25/01/2016 - Delegado de Vila Rica reclama de estrutura e diz que alimenta presos com dinheiro próprio

25/01/2016 - Delegado de Vila Rica reclama de estrutura e diz que alimenta presos com dinheiro próprio

Desde o fechamento da Cadeia Pública de Vila Rica, a 1.276 km de Cuiabá, em 2013, os presos estão ficando provisoriamente na delegacia do município. O delegado Gutemberg Almeida diz que está tirando dinheiro do próprio bolso para custear a alimentação deles. Revoltado, ele denunciou a situação precária em um vídeo (veja abaixo).

 

O preso, que deveria ser encaminhado para um presídio em poucos dias, acaba ficando na delegacia por meses à espera de transferência. Segundo o delegado, as condições de higiene são precárias e não há veículo para transporte ou recursos para alimentação. Ele disse que gasta, em média, R$ 200 por mês com as refeições dos presos.

 

Atualmente, seis pessoas estão na delegacia, sendo três mulheres e três homens. Uma das detidas está grávida de oito meses. Os presos ocupam duas celas separadas que teriam capacidade para, no máximo, cinco pessoas. No entanto, o local já chegou a abrigar 17 pessoas, como no final de 2015.

 

A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado (Sejduh) informou que as mulheres presas na delegacia de Vila Rica serão transferidas para a cadeia pública de Canarana e os homens transferidos para a cadeia pública de Porto Alegre do Norte e Água Boa, na próxima semana, mas ainda não há data. Também não foi definido se esse transporte vai ser feito por agentes penitenciários ou pela Polícia Civil.

 

“Na cadeia, havia um sistema para o transporte e a alimentação dos presos. Na delegacia, isso não existe. A alimentação deles é feita por nós e pela família de cada um. Eu também tiro no meu bolso, faço comida em casa e trago para eles. Hoje por exemplo vou ter que trazer [a refeição] de casa de novo", afirmou.

 

“Os presos da delegacia ficam praticamente sem ver o sol, porque não temos como fazer o banho de sol. As celas não tem colchão, eles dormem no chão. As condições de higiene são precárias. Apenas a cela das mulheres tem uma ducha, mas a dos homens não. Eles tomam banho de mangueira. Passamos a mangueira por dentro da delegacia”, declarou.

 

Gutemberg também se diz preocupado com as condições inseguras para transferência dos detidos.

 

“Todo preso fica na delegacia até que seja removido para a cadeia de Água Boa [cidade a 736 km de Cuiabá], que fica a 500 km daqui. Com a interdição [da cadeia], eles ficam sob a custódia da Polícia Civil. O transporte é feito nas nossas viaturas e não tem segurança nenhuma. O preso vai sentado no banco de trás”, explicou.

 

“Às vezes dois [policiais] se deslocam em condições de risco com até três presos na viatura. Vai mais preso do que policial”, ironizou Gutemberg.

 

Denúncia à secretaria

De acordo com o delegado, policiais civis da delegacia estão fazendo o trabalho que seria de competência da Sejudh.

 

Ele diz que enviou ofícios e já comunicou a situação à Sejudh e a própria Polícia Civil. No entanto, sem respostas práticas, viu-se obrigado a "se virar" para dar comida aos presos. As refeições às vezes são obtidas por meio de doações de comerciantes e donos de restaurantes.

 

Para o delegado, a situação atrapalha as investigações dos policiais e a solução dos crimes que ocorrem na cidade.

 

“Essa situação nos atrapalha, e nosso trabalho fica prejudicado. No dia que tem transporte de preso, por exemplo, a delegacia não trabalha. Temos uma detenta que está na delegacia desde novembro, porque a unidade feminina de Água Boa fechou”, lembrou.

 

Veja o Video: www.youtube.com/watch?v=1t0wUN3ba30

 

 

Fonte: Denise Soares com G1 e Eldorado FM

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