24/08/2015 - Maluf diz que gestão acabou com diretoria e baixo clero, fala sobre a relação com o Executivo e projetos

O deputado Guilherme Maluf (PSDB), que assumiu a presidência da Assembleia em 1º de fevereiro, em entrevista ao Rdnews, fala sobre os avanços alcançados desde que assumiu o posto. Aponta que hoje há mais valorização dos debates no Legislativo e da participação dos deputados nas comissões existentes.

 

Ele acredita também que antigamente existia desigualdade entre os parlamentares que já foi combatida nessa gestão. O tucano comenta ainda sobre a relação da Assembleia com o Executivo, a possibilidade de assumir vaga no TCE e as futuras pretenções políticas.

Rdnews – Como o senhor avalia esse primeiro semestre na presidência da Assembleia?

Guilherme Maluf – Extremamente positivo, mas nós os temos que ressaltar que o Parlamento vinha sendo conduzido de uma forma por um longo período e nós assumimos, eu, Nininho e os outros deputados que compõem a Mesa, com objetivo de promover mudanças. Tivemos muitos avanços. Não resolvemos todos os problemas. Isso vai demandar tempo. Não é em uma legislatura que vamos conseguir.

 

Rdnews – Quais foram os avanços na prática?

Maluf - Conseguimos enxugar em 20% o quadro funcional e pela primeira vez na história, fazer devolução de recursos ao Estado. Agora, aguardamos compra das ambulâncias. Inauguramos a rádio FM, que começou a ser implantada na gestão passada e é considerada como um marco na comunicação do Legislativo.  Além disso, convocamos os concursados e avançamos o cadastro reserva em mais de 40 pessoas. 

Rdnews – Houve avanços na produção legislativa?

Maluf - Nós resgatamos os debates na Assembleia e passamos a valorizar as comissões. Antes, os deputados nem frequentavam. Hoje tem debates que iniciam nas comissões e depois continuam em plenário. Hoje, três CPIs estão em andamento. Realizamos várias audiências públicas e os deputados apresentaram diversas proposituras.

 

Rdnews – Como é a relação da Mesa com os deputados?

Maluf – É uma relação de muito respeito. Nivelamos os ganhos. Havia muita diferença entre os deputados e hoje existe um nível só. Acabou aquela condição de diretoria e baixo clero.

 

Rdnews – E as inovações?

Maluf – Estamos implantando o Núcleo de Assuntos Internacionais da Assembleia para tratar de assuntos como ZPE de Cáceres, relações com a Bolívia e a Ferrovia Transoceânica. Também vamos realizar quatro fóruns sobre desigualdades regionais, fronteiras, região metropolitana e logística que resultarão em seminários e livros para expansão do conhecimento. Nas comunicações, até o final do ano vamos levar os sinais da TV e da FM para os 141 municípios.

 

Rdnews – A política de austeridade da Mesa Diretora enfrentou resistências?

Maluf – No inicio, sim. Nossa gestão trabalha para mudar uma cultura e isso demanda tempo e o desejo de mudança.  O ponto positivo é que os deputados entendem o novo momento que o Estado vive e apóiam a gestão transparente como o povo quer.

 

Rdnews – Neste processo de mudança existe diálogo com o Ministério Público?

Maluf - Estamos trabalhando com Ministério Público, mas não de forma subserviente. As recomendações do MP estão sendo observadas. Aprimoramos o controle dos gastos com combustível e a transparência no relacionamento com as gráficas, que no passado causaram problemas. 

 

Rdnews – O senhor cedeu à pressão dos deputados na concessão de passagens aéreas?

Maluf – Não é por aí. Interrompemos contratos que estavam com as licitações vencidas ou irregulares. Muitos contratos foram reformados com economia de 20%. O contrato das passagens aéreas estava vencido. Por isso, renovamos de forma emergencial e agora encaminhamos a nova licitação.

 

Rdnews – Dizem que a Assembleia é “puxadinho” do Palácio Paiaguás. Isso é verdade?

Maluf – A relação é harmônica sem subserviência. A prova disso é a tramitação da LDO. Foram apresentadas centenas de emendas e eu não permiti a votação sem que todo o processo legislativo fosse observado.  É claro que o governo  tem maioria e algumas vezes vai patrolar. Faz parte do jogo democrático.

 

Rdnews - O senhor se coloca como possível candidato a prefeito de Cuiabá?

Maluf  - Não. Tenho pretensões políticas que inclui Câmara dos Deputados, Senado e quem sabe, no futuro, governo do Estado. Prefeito de Cuiabá, não.

 

Rdnews – Nos bastidores, corre a informação que o senhor almeja ser conselheiro do TCE. Procede?

Maluf – Meu foco é cumprir meu mandato de presidente da Assembleia. Se a vaga abrir durante esses dois anos, é de outro deputado. Depois, tudo é passível de debate.

 

 

Jacques Gosch

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