27/04/2015 - Agentes da Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo realizam encontro em São Félix do Araguaia

27/04/2015 - Agentes da Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo realizam encontro em São Félix do Araguaia

A histórica cidade de São Félix do Araguaia (MT) recebeu entre os dias 21 e 23 de abril a primeira etapa do plano de formação de agentes da Campanha da Comissão Pastoral de Terra (CPT) de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo de 2015.

 

Assessorado por Ruben Siqueira, membro da CPT Bahia e da coordenação executiva nacional da CPT, o encontro reuniu agentes pastorais de oito estados atuantes na Campanha - BA, MA, MG, MT, PA, PI, RO e TO e integrantes do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán, de Açailândia (MA).

Um dos objetivos do encontro foi avaliar os desafios, dificuldades e avanços da Campanha, e socializar as experiências de cada equipe no coletivo. Os dois primeiros dias se basearam na formação desses agentes.

Outro objetivo do encontro foi discutir e rememorar o que é a CPT, abordando sua missão, espiritualidade e a relação com a teologia da libertação. “Sou imensamente grato à Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo por fazer um primeiro encontro nacional da CPT aqui e me convidar para assessorá-lo”, afirma Ruben – leia o depoimento completo de Ruben ao fim deste texto.

Naturalmente, a história da CPT também foi trabalhada com especial atenção, principalmente pelo local onde o encontro foi realizado. O município de São Félix do Araguaia e região são símbolos da resistência dos camponeses e dos povos indígenas diante da exploração do latifúndio.

É em São Félix onde ainda reside Dom Pedro Casaldáliga, um dos fundadores da CPT e a primeira figura a fazer uma denúncia pública referente à existência de trabalho escravo no Brasil. Desde que chegou ao Brasil, vindo da Espanha, no final da década de 1960, Casaldáliga sempre dedicou sua vida à convivência e defesa dos oprimidos, em especial das famílias camponesas.

Estar em uma terra recheada de história e mística reanima e inspira a caminhada dos agentes da Campanha, que tomam como exemplo Dom Pedro Casaldáliga na entrega a uma missão de partilha e acolhimento do povo camponês.

O grupo realizou uma mística no Cemitério dos Peões, em São Félix. Cemitério esse onde foram enterrados os peões mortos nos anos 1970 e 1980. Hoje está praticamente abandonado, o que é um descaso com a memória dos mártires anônimos e esquecidos pela sociedade na beira do Araguaia. O grupo da CPT enviou um ofício para a prefeitura solicitando a manutenção desse espaço histórico para as famílias de São Félix do Araguaia.

Abaixo, leia o depoimento de Ruben Siqueira sobre a experiência de estar em São Félix do Araguaia e seu reencontro com Pedro Casaldáliga:

 

Em São Félix do Pedro do Araguaia

Foi a realização de um sonho estar pela primeira vez em São Félix do Araguaia, depois de tantos anos na CPT (34). Rever Pedro Casaldáliga, respirar o ar de tanta caminhada, de peões, indígenas, camponeses e agentes de pastoral de uma pequena e imensa igreja de Cristo, luminosa, provado no martírio sua fidelidade a Jesus do Evangelho, como poucas a concretização da Boa-Notícia aos pobres e oprimidos. Sou imensamente grato à Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo por fazer um primeiro encontro nacional da CPT aqui e me convidar para assessorá-lo, com o tema “CPT – missão, história, espiritualidade e Teologia da Libertação”. Não poderia ter lugar melhor!

Senti-me renovado na fé e na Caminhada, pela visita ao Santuário dos Mártires em Ribeirão Cascalheira sob chuva grossa, pela reza matinal no Cemitério (abandonado) dos Peões, a cheia do Araguaia quase o invadindo, pelo filme sobre Pedro “Descalço sobre a terra vermelha” e pelo emocionado reencontro com ele, depois de tanto tempo, partilhando a oração, a mesa e a conversa franca, também com os padres Félix, Ivo e Saraiva e a companheira Zezé dos tempos do Nacional em Goiânia. A casa de Pedro é um santuário, sem muro, porta sempre aberta, as paredes toscas cobertas de símbolos e imagens, o chão e os móveis repletos de objetos, a lembrar histórias, companheiros – tantos mártires – e lutas que marcam e animam a Caminhada. A capelinha no quintal, próxima à mata, aberta quase sem paredes, é um convite à oração universal e à fraternidade eucarística. Guarda preciosidades martiriais que Pedro faz questão de mostrar: pedacinhos da roupa de Oscar Romero e do crânio de Ellacuría. Sentado na varanda, após a reza, ainda mais frágil pelo mal de Parkinson, agora seu “companheiro mais próximo”, Pedro observa e interage com o povo da Prelazia, sempre sua. Nos 20 minutos de conversa que tivemos, sua dificuldade na fala não impediu que eu sorvesse de sua santa sabedoria. Contou de seu alívio e contentamento com a eleição de dom Sérgio Rocha para a presidência da CNBB, mostrou-se preocupado com a conjuntura do país, perguntou pelos movimentos sociais (a Via Campesina em especial) e pela CPT, que “não está acima dos outros” e deve seguir firme... Disse-me que “a vida é cada dia”, lição de seu martírio cotidiano, muito mais terrível do que se fosse matado, como passou a desejar depois de tantos que viu matados, alguns em seu lugar, todos pela Causa do Reino.

“Saber esperar, sabendo / que o tempo já não existe”, diz um de seus poemas. Tempo de correr contra o tempo e adiantar a Caminhada. Vou de São Félix levando nos braços marcas Karajás para prolongar a lembrança destes dias. Nas mãos o frescor das mãos diáfanas de Pedro. No coração sua imagem vitoriosa.

 

 

 

Comentários

Data: 28/04/2015

De: vhstanke@hotmail.com

Assunto: desgraça humana

Cade Casaldáliga,para intervir junto ao governo? Ficaram ao lado desse governo arcaico, e tem gente que diz que ele está ao lado dos oprimidos e camponese,olham os acontecimentos reais no Posto da Mata e vem com essa demagogias,deem pelo menos experanças a ele ...eles nao querem sextas basicas e sim trabalho que lhes foi tirado,por interesse governamentais e que nos nunca saberemos a verdadeira verdade, e sim só ele,cade o Ministerio publico para defender eles daquela situaçao vergonhosa

Data: 28/04/2015

De: vhstanke@hotmail.com

Assunto: desgraça humana

Gente falam em trabalho escravo,em Pedro Casaldáliga,em luta pela igualdade social........ eu pergunto, e o povo do Posto da Mata? é o que? um zé ninguem? cade a pastoral da terra para defender eles? estao todos debaicho duma lona preta,quem nao teveram parentes para ser acolhido, cade o ministerio do trabalho,

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