24/09/2015 - “Estou pegando, talvez, a pior fase do Legislativo”, diz Maluf

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), afirmou ter sido “pego de surpresa” com a realização da Operação Metástase, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), na manhã desta quarta-feira (23). 

Os alvos foram servidores da Assembleia Legislativa, acusados de organização criminosa, peculato e falsidade documental. 

“Sei que, como presidente da Casa, estou a frente de uma missão dura. As pessoas tem me dito isso e sei que eu estou pegando, talvez, a pior fase do Legislativo”, afirmou o presidente, em entrevista ao programa Chamada Geral, daRádio Mega 95 FM.

Ainda durante a entrevista, Maluf disse que, lamentavelmente, a Assembleia está envolvida em todos os grandes escândalos que ocorreram em Mato Grosso nos últimos anos. 

Sem citar nomes, ele lembrou que assumiu a presidência da Casa após uma série de gestões comandadas pelo ex-presidente José Riva (PSD), que também é alvo de operações recentes realizadas no Estado, como a "Ventríloquo" e a "Imperador", ambas também desencadeadas pelo Gaeco. 

“Enfrento uma missão difícil, que é uma transição após um período de 20 anos de uma gestão. Nos últimos anos, a Casa esteve envolvida em todos os escândalos do Estado”, disse. 

Na avaliação de Maluf, o Legislativo e os demais poderes do Estado precisam passar por um "processo de limpeza”. 

“Diria que não só a Assembleia, mas também o Executivo, o Judiciário. O próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fez um trabalho de limpeza no Poder Judiciário e os três poderes do Estado precisam passar por essa limpeza”, afirmou. 

“Isso é necessário para que Mato Grosso volte a reconquistar sua credibilidade. Nossa credibilidade lá fora não está boa, em função de todos esses escândalos”, completou. 

Servidores serão punidos administrativamente 

Em nota encaminha à imprensa, na tarde desta quarta-feira (23), a Mesa Diretora da Assembleia afirmou que está analisando as informações da Operação e, posteriormente, anunciará as medidas administrativas a serem tomadas. 

"Na comprovação de crimes que causaram dano ao erário, qualquer servidor envolvido será punido conforme determina a lei", diz trecho do documento. 

Operação 

Segundo o Gaeco, entre os crimes investigados na operação estariam desvios de verbas destinadas aos gabinetes dos deputados.

Ao todo, foram expedidos 22 mandados de prisão temporária pela Vara de Combate ao Crime Organizado da Capital. 

Até o momento, 21 pessoas já foram presas. Apenas Odnilton Gonçalo Carvalho Campos, que atua como motorista de Janaina Riva (PSD), continua foragido.

Há, também, mandados de busca e apreensão e várias pessoas estão sendo intimadas para depor.

A ação é coordenada pelo Ministério Público Estadual (MPE), da qual o Gaeco faz parte, Polícia Civil e Polícia Militar.

As investigações foram feitas pelo Gaeco e o Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa do MPE.

Confira nota da Assembleia na íntegra:

"A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) informa que vem colaborando com todas as ações realizadas pelo Ministério Público Estadual (MPE). Desde o início da nova gestão, o Poder Legislativo vem prestando todas as informações solicitadas em nome do restabelecimento da verdade dos fatos e do resguardo da imagem da Casa de Leis.

Em relação às prisões temporárias realizadas durante a Operação Metástase, a Mesa Diretora esclarece que está analisando as informações da Operação para posteriormente anunciar quais medidas administrativas serão tomadas. Na comprovação de crimes que causaram dano ao erário, qualquer servidor envolvido será punido conforme determina a lei.

A Assembleia Legislativa já aprovou em primeira votação o projeto de resolução 103/2015, que suspende a concessão e pagamento das verbas de suprimento de fundo. Com a liberação das pautas após as votações de 130 vetos, a proposta já esta em pauta para votação final. A exclusão desse benefício também consta no projeto de resolução de medidas de transparência anunciado na semana passada, em conjunto com o MPE.

Presidência – Sobre as servidoras lotadas na presidência, presas na Operação, Laís Marques de Almeida e Leonice Batista de Oliveira, o presidente da ALMT, Guilherme Maluf, esclarece que eles desempenham funções estritamente técnicas e passarão pelos mesmos procedimentos que forem definidos para todos os servidores envolvidos na investigação.

Em nome da transparência, segue as informações relacionadas aos servidores presos:

 

NOME

VÍNCULO

LOTAÇÃO

Abemael Costa Neto

Exonerado

 

Agenor Jácomo Clivanti Júnior

Efetivo  

Lotado na Ouvidoria Geral

Ana Marins de Araújo Pontelle

Efetivo

Lotada no gabinete da deputada Janaina Riva

Atail Pereira dos Reis

Comissionado

Lotado no gabinete da deputada Janaina Riva

Felipe José Casaril

Comissionado

Consultor Técnico Jurídico da Mesa Diretora

Frank Antônio da Silva

Exonerado

 

Geraldo Lauro

Efetivo

Gabinete do deputado Gilmar Fabris

Hilton Carlos da Costa Campos

Sem vínculo com a Assembleia Legislativa

 

João Luquesi Alves

Efetivo

Procuradoria Geral

José Paulo Fernandes de Oliveira

Comissionado

Gabinete da deputada Janaina Riva

Laís Marques de Almeida

Comissionado

Presidência da Assembleia Legislativa

Leonice Batista de Oliveira

Comissionado

Presidência da Assembleia Legislativa

Maria Helena Ribeiro Alves Caramelo

Efetivo

Gabinete do deputado Gilmar Fabris

Maria Hlenka Rudy

Comissionado

Gabinete da deputada Janaina Riva

Mário Márcio da Silva Albuquerque

Exonerado

 

Marisol Castro Sodré

Exonerado

 

Odnilton Gonçalo Carvalho Campos

Comissionado

Gabinete da deputada Janaina Riva

Sérvio Túlio Migueis Jacob

Efetivo

Procuradoria Geral

Talvany Neiverth

Comissionado

Gabinete da deputada Janaina Riva

Tania Mara Arantes Figueira

Exonerado

 

Vinícius Prado Silveira

Comissionado

Secretaria de Controle Interno

Willian César de Moraes

Comissionado

Gabinete da deputada Janaina Riva

 

 

Camila Ribeiro 
Da Redação

 

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