27/01/2014 - Soja chega forte ao Norte do Araguaia, ‘ataca’ última fronteira agrícola de Mato Grosso e gera esperança

O ‘mar verde’ desde a beira da rodovia até se perder de vista no horizonte é prova de que o cultivo da soja chegou de vez do Nordeste de Mato Grosso, o chamado Norte do Araguaia. Na maioria das cidades, as construções de modernas moradias e o desfile de novíssimas camionetes 4X4 – de diversas marcas – compradas a preços nada convidativos, confirmam a expansão econômica da região.

De ‘Vale dos Esquecidos’ nas décadas de 1970 até fins dos anos 1990, à condição de ‘porta da esperança’ na atualidade, existe um caminho percorrido com trabalho, suor e lágrimas. “O morado desta região do Araguaia é, antes de tudo, um guerreiro. Caso contrário, jamais teríamos conseguido reagir”, pontuou a prefeita Raquel Coelho, de São José do Xingu.

Antes exclusividade do médio norte e sul de Mato Grosso, os caminhões bi-trem e tremilhões, entre outros, cortam a frágil malha viária da região, consolidando a última fronteira agrícola do Brasil. A área cortada pela BR-158 e imediações vive um ‘boom’ econômico sem precedentes.

Pastagens degradadas dão lugar às lavouras de soja e milho. E, por conta disso, tem provocado uma saudável corrida de grandes grupos privados multinacionais e brasileiros, para o Nordeste mato-grossense, na região conhecida como a tríplice divisa com o Pará e o Tocantins. “Temos condições de aumentar em mais de 10 milhões de hectares a área plantada com soja e milho”, pontuou o agropecuarista Nerci Wagner.

E o principal gargalo para a consolidação do sonho do agronegócio é o mesmo de outras regiões: a logística deficiente e serviços públicos precários. O governador Silval Barbosa (PMDB) visitou obras e inaugurou rodovias em cindo dos 25 municípios que compõem a região Norte do Araguaia.

Os produtores consolidam áreas de tecnologia e maquinários ultramodernos movidos pelos altos preços das commodities das últimas cinco safras. Desta forma, a região acelera em ritmo empresarial na soja e no milho sem expulsar as centenas de milhares de cabeças de gado. Passou a adotar a integração lavoura-pecuária para ocupar o solo todo o ano e colher a ‘terceira safra’ de proteína animal – três milhões de hectares de pastos devem virar áreas de grãos.

Silval gosta de citar que região cresce bem acima da média nacional em demanda por crédito, máquinas, insumos e ampliação da área plantada. O prefeito Gaspar Domingos Lazari, de Confresa, maior cidade da região, afirma que a preocupação é com a melhoria dos serviços públicos para atender à demanda, já que a população cresce rapidamente.

O empresário Valdir Moreira, egresso do setor madeireiro, confirma que existe uma corrida pela construção de armazéns e silos gigantescos para guardar as safras, driblando momentos ruins do dólar ou dos preços externos.
O dinamismo do campo tem impulsionado as pacatas cidades da região. Não há mão de obra suficiente para erguer casas, prédios e comércios. Hotéis e agências bancárias estão sempre lotadas.

Restaurantes, postos de combustível, farmácias, supermercados e lanchonetes brotam por toda parte. O frenesi também é intenso na vida noturna.

Os preços da terra e de terrenos decuplicaram em três ou quatro anos. Na área rural, um hectare em produção custa R$ 40 mil a R$ 50 mil. No início dos anos 2000, valia menos de US$ 200. E há quem peça R$ 80 mil à vista.

 

Foto: Ednilson Aguiar / Secom-MT

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