25/05/2013 - Professor da UFMT revelou violência em artigo dois meses antes de ser assassinado

O professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) campus de Rondonópolis (212 km de Cuiabá) João Henrique Botteri Negrão, 64, encontrado morto na sua própria residência na noite de domingo (19), denunciou a violência na cidade em um artigo de opinião publicado no jornal A Tribuna

 


Botteri Negrão revelou que sua intenção [com o artigo] era “chamar a atenção das autoridades para o grave problema que está passando o Jardim Atlântico e seus arredores, no que diz respeito à segurança de seus moradores”. O texto do professor parecia um presságio. 

O artigo de Botteri Negrão foi publicado na edição do dia 19 de março deste ano, ou seja, dois meses antes de o autor ser assassinado por um tiro nas costas, na casa onde morava, localizada em uma chácara no Jardim Atlântico. O bairro é um dos mais tradicionais e  fica vizinho do campus da UFMT, no qual reside o professor, servidores, e academicos daquela instituição de ensino.  

Negrão relata ainda  que os assaltos e roubos têm sido a tônica diária dos habitantes do bairro. Ele conta que um supermercado foi assaltado em plena luz do dia, com trocas de tiros entre a polícia e bandidos. O professor chamou a atenção para o fato de o estabelecimento comercial estar cheio de clientes no momento do tiroteio, situação que não inibiu a violência.

Outro fato descrito pelo professor foi o assalto a uma moradora do bairro, que, segundo consta do artigo, foi rendida no ponto de ônibus por dois indivíduos os quais teriam levado todo o seu pagamento, marmita, relógio e documentos. A maior indignação, no entanto, foi o fato de os bandidos terem chamado a trabalhadora de vagabunda. “É o cumulo a inversão de valores”, ressaltou o mestre. 

A nostalgia também é parte do desabafo do professor. “Conversando com moradores mais antigos daqui, me lembraram de que houve um 
tempo que funcionava uma subdelegacia no prédio (que pertence a Prefeitura) onde funciona ou pelo menos está escrito em suas paredes, os Escoteiros”, relembrou.

O professor termina o texto fazendo um apelo às autoridades, ao clamar pela reativação da subdelegacia. “Vamos dar um pouco mais de paz para os moradores desta região. Tenho conversado com alguns comerciantes do local e eles se propõem, além de dar todo o apoio moral, fazer uma arrecadação para comprar uma escrivaninha, geladeira e outros elementos que forem necessários para o funcionamento da subdelegacia. Este é o nosso apelo”, finalizou.

O crime 

O professor foi encontrado morto por um amigo identificado como Francisco Alves de Araújo quando  ele foi até portão da chácara onde Negrão morava e o chamou pelo nome. Sem resposta, Francisco pulou o portão e entrou na casa e não encontrou ninguém. Ao chegar na área dos 
fundos, achou João Henrique deitado de bruços no gramado com uma mancha de sangue nas costas.

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, mas o professor já estava sem vida. Os vizinhos foram interrogados e informaram que ouviram barulho de tiros na noite de sábado por volta das 22 horas. 

Segundo a Polícia Militar, a bala atravessou o corpo da vítima, e, com base em investigações preliminares nada foi roubado da vítima, pois a carteira do professor estava em cima da mesa, com cerca de R$ 500 e os dois carros da família não foram levados.

Confira o artigo 

Jardim Atlântico pede socorro

“De uns tempos para cá, os assaltos e roubos têm sido a tônica diária dos habitantes do local”

Escrevo este artigo com o intuito de chamar a atenção das autoridades para o grave problema que está passando o Jardim Atlântico e seus arredores, no que diz respeito à segurança de seus moradores.

De uns tempos para cá, os assaltos e roubos têm sido a tônica diária dos habitantes do local. Há menos de um mês, um supermercado no centro da vila foi assaltado em plena luz do dia (por volta das 16h) e houve troca de tiros com a polícia isto, com o estabelecimento cheio de clientes, pondo em risco mais uma vez, quem estava fazendo suas compras. 

Poucos dias depois, veja a cara de pau e o sentido de impunidade dos bandidos, também por volta da mesma hora, dois motociclistas apontam uma arma para um outro e o fazem descer da moto levando-a sem contar, evidentemente, com os inúmeros roubos às residências.

Porém, o máximo foi uma trabalhadora amiga nossa, que por volta das 6h30 da manhã, indo para o seu trabalho, foi rendida no ponto de ônibus por dois indivíduos que levaram todo o seu pagamento, sua marmita, relógio e seus documentos e ainda, pasmem, a chamaram de vagabunda. É o cumulo a inversão de valores.

Isto, já se tornou tão comum que todos aqui sempre têm um caso de um amigo, um conhecido ou dele mesmo para contar.

Conversando com moradores mais antigos daqui, me lembraram de que houve um tempo que funcionava uma subdelegacia no prédio (que pertence a Prefeitura) onde funciona ou pelo menos está escrito em suas paredes, os Escoteiros. Aí pergunto, não seria o caso de reativar esta subdelegacia, pois os policiais localizados distante daqui, por mais boa vontade que tenham, dificilmente chegam a tempo de coibir estes assaltos.

Desta forma, vai um apelo às autoridades. Vamos reativar esta subdelegacia, vamos dar um pouco mais de paz para os moradores desta região. Sabemos que este fenômeno não se restringe somente no Jardim Atlântico e seus arredores, porém, devido ao fato de estar distante do centro e não ter mais um contingente de policiais que preventivamente coíba estes roubos, está sendo tranquilo para os assaltantes. Aliás, tenho conversado com alguns comerciantes do local e eles se propõem, além de dar todo o apoio moral, fazer uma arrecadação para comprar uma escrivaninha, geladeira e outros elementos que forem necessários para o funcionamento da subdelegacia. Este é o nosso apelo.

 

Da Redação - Katiana Pereira

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