27/07/2015 - Campeão Pan-Americano festeja medalha, mas lamenta falta de apoio

27/07/2015 - Campeão Pan-Americano festeja medalha, mas lamenta falta de apoio

O judoca cuiabano David Moura Pereira da Silva, de 27 anos, hoje desfruta de um dos melhores momentos de sua carreira e ostenta no currículo alguns títulos importantes. 

Um deles é a medalha de ouro que ganhou, neste mês, no Campeonato Pan-Americano 2015, no Canadá. E o foco, agora, são as Olimpíadas, em 2016, no Rio de Janeiro

O atleta lamentou, no entanto, a falta da patrocínio oficial para participar de eventos, tanto no Brasil, como no Exterior.

Com o seu golpe preferido, o “Yoko-Tomoe-Nague”, David Moura finalizou seu adversário em apenas cinco segundos com o ippon (termo usado por atletas de judô atribuído a um golpe perfeito), na categoria acima dos 100 kg, na disputa, no Canadá.

A final foi disputada contra o equatoriano Freddy Figueroa, na noite do último dia 14. 

Segundo David, a luta foi arbitrada em 12 segundos porque o ângulo  em que o arbitro estava não daria para ver, e a mesa puxou o ippon. Isso demorou 12 segundos, mas, na verdade, conseguiu finalizar em cinco segundos seu adversário. 

“Eu estava muito confiante, e entrei muito ligado. Na primeira pegada que eu fiz, encaixou bem rápido. Foi a pegada que eu queria, e eu consegui aplicar o meu golpe predileto e projetar meu adversário em cinco segundos”, contou David Moura, em entrevista ao MidiaNews.

David ainda revelou que já conhecia o seu adversário e disse esse fato ajudou bastante na hora da luta.

“Eu já conhecia meu adversário, mas não imaginava que seria tão rápido. Eu já lutei contra o Freddy, no Campeonato Pan-Americano há dois meses, na semifinal, e ganhei a medalha de ouro e ele ficou com o bronze. É um atleta duro na queda”, disse.

Treinos

O judoca cuiabano já ganhou duas medalhas de ouro em de 2015: uma os jogos Pan-Americanos de Judô e a outra, no Campeonato Pan-Americano de Edmonton.

Para conseguir essas medalhas, David contou que sofreu com o treinamento.

“Eu voltei a treinar e sofri com os treinamentos, no Japão e na Áustria. Venho me preparando desde o começo do ano, não só para o Pan, mas porque tenho dez competições por ano e venho me preparando para todas elas”, afirmou o judoca.

David ainda contou que, se não fosse o apoio de sua família e patrocinadores, não estaria onde está hoje.

“Graças ao apoio da minha família e dos meus patrocinadores, que nunca deixaram de acreditar em mim, eu consegui me superar e pretendo ir mais longe”, afirmou.

Incentivo da família

David Moura revelou que cresceu praticamente dentro da academia - cuja sede fica no bairro do Porto -, vendo o pai treinar e lutar em competições, e foi surgindo o interesse no esporte.

“Tudo começou como uma brincadeira, mas depois fui me apaixonando e, quando completei 20 anos, decidi que seria profissional de judô e que levaria a modalidade a sério. Foi aí que comecei a viver para isso, treinando, viajando e descansando é essa a minha vida”, disse.

O pai de David Moura, Fenelon Oscar Müller, que também foi atleta de judô, disse que que começou cedo no esporte, com 14 anos, quando a modalidade não era muito conhecida.

“Eu comecei a gostar de judô em Cuiabá, depois fui morar em Brasília e conheci meu professor, que também já foi campeão do Pan-americano e lá engrenei no judô de vez”, contou.

Fenelon Müller, que já ganhou na mesma categoria do filho - só que a medalha de bronze, em 1975, no peso-pesado -, representou o Brasil em 11 campeonatos internacionais.

Ele disse que decidiu largar os treinos porque queria casar, foi quando retornou para Cuiabá e abriu uma academia de judô, que hoje tem o nome do filho.

“Eu ganhei medalha de bronze nos jogos pan-americanos no México há 40 anos. E hoje, vendo meu filho levar medalha de ouro, me deixa muito orgulhoso. É um sonho para todo pai ver seu filho ser campeão”, comemora Fenelon.

David também não economiza elogios quando fala de seu pai.

“Meu pai foi atleta da seleção brasileira, lutou em várias competições internacionais e eu cresci vendo meu pai treinar. Cresci praticamente dentro da academia”, disse.

“Agradeço ao meu pai, minha mãe, meus irmãos, minha família de modo geral, por me apoiarem em tudo, pelo incentivo que sempre me deram”, completou.



Falta de apoio oficial

Segundo David Moura, os esportes olímpicos não têm apoio nenhum do Governo do Estado de Mato Grosso e da Prefeitura de Cuiabá.

“Eu sou a prova viva de que o Estado mato-grossense não apoia os esportes olímpicos. Eu fui campeão dos jogos pan-americanos, mas nunca tive apoio nenhum da Prefeitura ou do Estado”, afirmou.

“Eu estou onde estou hoje por causa da minha família e por causa dos meus patrocinadores particulares, que tenho a felicidade em tê-los. Mas outros atletas que estão iniciando, infelizmente, muito raramente conseguem apoio”, observou.

“Sou amigo do Felipe Lima [nadador cuiabano], que também foi medalhista dos jogos pan-americanos de 2015. E nós dois, até hoje, não conseguimos nada do Governo de Mato Grosso, tampouco da Prefeitura para as Olimpíadas de 2016, que ano que vem será no Brasil. Imagina depois...”, completou Davi.

Mentalidade

Para Davi Moura, ainda há uma mentalidade atrasada, por parte de algumas empresas de Mato Grosso, de que o atleta, quando tenta obter patrocínio, estaria buscando ajuda pessoal.

"O patrocínio é, na verdade, uma parceria que busca vincular a imagem da empresa com a imagem do esporte olímpico, qualquer que seja ele. Infelizmente, não há o entendimento de que isso é bom tanto para o atleta como para a empresa.

“A Unimed Cuiabá, que é um dos meus patrocinadores, me apoia há três anos, acreditou em mim e no meu trabalho. Isso serve como exemplo, para mostrar que tem empresas que acreditam na nossa capacidade”, disse o atleta.

Cazaquistão e Grande Slam 

O próximo passo do judoca cuiabano, em busca de mais medalhas, é o Campeonato Mundial no Cazaquistão, no dia 31 de agosto.

Depois, ele participação do Grand Slam de Paris e Grand Slam de Tóquio, até final do ano. 

Logo após o Mundial, o foco será somente nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

“O primeiro passo foi dado. Aumentou muito a visibilidade dos esportes, do judô em si, com essa medalha que eu ganhei. Mas, o meu objetivo é transformar isso em alguma coisa positiva para o esporte e para o judô do Estado. Se isso não acontecer, não vejo como pode ter sido benéfico apenas pela minha conquista. Quero que o esporte chegue à pessoas que precisam até mais do que eu”, completou o campeão.

Sobre as Olimpíadas, Davi Moura não pode ter sido mais otimista:  ”Pretendo ganhar o campeonato mundial, esse é o meu foco agora”.

 

 

Jad Laranjeira 

Da Redação

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