26/04/2013 - Delegados culpam MP por 'atraso' em operação; instituição rebate diz que estão tentanto enganar a população

A ação da Gerencia de Crime de Combate de Crime Organizado (GCCO) que desmantelou a quadrilha de arrombamento de caixas eletrônicos com mais de 30 pessoas, sendo que 17 estavam dentro do presídio, estava pronta para ser deflagrada em janeiro deste ano. “Quem indeferiu a operação foi o Ministério Público”, comentou o delegado geral da Polícia Civil, Anderson Garcia. 

O comentário aconteceu durante a coletiva de imprensa, na qual foi informado o nome dos criminosos que foram presos pelos crimes de arrombamento a caixas eletrônico e dos que já estavam dentro do presídio planejando os novos ataques. 

Além do comentário do delegado geral da instituição, os chefes da “Operação Implosão”, Flávio Stringuetta e Gianmarco Paccola, disseram que a operação teria resultados melhores em pouco tempo, se ninguém tivesse intervido. “Com certeza não teríamos esses foragidos que temos agora. Conseguimos prender até agora apenas 50% de quem está com nome no mandado de busca. Se a operação acontecesse conforme estava planejado, nós já tínhamos todos, ou pelo menos maioria estaria atrás das grades”, comentou Stringuetta. 

O atraso gera demora na análise dos processos. “Já tínhamos nomes e endereços em dezembro. Janeiro já estava tudo pronto para pegar os criminosos, mas o Ministério Público impugnou e a demora fez com que muitos trocassem de endereços ou até saíssem da cidade”, criticou Gianmarco Paccola. 

Os delegados que estavam na entrevista, finalizaram dizendo que não iriam 
entrar em confronto ou em nenhum debate com o Ministério Público. “Não vamos criar nenhum tipo de polêmica, mas nós nos sentimos prejudicados com algumas ações. Essa é a primeira vez que vejo isso em toda minha carreira como delegado”, disse Anderson Garcia, delegado geral da Polícia Civil.

Outro lado

O Ministério Público Estadual respondeu o assunto por meio de nota. De acordo com o texto, ao contrário do que os delegados disseram, os pedidos de prisão em relação a Operação implosão só foram encaminhados ao Ministério Público no final de fevereiro.

Ainda de acordo com o Ministério Público, a postura adotada pelos delegados tenta "confundir a opinião pública no momento em que a sociedade começa a reagir contra a PEC 37".

Veja abaixo a nota do MP na íntegra.


A atuação do Gaeco sempre foi pautada na legalidade e que, em momento algum, a instituição dificultou otrabalho da Polícia Civil ou negou-se a trabalhar em conjunto com a mesma. Ao contrário do que foi divulgado pelos delegados em entrevista coletiva, os pedidos de prisão em relação a operação 'implosão' foram encaminhados ao Ministério Público tão somente no dia 27 de fevereiro deste ano e o processo foi devolvido em juízo com as manifestações ministeriais no dia 14 de março, do mesmo ano (Codigo do processo 340458).

Esclarece, ainda, que dos 31 pedidos de prisão efetuados pela Polícia Civil, cinco réus foram denunciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha, roubo de veículos e roubo de numerário de instituição
financeira; outrose acusados estavam presos preventivamente, portanto, segundo visão ministerial, não haveria necessidade de decretação de prisão temporária. Registra, também, que entre as pessoas que a Polícia Civil visava prender, havia um que já se encontrava morto e tinha utilizado documento de pessoa inocente.

Em relação aos demais suspeitos, o MPE afirma que no inquérito policial não havia sido apurado sequer a existência do crime, faltando a juntada de boletins de ocorrência, laudos periciais, levantamentos de local e valor dos prejuízos sofridos pelas vítimas. Ressalta, também, que todo o trabalho realizado pela Polícia Civil tem como destinatário final o Ministério Público, titular da ação penal, sendo este, portanto, o maior interessado na excelência da prova, possibilitando a sustentação da acusação perante o Poder Judiciário.

Para o Ministério Público, a postura adotada pelos delegados tem como propósito confundir a opinião pública no momento em que a sociedade começa a reagir contra a PEC 37, que pretende dar as polícias federal e civil a exclusividade nas investigações. Nesta quarta-feira (24), cerca de duas mil pessoas participaram de ato público em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, contra a aprovação da referida proposta.

 

Da Redação - Max Aguiar

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