26/08/2015 - Maggi não vê milagre e cita Cuiabá como exemplo da crise

O senador Blairo Maggi (PR) fez duras críticas à política econômica do país, durante reunião na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nesta terça-feira (25). Segundo ele, a economia brasileira anda em “marcha à ré”. 

Para o senador, o atual cenário é fruto da política adotada pelo Governo Federal voltada ao controle da inflação. Ele disse ainda que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem levado a economia do país para um caminho equivocado. 

“A economia está parada, de marcha à ré. A inflação que temos hoje é de preços administrados que o Governo segurou lá atrás e não fez as reposições no momento certo. O caminho para o qual está sendo levada a economia é equivocado”, afirmou. 

O senador mato-grossense também colocou em xeque a possibilidade de o país deixar essa crise econômica já que, segundo ele, os juros estão cada vez mais altos e, paralelo a isso, o Banco Central sinaliza que só mexerá nessa questão a partir do próximo ano. 

“Até o Banco Central mexer com isso, metade da economia já morreu. Quando nós começamos a discutir a crise, lá no começo do ano, eu havia alertado para uma retração do PIB acima de 2%, ela está quase em 3%. Não vejo nenhum milagre neste momento para que o Brasil possa escapar desse rebaixamento”, disse.

“Em Cuiabá, todo dia parece domingo” 

Blairo Maggi afirmou que os reflexos da crise econômica do Brasil podem ser percebidos na maior parte das cidades brasileiras. Ele citou Cuiabá para exemplificar o cenário. 

“Cuiabá, uma capital como tantas outras, é sempre efervescente, não só no clima, mas na economia. Porém, nas últimas semanas, confesso que fiquei preocupado. Lá parece que todo dia é domingo, a cidade está parada”, disse. 

“Isso já é reflexo da economia que vai afetar diretamente a arrecadação do Estado”, afirmou o senador, ao mencionar que Mato Grosso só não está no ponto alto da crise porque tem como mola propulsora o agronegócio. 

Convocação de ministros 

Blairo Maggi disse ainda que, na tentativa de seguir uma agenda prioritária com foco na macroeconomia do País, a Comissão de Assuntos Econômicos convocou audiência com os ministros da Fazenda e do Planejamento, Joaquim Levy e Nelson Barbosa, respectivamente.

Segundo ele, os ministros precisam explicar quais serão os próximos passos adotados pelo Governo, na tentativa de superar o atual cenário. 

“Na vida, todos nós temos um plano A, B ou C para as nossas atividades. Nós nunca entramos em alguma situação sem saber qual alternativa temos para sair do problema que vai aparecer. Na economia, qual o passo seguinte? Qual é o plano B ou C? Acho que o ministro tem que vir aqui e, com toda tranquilidade e humildade, admitir: nosso próximo passo é esse. Nossas próximas alternativas são estas”, completou o senador.

 

 

Camila Ribeiro 
Da Redação

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