27/08/2015 - Mobilização fortalece combate à hanseníase em Mato Grosso

O Mato Grosso é a unidade da federação com maior prevalência de hanseníase no Brasil. Com 10,19 casos por 10 mil habitantes, supera a taxa nacional, de 1,27 caso por 10 mil habitantes. Para ampliar e fortalecer as ações já desenvolvidas no estado, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, participou de uma mobilização na capital, Cuiabá, para a implementação de estratégias para redução da doença no estado e, assim, acelerar a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública no Brasil.

Na ocasião, o ministro assinou um termo de compromisso para o enfrentamento da hanseníase com 141 municípios do estado. O documento definirá metas para o período de 2016-2019 e o estado de Mato Grosso anunciou que vai investir R$ 14 milhões. A Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso também apresentou o Plano Estratégico para Enfrentamento da Hanseníase.

“O plano estratégico e o termo de compromisso, com metas graduais a serem alcançadas de 2016 a 2019, mostram o fortalecimento do compromisso que estado e municípios assumem para a redução da carga da doença”, avalia o ministro.

As medidas para o controle da hanseníase no estado envolvem as secretarias de Saúde e da Educação do estado e do município. Dentre elas, estão a intensificação da busca ativa de casos, o diagnóstico, a vigilância de contatos, tratamento e acompanhamento dos casos até a cura. O Ministério da Saúde vai dar apoio técnico, centros de referência e da sociedade civil.

O ministério também vai apoiar capacitações dos profissionais de saúde e de qualificação de dados dos sistemas de notificação e monitoramento de casos. Ao mesmo tempo, o governo federal vai intensificar ações para reduzir o estigma e a discriminação contra as pessoas e as famílias afetadas pela doença, promovendo a consolidação de uma política de Direitos Humanos.

Medidas para interromper a cadeira de transmissão

Os municípios mato-grossenses de Alta Floresta e Rondonópolis vão adotar, ainda neste semestre, a terapia preventiva da hanseníase para pessoas que tiveram contato com casos diagnosticados da doença. Parte de projeto piloto do Ministério da Saúde, a medida se soma a uma série de ações da pasta que visam interromper a cadeia de transmissão. No total, a iniciativa começará em 13 municípios de três estados com alta carga da doença: Pernambuco, Mato Grosso e Tocantins.

A expectativa é ampliar a cobertura de exames de contato, porque a cada novo diagnóstico, o serviço de saúde vai identificar e tratar, no mínimo, 20 contatos, entre pessoas que vivem na mesma casa, na vizinhança e outras relações sociais. Mesmo sem apresentar sintomas da doença, a pessoa receberá uma dose única de antibiótico.

Desde 10 de agosto, a Campanha Nacional de Hanseníase, Geo-helmintíases e Tracoma têm mobilizado agentes comunitários de saúde e equipes do Programa Saúde da Família de 2.300 municípios, percorrendo escolas para diagnosticar e tratar hanseníase, tracoma e verminose em alunos de cinco a 14 anos. A meta é que mais de oito milhões de crianças e adolescentes sejam avaliadas, como parte da terceira edição da ação do Ministério da Saúde.

Em Mato Grosso, a campanha será realizada em 915 escolas de 65 municípios, para examinar e tratar mais de 291,2 mil alunos.

Na segunda edição da Campanha, no ano passado, 5,6 milhões de estudantes receberam a ficha de autoimagem, sendo que 4,1 milhões responderam, representando 74% do total. Destes alunos, 5,6% (231.247) foram encaminhados às unidades de saúde para esclarecimento do diagnóstico. Depois de passarem por exames clínicos, 354 crianças foram diagnosticadas com hanseníase, representando 0,15%. Os contatos destas crianças também são registrados e examinados. Nesse sentido, houve diagnóstico em 73 contatos intradomiciliares dos casos novos diagnosticados na campanha.

Em Mato Grosso, 245 mil estudantes receberam a ficha de autoimagem e 9,4 mil casos suspeitos foram encaminhados para unidade de saúde. No final, 44 alunos e sete contatos foram tratados para hanseníase.

Redução dos casos

No Brasil, a taxa de prevalência de hanseníase caiu 25,7% em 10 anos, passando de 1,71 pessoa em tratamento por 10 mil habitantes – em 2004 – para 1,27 por 10 mil habitantes, em 2014. A queda é resultado das ações voltadas para a eliminação da doença, intensificadas nos últimos anos. Em Mato Grosso, a taxa de prevalência de hanseníase, em 2014, foi de 10,19 casos por 10 mil habitantes.

As áreas de maior risco de surgimento de casos estão concentradas em Rondônia, Pará, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Em 2004, 67,3% das pessoas que faziam tratamento para hanseníase se curaram. Já em 2014, esse número saltou para 82,7%. O número de contatos examinados também aumentou de 45,5% para 76,6%, no mesmo período.

 

Portal Brasil

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