25/09/2015 - Ex-secretários confessaram recebimento de propina, diz MPE

Na denúncia oferecida contra o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), os ex-secretários Marcel de Cursi (Fazenda) e Pedro Nadaf (Casa Civil), o Ministério Público Estadual (MPE) afirma que houve confissão por parte dos ex-secretários de recebimento de propina paga pelo empresário e delator do esquema João Batista Rosa, dono do Grupo Tractor Parts. Trechos de gravações realizadas com auxílio do MPE envolvendo encontros entre o delator e os acusados, foram transcritos e constam no documento.

O Ministério Público afirma que “as transcrições dos conteúdos das reuniões evidenciam a ação do grupo criminoso, oportunidade em que Pedro Nadaf e Marcel de Cursi confessaram o recebimento da vantagem financeira indevida”. No esquema, o delator afirmou que pagou R$ 2,5 milhões em propina para continuar usufruindo dos incentivos fiscais. Disse que a propina era destinada ao grupo do ex-governador Silval e pelo menos R$ 2 milhões foram para custear dívidas de campanha política. No total, foram denunciadas 6 pessoas numa ação penal que passa a tramitar na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

As reuniões ocorreram nos dias 19 e 21 de agosto deste ano por volta das 15h e 14h55, respectivamente nas dependências da empresa Tractor Parts Distribuidora de Auto Peças Ltda, localizada na Avenida Ulisses Pompeo de Campos, bairro Figueirinha,Várzea Grande. 

Consta na denúncia, que Josão Rosa após ter sido abordado por Pedro Nadaf quando caminhava nas proximidades da sua residência no Bairro Jardim das Américas, se sentiu intimidado pois havia segundo ele, uma persistência do ex-secretário em atrelar sua defesa aos interesses do grupo criminoso. A intimidações, segundo ele se intensificaram e aliado à constatação de que havia sido enganado pelos referidos agentes, então secretários de Estado e o próprio governador, o compeliu a procurar advogado e, posteriormente, o Ministério Público e Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.

“Assim, com o fito de resguardar seus interesses e demonstrar que não havia pactuado com as irregularidades identificadas nos processos de concessão do Prodeic, procedeu a gravação de escuta ambiental de duas reuniões realizadas com a organização criminosa”, consta na denúncia assinada pela promotora de Justiça, Ana Cristina Bardusco.

 

Welington Sabino, repórter do GD

 

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