26/06/2014 - Jornalista Eduardo Gomes concede entrevista ao JOP e diz que gostaria que o Araguaia se tornasse estado

O Conselheiro Pena/MG, ele trabalhou várias anos como correspondente do Jornal Diário de Cuiabá em Rondonópolis. Depois se mudou para Cuiabá onde criou a Revista MT Aqui, hoje uma das maiores revistas do Mato Grosso. Considera-se mato-grossense de coração e possui cidadania concedida pela Assembleia Legislativa em 5 de dezembro de 2005.
 
JOP - Pode nos contar um pouco de sua trajetória como jornalista?
EDUARDO – Milito na imprensa desde 1980. Durante muitos anos fui correspondente do Jornal Diário de Cuiabá em Rondonópolis; ainda hoje tenho ligação com aquele jornal. Paralelamente a esse vínculo sempre produzi pra mim e pra empresas do setor industrial que atendem o agronegócio.
 
JOP - Há quantos anos foi criada a Revista MT Aqui?
EDUARDO – MTAqui circulou pela primeira vez em maio de 2011, com a edição Número Zero. Inicialmente foi mensal e desde janeiro deste ano tornou-se quinzenal. A revista tem um site no endereço www.mtaquionline.com.br que reproduz parte de suas publicações e também abre espaço para outros conteúdos, mas sem se preocupar em concorrer com os colegas que atuam na área. A origem da revista foi o blog que mantive entre 2009 e 2011 e que tinha o mesmo endereço eletrônico de MTAqui.
 
JOP - Qual a matéria de maior repercussão até hoje publicada na Revista?
EDUARDO - Acho que três matérias chamaram mais a atenção e, duas delas sobre o Vale do Araguaia. A reportagem com 52 páginas publicada em setembro de 2012, sobre o avanço das terras indígenas no Araguaia, com destaque para a antiga Fazenda do Papa, que agora se chama Marãiwatsédé, despertou a ira de ONGs e de setores do governo contra mim. A matéria publicada em outubro de 2013 com a brasileirinha Gabi, de Alto Boa Vista, mexeu com o inconsciente coletivo em Cuiabá, pois o drama daquela menininha mostra o Brasil despreparado para se relacionar com a parte mais sofrida de sua população. A reportagem de novembro de 2013 sobre o aniversário de Rondonópolis tirou poeira que se escondia sob o tapete e mostrou coisas interessantes sobre aquela que considero minha cidade e da qual sou cidadão por outorga da Câmara Municipal em 5 de dezembro de 1997.
 
JOP - A operação Ararat está derrubando os políticos de MT.  Qual o resultado disso para o nosso Estado?
EDUARDO – Não acho que Ararath atinge todos os políticos, embora reconheça que ela derruba muita gente. Os resultados para Mato Grosso serão poucos. Avalio que os efeitos seriam positivos se o Judiciário botasse na cadeia a elite do empresariado que faz a tabelinha da corrupção com políticos. Não sou contra a prisão do Éder nem do deputado Riva, que já foi solto, mas acho que esses dois fatos são bem parecidos com a historinha do boi de piranha. Em suma houve muito trovão e pouca chuva.
 
JOP - O jornalista Onofre Ribeiro disse que, conforme um deputado federal, a cada 100 reais, só 20 chegam ao destino. A roubalheira é tão grande assim na esfera governamental?
EDUARDO – Não sei onde o Onofre tirou esse percentual. A corrupção existe e emenda parlamentar é caminho aberto aos esquemas imundos, mas daí a afirmar tal coisa é outra história. Acho que devemos repudiar a corrupção, mas não devemos criar factoides. Avalio que a maioria no Congresso não presta, mas isso não quer dizer que não temos congressistas dignos. Sem entrar em detalhes sobre quanto chega ou deixa de chegar ao destino, defendo o fim da emenda parlamentar, o fim do Sistema S, a extinção da reeleição para cargos executivos inclusive na esfera sindical, a criação do voto distrital misto e o real controle sobre os gastos de campanha.
 
JOP - O Araguaia é mais ligado com Goiânia do que Cuiabá. A MT-020, que liga Canarana a Paranatinga e encurta em 200 km o trajeto até a capital, pode mudar essa realidade?
EDUARDO – Acho que não, porque tanto os interesses generalizados quanto à identidade do Araguaia com Goiás não mudarão por mais estradas que construam. A 020 quando pavimentada será uma rodovia estratégica para a sua e outras regiões, mas entendo que ela sempre será uma rota rumo norte, para os portos no Maranhão e Pará, e nunca será destino da produção agrícola para Cuiabá, que é cidade perdida no meio do continente, sem porto e sem parque agroindustrial. Gostaria que o Araguaia fosse estado, que o Nortão também se emancipasse e que se criasse um estado na região oeste. 
 
JOP - Os moradores do interior reclamam da Copa em Cuiabá porque faltou dinheiro para investimentos no interior. Qual será o legado desta Copa?
EDUARDO – O programa MT Integrado mostra o contrário. Todos os municípios terão ao menos um acesso pavimentado. Canarana, que conta com a MT-326 pavimentada, também é contemplada com esse projeto, pela 020. O legado da Copa será bom para Cuiabá e Mato Grosso, pela divulgação nos quatro cantos do planeta e pelas obras de mobilidade urbana em Cuiabá e Várzea Grande. O VLT estará pronto dentro de 10 a 12 meses e teremos um meio moderno de transporte de massa. A capacidade de embarque/desembarque do aeroporto da capital dobrou.  O mal desse evento é a corrupção desenfreada, que acontece nas 12 sedes escolhidas pela Fifa para sediar seus jogos.
 
JOP - Como você enxerga o futuro de nosso Estado?
EDUARDO – O mundo moderno tem poucas áreas estratégicas. Água e alimentos são duas delas. Mato Grosso tem um manancial – sem trocadilho – de dar água na boca. Além disso, é peça importante na política de segurança alimentar mundial. Se o Estado não for dividido em breve estará no centro das atenções das grandes potências econômicas. Se for, os fragmentos juntos estarão na mesma condição.  
 
JOP - Como você avalia a qualidade da imprensa do Mato Grosso?
EDUARDO – Não tenho condições de avaliar o trabalho dos nossos colegas. Se tivesse não me sentiria à vontade para criticar nem saberia elogiar, porque elogio não é palavra muito comum no meu dicionário. Tudo que posso dizer é que não abro mão dos meus princípios quando tenho que escrever sobre algo. Prefiro meu texto criticado que ‘jogar’ para o leitor. Quando escrevi sobre a brasileirinha Gabi recebi uma chuva de e-mails de ambientalistas e formadores de opinião, que não mediram palavras ofensivas contra mim.
 
 
 
Escrito por Redação O Pioneiro

 

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário