até as propriedades 40 quilômetros mais longo.

O resultado é um percurso maior e mais tempo na estrada, além do custo do frete, que fica mais caro. Para levarem o insumo até as sedes das fazendas, ou mesmo retirar a produção dos armazéns produtores pagam até R$ 2 por saca com o frete, de acordo com as distâncias das fazendas, explica Gilmar Dell'Osbell. "As usinas não incrementam a produção porque não têm jeito de escoar".

Indo a Goiás
Produtor em Nova Xavantina, a 651 quilômetros de Cuiabá, o produtor Endrigo Dalcin adquire os insumos necessários para as lavouras de soja e milho diretamente de Itaberaí (GO). Segundo ele, há mais vantagens em percorrer os quase 400 quilômetros que separam os municípios de Mato Grosso e Goiás que fazer os 160 quilômetros em direção à jazida em Cocalinho, no Araguaia mato-grossense.

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carreta parada na estrada (Foto: Gilmar Dell'Osbell)Problemas fazem motorista interromper viagem
 por rota do calcário (Foto: Gilmar Dell'Osbell)

"O acesso ao calcário é feito por estradas de chão. Mesmo sem asfalto, mas se tivesse a manutenção seria melhor, porque o tráfego na estrada é muito pesado", pondera o agricultor. Na ponta do lápis, apesar de andar mais o produtor tem pago menos na hora de comprar fertilizante no estado vizinho. A relação gira em torno de pouco mais de R$ 90 via Goiás para outros cerca de R$ 100 pela rota do calcário.

"Se tivesse o asfalto seriam mais fáceis os 160 quilômetros", acredita o produtor de Nova Xavantina.

Recursos
Parte dos recursos utilizados pelo governo do estado para obras nas rodovias estaduais originam-se do Fundo de Transporte e Habitação (Fethab), cobrado no transporte de toda produção agrícola e pecuária e objetiva financiar o planejamento, execução e acompanhamento dos serviços nos setores de transporte e habitação do estado.

Somente em 2011 a arrecadação total somou R$ 568 milhões, com a soja contribuindo em R$ 123 milhões. No tocante às obras de melhorias nas estradas, o secretário estadual de Transportes, Arnaldo Alves, afirma que neste ano o governo deve destinar R$ 2,2 bilhões para atender às obras nas rodovias.

Em função das obras para a Copa do Mundo em Cuiabá, o Fethab deve direcionar em torno de R$ 1 bilhão para as demandas.
 

Leandro J. NascimentoDo G1 MT

Comentários

Data: 25/07/2012

De: RICARDO

Assunto: ESTRADA

ESSA CONVERSA DE ESTRADA ASFALTADA EU JA ESCUTO JA FAZ TRINTA ANOS , ESSA E MAIS UMA BALELA DE POLITICOS CORUPTOS QUE NOS TEMOS NO NOSSO ESTADO E TAMBEM NO BRASIL.QUEIRA QUE EU ESTEJA ENGANADO DESTA VEZ .

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