27/02/2012 - Ex-policial polêmico, pai de 15 filhos, é o novo vereador de Cuiabá; veja

Ele está de costas, com a cabeça para fora da janela do gabinete. Sabe que eu cheguei, mas segue imóvel. E mudo. Somente ao terminar o cigarro ele se vira e senta -se na minha frente. “E aí, vamos lá?”. O óculos de sol está sobre a cabeça. Ele não o tira nem para discursar na tribuna. Faz parte do seu estilo e ajuda a segurar a cabeleira. 

Uma garotinha é retirada da sala antes de entrevista começar e sai resmungando. É sua filha. São 15 no total, e 16 netos. Para a família ser maior só lhe falta uma esposa. Estas são apenas algumas características da nova figura que habita a Câmara Municipal de Cuiabá: Hermes da Silva Filho (PDT), morador e ex-presidente do Parque Cuiabá, que assumiu a cadeira do correligionário Adevair Cabral. Todos o conhecem pela alcunha de Carioca. Sua meta: trabalhar pelos presidentes de bairro da capital.

Como vereador, ainda é um ilustre desconhecido. Mas em sua carreira na Polícia Civil, ele garante não ter passado ‘batido’. “Sempre fui um policial muito polêmico”, relembra. “Me aposentei em 2007 e entrei pra política para não ficar parado”, conta. Por três anos foi o presidente da associação dos moradores do Parque Cuiabá. 

“São os presidentes de bairro que trazem os problemas aqui pra Câmara. Os vereadores não vão pros bairros para verem os problemas, mas mesmo assim, os presidentes de bairro só tomam porrada”, afirmou.

Para acabar com a injustiça que, segundo ele, recai sobre os líderes comunitários, o novo parlamentar tem projetos que devem ser apresentados na próxima semana. Um determina que a Prefeitura de Cuiabá pague salários de R$ 1.500,00 aos presidentes de bairro. 

A medida, segundo o pedetista, não causará impacto aos cofres da prefeitura. “É muito simples, é só tirar 5% do salário dos vereadores ou 0,25% do dinheiro que a Prefeitura arrecada para iluminação pública”, argumenta. 

A outra medida pensada pelo vereador é um projeto de lei que cria gabinetes para os presidentes de bairro na própria Câmara Municipal, a fim de que eles tenham uma melhor interlocução com o legislativo. 

Reeleição

O mini-mandato de carioca deve durar 30 dias, período previso de duração da licença de Adevair Cabral. O pedetista diz não saber se concorrerá novamente neste ano, mas garante já estar com um pé na disputa.

Só falta, segundo ele, o dinheiro. “Em 2008, fiz a campanha mais pobre do Brasil e consegui 1.830 votos só no bairro Parque Cuiabá”, orgulha-se. “Trabalhei só eu e sete filhos e consegui uma suplência na primeira vez que concorri”, gaba-se. Para a eleição deste ano, diz já contar com o apoio de feirantes. Além da prole, claro. 

 

Da Redação - Lucas Bólico

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