26/01/2011 13h:52 Indios Xavante acham que rio está sendo contaminado por dejetos de presidio em Água Boa

César Messia Tsereinhouma, Jair Ropéiwa (AISAN) e o cacique Paulo Tsereurã (Água Boa News)

A comunidade indígena Xavante da Aldeia Belém (terras de Pimentel Barbosa) município de Canarana que é composta por 201 pessoas, estão aguardando a realização de um trabalho de monitoramento da qualidade da água e reprodução dos peixes que será executado pelo CTI - Centro de Trabalho Indigenista sediado em Brasília (DF).

Segundo o cacique e professor Paulo Tsereurã o trabalho foi solicitado devido à baixa reprodução dos peixes após a construção da Unidade Prisional Major Zuzi que jogam os dejetos da cabeceira de uma nascente afluente do Rio Água Suja principal fonte de alimentação da comunidade. “Todo ano nas primeiras chuvas acontece a mortandade de peixes. Eles sobem para reprodução e deparam com a água de má qualidade e poderá estar afetando a reprodução, por que os alevinos não têm resistência nenhuma e vira presa fácil dos predadores”, disse o líder indígena.

O Agente Indígena Sanitarista (AISAN) Jair Ropéiwa que é funcionário de uma ONG terceirizada da FUNASA e responsável pela qualidade da água na aldeia e disse que a comunidade usa para a alimentação somente água de poço artesiano. O córrego da Areia que passa nos fundos da Aldeia muito usado para o banho é apenas afluente do Rio Água Suja e a nascente é dentro da própria reserva. “A comunidade não corre risco com relação ao consumo da água caso o Rio Mestre esteja contaminado e sim com os dejetos do Presídio, porque os peixes podem estar contaminados e é a nossa principal fonte de alimentação”.

O cacique Paulo está preocupado que mesmo sendo reparada a ETA- Estação de Tratamento de Esgoto, se a água ficará com qualidade suportável. Por isso que o trabalho dos pesquisadores do CTI é muito importante, por que além monitorarem a qualidade da água, irá fazer um diagnóstico em cada afluente, para saber quais as espécies estão reproduzindo. “Apesar da nossa cultura ser diferente, somos seres humanos e vivos, somos gente. O que o branco poderá estar fazendo atrapalha o meio ambiente e a nossa alimentaçã".

Além dos índios algumas comunidades rurais que compõe a Bacia do Rio estão preocupadas com a qualidade das águas. "Antes o rio era piscoso, ultimamente os peixes desapareceram", disse um fazendeiro preocupado. (Por Kassu/Água Boa News)