26/11/2013 - Dono de carro apreendido com Julier é ex-empreiteiro e lobista

Agentes federais, em ação como parte da segunda etapa da operação Ararath, levaram da casa do juiz federal Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara Federal de Cuiabá, aparelho celular, documentos, notebook e tablet e apreendeu também um veículo Pajero Mitsubishi blindado. E sabe quem é o dono desse veículo que estava na garagem de Julier? Osvaldo Cabral, que foi preso em flagrante com uma arma e munições e, depois, liberado. Ele é bastante conhecimento no meio político e velho amigo do juiz federal.

Cabral foi chefe de gabinete do então governador e hoje deputado federal Carlos Bezerra. Depois, passou a atuar no ramo da construção civil, executando obras em Rosário Oeste e em Cuiabá. Tinha ligação forte com Wilson Santos, principalmente na época em que o ex-prefeito de Cuiabá foi deputado federal. As emendas parlamentares de Wilson eram quase todas executadas pelo empreiteiro Cabral. Depois, mudou de ramo. Passou a ser visto ao lado de Julier nos ambientes em Cuiabá. Muitos definem Osvaldo Cabral como lobista e, em reuniões, até usava o nome do magistrado, que vem se articulando politicamente para concorrer às eleições do próximo ano, com possibilidade de ingressar no PT ou PMDB.

 

E agora Julier?

Julier Sebastião da Silva, magistrado com notável saber jurídico e reputação ilibada, corajoso e destemido, vai morrer reafirmando que não se envolveu com qualquer ato irregular, mas agora, enquanto as investigações da Polícia Federal não forem concluídas e tudo ficar esclarecido, parte da sociedade ficará com pé atrás. Ainda mais em se tratando de um homem que deseja deixar a toga para concorrer a cargo eletivo majoritário, seja a governador, seja a senador.

Afinal, o que pesa contra o juiz, em cuja casa e gabinete passaram por batida de agentes da Polícia Federal, que fizeram busca e apreensão? Teria ligação com coisas ruins, por práticas inaceitáveis? As tais conversas de terceiros comprometem-no? Estreitou relacionamento com pessoas suspeitas em busca de financiadores de sua virtual campanha eleitoral?

 

-- Juiz Julier Sebastião é investigado pela PF

Juiz Julier Sebastião é investigado pela PF

O juiz federal ganhou notoriedade no país por decisões duras. Entre tantos figurões dos meios políticos e empresarial, mandou o bicheiro João Arcanjo para a cadeia. Ultimamente, é visto conversando com lideranças e empresários de diferentes grupos, alguns inclusive contra os quais deu sentença condenatória. Uma coisa pode não ter a ver com a outra, mas, no meio político, tudo se mistura.

 

Se esse episódio tratado sob sigilo pela PF não tiver um fim de imediato, decretando a inocência de Julier, é provável que ele não terá a mesma coragem de quando prolata sentença ferrando outras pessoas para agora decidir sobre o seu teste das urnas, se submetendo ao humor do eleitorado. Se topar, já entrará como vidraça. Não é mais estilingue.  Uma campanha majoritária é pesada. Rola dossiê para cá, denúncia para lá, arapongagem nas reuniões, tentativas de descoberta de estratégias dos principais concorrentes e ameaças de todo lado. Infelizmente, o jogo é baixo.

Julier tem o respeito e admiração da sociedade mato-grossense, mas basta um deslize para tudo ir por água abaixo. Exemplos não faltam. Olha a situação dos mensaleiros! Petistas, inclusive da época em que Julier militava partidariamente, eram símbolos da luta democrática. Combatiam a ditadura. Mas chegaram ao poder, se lambuzaram, sendo pilhados batendo carteira. Acreditavam na impunidade, mas a Justiça tarda, mas não falha. Entre tantos da turma graúda, Delúbio, Zé Dirceu e Genoíno foram para a cadeia.

Julier tem contra si uma pessoa que lhe conhece bem, inclusive nas intimidades. Trata-se da colunista social Kharina Nogueira, com quem namorou por dois anos. Kharina está colaborando com as investigações. A polícia já chegou ao seu ex-marido Júnior Mendonça, dono de rede de postos de combustível e de uma factoring que "lavava" dinheiro. E um dossiê com muitas informações está sendo o caminho das pedras.

Figuras que sentiram a martelada de Julier na cabeça, como o ex-governador Blairo Maggi, seus ex-secretários Eder de Moraes, Vilceu Marchetti e Geraldo de Vitto, réus no caso do maquinário, Antero, Avalone, Wilson Santos, Jorge Pires, José Antonio Rosa e tantos outros, devem estar dando risada de ver o juiz agora preocupado em vir a público se explicar para manter a imagem inabalada. Com a missão de decidir, ele deve estar sentindo a mesma sensação de injustiça e de indignação que muitos outros, ou não!

Romilson Dourado

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