26/04/2011 - 16h:07 Agente prisional recebia ração de cachorro como propina de presos

Agente prisional recebia ração de cachorro como propina de presos

Um dos agentes prisionais presos durante a Operação Ergástulo, deflagrada na semana passada pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), disse em depoimento ao promotor de Justiça Sérgio Silva da Costa, responsável pelas investigações, que chegou a receber ração de cachorro como pagamento dos presos.

O acusado fazia parte de uma quadrilha que fomentava o tráfico de drogas e a entrada de celulares, bebidas e armas na Penitenciária Central do Estado, Pascoal Ramos. O esquema era chefiado pelo presidiário Burt Lancort da Silva Meneses.

Além da ração de cachorro, durante as investigações foi constatado que os servidores públicos envolvidos também recebiam drogas com propina pelos trabalhos desempenhados. Um policial militar chegou a confirmar ser dependente químico e que aceitava a entorpecente como pagamento por não ter como manter o vício.

“Ele (PM) assumiu o vício e disse que fazia mesmo para mantê-lo já que tinha que pagar pensão para um filho, aluguel para morar e o salário não era suficiente”, explicou o promotor durante coletiva na tarde dessa segunda-feira (25).

Dos 14 presos da quadrilha três eram policiais militares e três agentes prisionais. Até o momento dez já prestaram depoimento e o promotor irá avaliar se há a necessidade de os outros quatro ainda serem ouvidos.

Segundo Sergio, apenas um optou por permanecer calado e só se declarar em juízo, os outros nove preferiram explicar o envolvimento e todos autenticaram as vozes nas interceptações telefônicas gravadas durante as investigações.

Apenas o agente prisional Valderson Wilson Guimarães, vulgo Caverinha, que estava foragido e se apresentou na sede do Gaeco nessa segunda (25), não teve interceptações telefônicas, mas, de acordo com o promotor, quatro pessoas teriam atestado sua participação no esquema.

 

Da Redação - Julia Munhoz
Foto: Julia Munhoz/Olhar Direto/O
Repórter do Araguaia

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