25/03/2015 - Em depoimento, Pérsio alega que Marchetti o pressionou por propina

O empresário Pérsio Briante, que perdeu o benefício da delação premiada e ficou na condição de testemunha na ação penal originada pelo Escândalo do Maquinário, prestou depoimento, na tarde desta terça (24). Na audiência de instrução presidida pela juíza Selma Santos Arruda, titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, o empresário confirmou que o ex-secretário estadual de Infraestrutura Vilceu Marchetti, assassinado em setembro de 2014, fez pressão para receber propina de 10% sobre o valor das operações financeiras referentes ao Programa MT 100% Equipado.

 

O dinheiro, conforme as declarações, seria aplicado na campanha eleitoral de 2010. A testemunha, que era dono da empresa Extra Caminhões, confirmou também a participação no esquema para vender veículos ao Governo. Pérsio, entretanto, negou o pagamento dos 10% do valor do negócio a título de propina, afirmando sentir prazer em enganar Marchetti.

 

Segundo a advogada Samantha Gahyva, que patrocina a defesa de Pérsio Briante, o empresário também negou ter superfaturado o preço dos caminhões vendidos ao Estado. Como justificativa para o preço mais elevado, argumenta que a empresa era pequena e não conseguia concorrer em igualdade de condições com as multinacionais que participaram da licitação. “Meu cliente admitiu que pegou dinheiro no Bic Banco e com Valdir Piran. As transações foram legais e já estão quitadas. Por isso, não tiveram sucesso na tentativa de envolve-lo na Operação Ararath”, explica Samantha.

 

Os réus do Escândalo do Maquinário são acusados de fraudes à licitação e processual. Segundo o Ministério Público, a aquisição de caminhões atingiu a soma de R$ 241 milhões com pagamento de propina para favorecer determinadas empresas no processo licitatório. No total, foram arroladas 64 testemunhas que serão ouvidas até o próximo dia 27.

 

Entre elas estão o ex-secretário de Estado Eder Moraes e o promotor de Justiça Mauro Zaque, autor da acusação na esfera cível. Atual secretário estadual de Segurança Pública, poderá escolher o dia e a hora que achar mais conveniente para a oitiva. O senador Blairo Maggi (PR), governador à época que eclodiu o escândalo, possui prerrogativa de foro, mas deve depor através de carta precatória.

 

Réus

A lista de réus incluiu o ex-secretário de Estado de Administração Geraldo De Vitto; o ex-superintendente da secretaria de Infraestrutura, Valter Antônio Sampaio; o gerente de vendas a Governo da Iveco Latin America, Davi Mondim, e os empresários José Renato Nucci (Tork Sul Comércio de Peças e Máquinas); Rui Denardim (Mônaco Diesel Caminhões e Ônibus Ltda.); Sílvio Scalabrin (Mônaco Diesel Caminhões e Ônibus Ltda.); Harry Klein (Iveco Latin America); Valmir Gonçalves de Amorim (Dymak Máquinas Rodoviárias Ltda.); Marcelo Fontes Corrêa Meyer (Tecnoeste Máquinas e Equipamentos Ltda.); Ricardo Lemos Fontes (Cotril Máquinas e Equipamentos Ltda.); Otávio Conselvan (Auto Sueco Brasil Concessionária de Veículos Ltda.) e Rodnei Vicente Macedo (Rodobens Caminhões Cuiabá S/A).

 

 

 

Jacques Gosch

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário