26/01/2016 - Número de suicídios na Barra preocupa bombeiros

26/01/2016 - Número de suicídios na Barra preocupa bombeiros

O Corpo de Bombeiros apresenta uma análise do índice de suicídios ocorridos na cidade de Barra do Garças, Mato Grosso, nos anos de 2011 a 2015, e os dados obtidos podem ser considerados alarmantes, tendo como base a proporção populacional da cidade.

Para registro no sistema oficial do CBM os casos são tratados como suicídio e tentativa de suicídio. Neste último, são considerados os casos em que ocorre a intervenção dos bombeiros ou de terceiros no impedimento do ato. Os valores encontrados são apenas os registrados neste sistema e assim fica evidente que o número pode ser maior do que o apresentado, uma vez que, diversos são os casos em que não ocorre o acionamento do socorro e, por conseguinte, a não realização do registro.
 
Para a Organização Mundial da Saúde e Ministério da Saúde tem-se o suicídio como um sério problema de saúde pública, em que a prevenção do comportamento suicida não é uma tarefa fácil, uma vez que, várias doenças mentais associam-se ao suicídio. A detecção precoce e o tratamento apropriado dessas condições são estratégias importantes na prevenção do suicídio.
 
Os gráficos a seguir apresentam a taxa de ocorrências registradas no ano de 2011 a 2015 por gênero e faixa etária.
 

Gráfico 1. Ocorrências registradas por gênero 2011 a 2015

 
 

Grafico 2. Ocorrências registradas por faixa etária 2011 a 2015

 
 

 

Foi atendido pela 1ª CIBM (Companhia Independente de Bombeiros Militar) no período em que compreendeu a pesquisa, o total de 131 casos de suicídios/tentativas de suicídio. Assim, pode-se obter a média anual e mensal registrada, as quais ficaram em 26,2 para cada ano e 2,18 para cada mês.

 

Ao observar os gráficos nota-se que o período de 2011 foi o que registrou o maior número de ocorrências do gênero e que o grupo compreendido entre 15 a 25 anos foi o que mais tentou contra a própria vida, com 17 (dezessete) casos atendidos pelosBombeiros. Relacionado ao gênero (masculino e feminino), tem-se que a taxa de ocorrências registradas teve uma similaridade percentual, atribuindo para os homens, 54,1% dos casos e 46,5% para as mulheres, isso de 2011 a 2015.

 

De acordo com o Sub Tenente Marcel Bueno Santana, há 22 anos na corporação, dos quais a maioria, trabalhado como Socorrista da Unidade de Resgate da 1ª CIBM, relata que: "Muitos casos atendidos por nossa guarnição provêm de problemas, em primeiros momentos passionais e que abrange o grupo entre 15 a 25 anos, seguidos de casos relacionados a transtornos psiquiátricos. Ainda relata que os casos registrados para o grupo da 3ª idade e idosos geralmente são relacionados ao abandono familiar e consequente solidão".

 

Relatório apontado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) cita o Brasil como o 8º país com maior número de suicídios. A taxa obtida para esta pesquisa, apesar de ter sofrido decréscimo ao longo dos anos, pode ser considerada alta, correlacionando os valores encontrados ao número populacional da cidade.

 

Para Maria Fernanda Cruz Coutinho, especialista em saúde mental e integrante do PesquiSui: "falar sobre suicídio não provoca o suicídio. Assim, em sua citação, alerta que é preciso colocar a questão em pauta na mídia, nas escolas e instituições, fazendo com que as pessoas falem mais sobre o tema, circulando de modo global, para que assim, as informações cheguem aos pacientes, familiares e profissionais da saúde".

 

O Corpo de Bombeiros de Barra do Garças contribui, dentro de suas previsões legais, em prol da campanha contra o suicídio, apresentando constantemente, para diversos tipos de públicos, como escolas, universidades, associações, dentre outros, palestras que abrangem vários temas, dos quais tratam também dos primeiros socorros para esses casos e de valorização à vida.

 

O Psiquiatra Neury Botega, da Unicamp, afirma que a conversa serve para fortalecer a rede de apoio da pessoa em crise, o que é considerado como uma das mais importantes estratégias dos programas de prevenção ao suicídio.

 

A seguir temos algumas dicas importantes para quem for lidar com os casos de suicídios, tanto para um profissional da saúde ou para quem se deparar com esses casos:

 

Desenvolva empatia. Coloque-se na situação do outro, tente sentir o que a pessoa está sentindo.

 

Seja espontâneo. Demonstrar sua preocupação pela pessoa não significa dar um tom grave e formal para a conversa.

 

Mostre seu interesse. Diga que percebe que a pessoa não está bem, pergunte-lhe sobre o que ela está pensando e em que você pode ajudar.

 

Mantenha a calma e a confiança. Prepara-se antes, para não transmitir insegurança ou desespero.

 

Ouça mais, fale menos. Não interrompa a pessoa nem diga o que ela tem que fazer ou dê exemplos pessoais.

 

Não condene. Julgar a pessoa em relação ao que ela diz ou fez pode fazer com que ela se sinta ainda pior e sem perspectiva.

 

Procure ajuda. Informe-se sobre grupos de apoio e serviços de saúde mental que dão orientação e suporte a pessoas em risco de suicídio.

 

 

 

 

 

Assessoria - BMBG / 3º SGT BM GOMES

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