25/04/2016 - Em ato favorável a permanência de Dilma, mulheres apontam machismo em acusações contra a presidente

Pelo menos cem pessoas se reuniram na Praça Alencastro para manifestar apoio a presidente Dilma Rousseff (PT), e repudiar críticas consideradas machistas, feitas ao seu governo na noite de sexta-feira (22). Organizado pelo Coletivo Feminista de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o manifesto contou com cartazes contrários ao impedimento da presidente e com frases de luta, especialmente relacionadas ao movimento feminista.

Sem a presença da Polícia Militar (PM), o ato, intitulado como “1964 Nunca mais! Ato pela defesa da Democracia”,  contou com a presença estudantes, professores, representantes de movimentos populares e simpatizantes as causas de minorias. Lá  eles batucaram e pronunciaram palavras de apoio ao governo, dispondo ainda de um espaço com microfone, aberto a depoimentos e relatos de diferentes movimentos. Não houve registro de desentendimentos durante o econtro,

A estudante de Jornalismo Ana Luisa Melo Ferreira, uma das representantes do coletivo, explica que a manifestação surgiu para mostrar que este tipo de atitude não passará e que as mulheres não aceitarão que seus direitos sejam atacados. “Depois da votação do impeachment nós ficamos muito revoltadas em ver a imagem de uma mulher ser atacada daquela forma. Existem sim críticas políticas que devem ser feitas â Dilma e são saudáveis em uma democracia, a questão é momento em que essas críticas têm um cunho machista ou misógino.”

Para exemplificar ela cita ainda um contexto de incitação de violência contra mulher, promovido principalmente por deputados como Jair Bolsonaro. “Depois que você vê o Bolsonaro homenageando um dos torturadores de Dilma, quando os deputados vaiaram mulheres com opiniões diferentes e ainda vaiando uma deputada que estava em licença maternidade, isso fica claro”, disse.

A jovem também menciona as tentativas de veículos midiáticos conservadores de desqualificar mulheres que destoam do comportamento imposto por moldes machistas, como no caso das revistas Veja e IstoÉ, que recentemente publicaram conteúdos considerados ofensivos e machistas.

“Quando um homem tem um ataque de fúria ele é visto como poderoso e destemido. Já a mulher não, elas são chamadas sempre de loucas ou histéricas. A figura feminina é muito mais fácil de ser atacada, já que vivemos em uma estrutura social na qual o homem se coloca acima da mulher, mantendo este padrão de que ela seria incapaz de fazer as mesmas atividades”, diz.

A representante do Movimento do Sem Terra (MST), Dê Silva, classifica o momento político vivido no país como alarmante, e afirma que não há como ignorar a hipótese de que as ofensas, vindas de uma onda conservadora que toma o Brasil, tenham motivação machista.

Em sua opinião o que está em jogo não é um cargo de presidência, mas um histórico de lutas e conquistas de direitos trabalhistas. Deste modo, quem mais perderá com a saída de Dilma, será a classe trabalhadora. Ela lembra a militância da presidente, sua prisão e tortura. “Em uma república que nunca teve uma mulher no comando e onde há uma oposição de direita tão conservadora, fica claro que é o momento mais oportuno para que as mulheres se organizem e vão as ruas.”

 

 

 

Da Redação - André Garcia Santana

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