26/07/2016 - Com saúde debilitada, Irmã Marli procura voluntários e doações para manter atendimento a 300 famílias do Planalto

26/07/2016 - Com saúde debilitada, Irmã Marli procura voluntários e doações para manter atendimento a 300 famílias do Planalto

Neste fim de semana (30 e 31) o Instituto de Recuperação, Proteção e Amparo a Mulher Ana Neri (Irpamdeq), realiza sua festa para angariar fundos e continuar oferecendo serviços de saúde, alimentação, aconselhamento emocional a comunidade do bairro Planalto. No momento, qualquer ajuda é bem-vinda, em especial a doação das prendas que serão sorteados no bingo: ventilador, bicicleta e os frangos para as marmitas que também estarão à venda. A instituição é comandada pelo altruísmo de Irmã Marli e sua equipe, que precisa de mais voluntários para tocar o projeto. 

Pessoas com atitudes de doação, preocupação com o próximo despertam sempre interesse da sociedade pelo que elas tem dentro de si, que desencadeia esse sentimento de total empatia. Darwin um dia falhou ao entender tais indivíduos com sua teoria da evolução biológica, pregando a sobrevivência do mais forte pela seleção natural, teoria que pessoas altruístas teimam em contestar com suas atitudes benevolentes. Assim, Darwin continuou deixando ainda a pergunta no ar: 
O que leva pessoas a se prejudicarem de alguma forma em prol de outros? 

Há aqueles que citarão casos em que mães se jogam a frente dos filhos em acidentes, mas observe aqui que há um grau de parentesco, nos levando a justificar o ato altruísta como uma atitude em prol da preservação de seu próprio genes. Ainda tentando entender essa empatia que se projeta em ação, o biólogo Robert Trivers cita o ‘altruísmo recíproco’ como possível justificativa por pessoas se ajudarem, partindo do pensamento de que quando precisarem serão também ajudadas. 

Mas e no caso de Irmã Marli? Sim, Irmã Marli, aquela que comanda a duras penas o Instituto de Recuperação, Proteção e Amparo a Mulher Ana Neri (Irpamdeq), desde 2010, no bairro Planalto. Aquela que praticamente mora na instituição para garantir que todos que necessitem de ajuda a recebam. Aquela que atende cerca de 300 famílias, pois contar indivíduos e vidas alteradas em cadeia não é possível, seja doando comida, roupas, atenção, afeto. Aquela que sem obrigação nenhuma, sem parentesco, sem interesse mútuo, contrapondo todos os pensadores, doa cada dia de sua saúde já debilitada para compreender o universo do próximo e confortá-lo de alguma maneira. 


Irmã Marli (Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto)


Conhece a Irmã Marli? Pois deveria, vai que um dia você precisa da ajuda dela? Isso te motiva a ajudar a sua causa? A colaborar? Se você estiver se perguntando como contribuir, Irmã Marli diz precisar de tudo e do que você puder e quiser doar. 

O prédio onde funciona atualmente este espaço, que surgiu inicialmente para acolher mulheres em sofrimento e vulnerabilidade social, é de responsabilidade da prefeitura, estava abandonado e foi ocupado, limpo, recuperado na medida do possível para abrigar a Irpamdeq, tudo isso sem ajuda de nenhum órgão governamental ou instituição privada, apenas de voluntários.


Frente do Instituto (Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto)


A estrutura atual não comporta o número de atendimentos. A cozinha é pequena e faltam utensílios, o cômodo onde são realizados atendimentos de saúde se transforma em dispensa, enquanto a secretaria se faz de quarto para abrigar, no momento, dois haitianos que não têm para onde ir.

Marli começou o projeto por iniciativa própria, pois, como contou à reportagem do Olhar Direto, não aguentava mais ver o sofrimento das pessoas a sua volta. Em casos dramáticos, ela é o que separa a cruz da espada. Sendo o bairro Planalto um local de alto índice de criminalidade na capital mato-grossense, em muitos momentos Marli se despediu de uma mãe em luto para aconselhar a mãe do assassino. 

Se desdobrando entre atendimentos psicológicos, recomendações alimentares, organização jurídica da instituição e arrecadação de doações, ela encontrou pessoas que a auxiliam a manter o local funcionando. Todos os atendimentos ofertados na Irpamdeq são realizados por pessoas que abdicam, muitas vezes, de um momento de descanso pós jornada de trabalho para doar o que podem aos que procuram a casinha branca no Planalto. 

Além das mulheres, idosos e crianças são atendidas atualmente. Cursos de artesanato, culinária, sessões de aconselhamento e empoderamento feminino preenchem os dias de quem frequenta a Irpamdeq, tudo proporcionado pelo altruísmo gratuito de Irmã Marli e sua equipe de voluntários. 

Apesar de tudo, a alma propulsora do projeto precisa de ajuda. Com as proporções que ele tomou, virou um lugar de porto seguro a quem precisa, o que pede um número crescente de voluntários. 

O Irpamdeq precisa de ajuda com relação a melhorias em estrutura física predial, móveis, eletrodomésticos e afins, e também de pessoas que disponham de seu tempo para dar oficinas, apoio emocional, buscar doações de alimentos, roupas, produtos de limpeza e higiene, realizar tarefas na secretaria, na cozinha, ou em qualquer outro lugar. 

Para doações, é preciso se dirigir a Irpamdeq na rua Formosa, esquina com a rua Caximbo no bairro Planalto, ou entrar em contato pelos telefones (65) 9 3653-7316, (65) 9 9606-7479.

Da Redação - Naiara Leonor