27/07/2011 – 07h:40 Linchamento leva civis e PMs a júri, 21 anos depois

Caso aconteceu em 1990, após assaltantes serem presos; todos os acusados estão soltos

Os 18 acusados de queimarem três assaltantes, em praça pública, na cidade de Matupá (700 km ao Norte de Cuiabá), em 1990, irão sentar no banco dos réus em outubro deste ano. Os júris foram agendados pelo juiz Tiago Souza Nogueira de Abreu, titular da Comarca de Matupá.

Serão quatro audiências para julgar todos os réus. O júri terá início no dia 4 de outubro, quando cinco pessoas serão julgadas. As outras audiências ocorrerão nos dias 10, 17 e 24.

A forma trágica e brutal como as vítimas foram mortas chamou atenção da imprensa de todo o Estado, repercutindo até nacionalmente. Todos os réus estão soltos. Na cidade de Matupá, é coletivo o sentimento da população que não fala sobre o linchamento.

Foram queimados vivos em praça pública Ivacir Garcia dos Santos, 31, Arci Garcia dos Santos, 28, e Osvaldo José Bachinan, 32. Eles eram acusados de fazerem reféns, por mais de 15 horas, duas mulheres, sendo que uma delas estava grávida, e quatro crianças.

A Polícia Militar foi avisada e cercou o local, que, rapidamente, foi tomado por populares. Após serem rendidas, os três acusados foram levados até a praça central da cidade e foram queimados vivos. Toda a ação foi filmada por um cinegrafista da região. As imagens chocantes foram divulgadas em jornais nacionais.

No dia 9 de fevereiro de 1998, a Justiça determinou que 18 denunciados deviam ir a júri popular.  Entre as pessoas denunciadas no processo estão: Valdemir Pereira Bueno, Alcindo Mayer, Elo Eidt, Luiz Alberto Donim, Faustino da Silva Rossi, Santo Caione, Arlindo Capitani, Mario Nicolau Schorr, Donizete Bento dos Santos, Mauro Pereira Bueno, Paulo César Turcatto, Elymd da Silva, Gerson Luiz Turcatto e Airton José de Andrade.

Além dos populares, sete policiais militares foram denunciados pelo MPE, por supostamente não terem agido adequadamente para conter a população.

Os sete PMs denunciados pelo Ministério Público Estadual são: Edyr Bispo Santos, Lúcio da Silva, Juraci Messias dos Santos, Valter Benedito Soares, Lucir Ramos da Silva, Ciro Lopes e Jacles George de Melo.

Caso o veredito do juiz seja pela condenação, cada pessoa poderá pegar de 12 a 30 anos de prisão, por homicídio qualificado. A pena está prevista no artigo 121 do Código Penal Brasileiro.

 

KATIANA PEREIRA
DA REDAÇÃO

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