27/03/2015 - Empresários pedem socorro ao Governo para frear “ondas de assalto”

Mauro Zaque fez um alerta aos empresários para que não cedam às pressões e ao desespero nesse momento fazendo a contratação de policiais da reserva que oferecem serviço de seguranças particulares. 

 

Assaltos contínuos, violência, traumas físicos e psicológicos, prejuízos financeiros e até impossibilidade de continuar com as portas abertas. Esses foram alguns dos relatos feitos pelos representantes do segmento do comércio na última terça-feira (24) ao secretário de Estado de Segurança Pública, Mauro Zaque, e de Desenvolvimento Econômico, Seneri Paludo, durante reunião realizada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso e Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá.


O encontro ocorrido na sede da CDL Cuiabá foi conduzido pelo presidente da FCDL-MT, Paulo Gasparoto e da CDL Cuiabá, João Batista Rosa. A empresária Dalva Ferraz, proprietária da empresa Matos Comércio de Perfumes e Cosméticos LTDA, franqueada da marca O Boticário em Cuiabá e Várzea Grande foi a primeira a se manifestar. Dalva leu o documento que ressoa como um desabafo por ser obrigada a fechar as portas de uma das lojas que funciona na Avenida Fernando Corrêa. Instalada no local há 34 anos o estabelecimento se viu impossibilitado de continuar em funcionamento pelos constantes e violentos assaltos.


Apesar de ter protocolado em diversas instituições como Casa Civil do Governo de Mato Grosso, Secretaria de Segurança Pública do Estado, Assembleia Legislativa de Mato Grosso e Ministério Público Estadual, a empresária entregou o manifesto nas mãos do secretário Mauro Zaque.


No relato a empresária mostrou toda tristeza e indignação com a situação. Somente este ano sofreram quatro assaltos a mão armada, com ameaças e agressões. A empresa destaca que os fatores que levaram a diretoria a tomar esta decisão tão extrema foram os traumas físicos e psicológicos que sofrem as funcionárias a cada assalto, os prejuízos financeiros, a sensação de impotência em relação à solução do problema e o cenário de insegurança pública crescente da capital mato-grossense.


Consta na nota encaminhada à imprensa que a diretoria da empresa compartilha com a sociedade a angústia e a frustração empresarial diante da precariedade de um serviço público de segurança pelo qual todos os cidadãos pagam por meio de impostos. Para os diretores da Matos, a decisão de fechar a Loja 2 é profundamente frustrante e desestimuladora.


"Nós fizemos esse manifesto para mexer, para que se levantasse realmente a discussão sobre o assunto, porque só ficarmos reclamando não adianta. Nós tínhamos que mostrar que estamos insatisfeitos e inseguros isso envolve famílias, pessoas, seres humanos", disse Dalva Ferraz.


Representantes do Grupo City Lar e Moda Verão também fizeram relatos de violência e abuso. De acordo com Geraldo Bezerra, do Grupo City Lar nos três primeiros meses deste ano a empresa já contabilizou o montante de prejuízo com roubos equivalente a 50% do que ocorreu em todo o ano de 2014. Geraldo pediu soluções imediatas e contou que na semana passada, em Várzea Grande, os assaltantes entraram com um carro dentro da loja em pena luz do dia para roubar televisões.


" O índice de criminalidade tem aumentado muito e infelizmente a força pública não está conseguindo se fazer presente nas ruas. Falta mais firmeza, mais presença do Estado, é necessário que se faça presente e não trabalhar só com projetos a longo prazo. Todos nós estamos sofrendo na pele. Nós cremos que mais policiais nas ruas, uma polícia ostensiva daria um bom resultado a curto prazo ", destacou Geraldo Bezerra.


Os relatos mostraram que o número de assaltos cresceu tanto que os comerciantes acabam nem registrando boletim de ocorrência. O empresário do Grupo Moda Verão, Junior Cesar Vidotti, que tem muitas lojas nos bairros explica que a burocracia é tamanha no caso de registro de boletim de ocorrência que até os policiais orientam a não fazer. Ele relata que enfrenta com frequências furtos pequenos, arrombamentos da loja á noite e assaltos a mão armada. Vidotti comenta que é grande a sensação de impunidade e que os crimes aumentam e a população está de mãos atadas.


O presidente da FCDL-MT, Paulo Gasparoto que também é proprietário das lojas Decorliz contou ao secretário da audácia dos ladrões em sua loja na Fernando Correa. Roubaram compressores de ar condicionado (área externa) e fez com que a loja ficasse por 20 dias sem funcionar, ao repor os aparelhos o que custou cerca de R$ 80 mil reais, enfrentaram outro roubo ousado, os transformadores da rede de energia elétrica.


Gasparoto também contou que são contínuos os assaltos à loja de perfumes importados, e durante o assalto levam os celulares de clientes e funcionários. "Tivemos que pagar 26 celulares roubados, gastamos 15 mil reais", disse o empresário. Sem falar que as empresas não conseguem mais funcionários por conta do pavor que os assaltos constantes provocam.



O presidente da CDL Cuiabá, João Batista Rosa, explicou ao secretário Mauro Zaque que o comércio compreende as dificuldades enfrentadas pelo novo governo, mas precisavam repassar a ele a real situação dos empresários que precisam abrir suas lojas e conviver com a falta de segurança. João Rosa externou sua preocupação com a constante argumentação de que polícia na rua não resolve o problema da violência. "Não somos ingênuos para pensar que o policiamento ostensivo, isoladamente, resolveria todos os problemas, mas seria também ingenuidade pensar que a polícia nas ruas não inibiria uma boa parte dos crimes cometidos", disse o presidente da CDL Cuiabá.


Diante dos fortes e apelativos relatos dos comerciantes o secretário de Segurança Pública apresentou um raio-x da situação da pasta, falou sobre os projetos que estão sendo desenvolvidos, as operações nos bairros, a quantidade de pessoas presas. Mas foi direto ao dizer que não tem como aumentar o efetivo de imediato. "A situação é difícil, não chegamos nessa situação do dia pra noite e não vamos sair do dia pra noite, estamos trabalhando com metas, com programa de gestão muito profundo, muito sólido e acho que em breve vamos conseguir resultados satisfatórios", disse o secretário de Segurança Pública.


Mauro Zaque fez um alerta aos empresários para que não cedam às pressões e ao desespero nesse momento fazendo a contratação de policiais da reserva que oferecem serviço de seguranças particulares. Segundo ele está se formando em Cuiabá uma espécie de milícia armada. "Esse é um caminho perigoso e pode se complicar com o tempo, levando à dependência desses profissionais", destacou o gestor.


O secretário Mauro Zaque pediu desculpas a empresária Dalva Ferraz dizendo-se envergonhado pelo Estado e se comprometeu a trabalhar para mudar esse quadro. A empresária ouviu atentamente todas as ações que estão sendo implementadas e disse ter esperança. "Eu saio com mais esperança mas precisamos mostrar a nossa insatisfação agora", finalizou a empresária que informou que está tentando remanejar os funcionários da loja fechada para outras unidades nesse momento de crise e de crescente desemprego.

 

 

 


Da Redação

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